Morte e redenção

por Sylvio Micelli

O “capo” caiu. Zé Dirrrrrrrceu, o super-ministro de Lula, o Golbery do PT já era. Confesso que não imaginava que isso poderia acontecer. E me baseio numa informação simples. Estava eu em Brasília, no começo de 2003, tudo novo e esperançoso, quando uma amiga, assessora de um parlamentar petista, confidenciou-me o que já imaginávamos: “ele [Dirceu] é o primeiro-ministro. É o que manda. É mais fácil cair o Lula do que ele”.

Dois anos e meio depois a realidade foi outra. Lula, para tentar salvar alguma coisa, cortou seu braço direito. E, apesar das negativas, Roberto Jefferson obteve sua primeira vitória. Ele que na terça-feira foi claro ao afirmar para Dirceu sair rápido. E saiu.

Vamos então analisar a massa falida. O teatro de horrores de Roberto Jefferson deve ter suas verdades. Afinal, derrubou o Chefe da Casa Civil da Presidência sem, sequer, mostrar provas. Dirceu perde ao voltar para a Câmara dos Deputados. Não apenas a pose. Ele arrumou muitas inimizades nesses trinta meses. É comum ouvir pelos corredores do Congresso que o Planalto, leia-se José Dirceu, não coopera com os parlamentares da base.

Quem ganha com a saída do Zé é Palocci. Um político mediano de Ribeirão Preto (quem conhece a cidade sabe o que estou falando) e que herdou o espólio político de Celso Daniel, assassinado há poucos meses da eleição de 2002.

Para Lula restam duas alternativas. Ou ele começa a de fato governar. E prova aquilo que a maioria já imaginava, ou seja, que ele era um fantoche na mão de Zé Dirceu. Ou ele toca a bola até o final do jogo para não perder mais.

Como seria governar um desgoverno? Lula tem 18 meses para virar o jogo e sem pirotecnia. Fazer uma reforma ministerial grande e densa. Cortar outros amigos e colocar os ministros para trabalhar, o que não aconteceu até aqui, com as exceções de praxe. Caberá ainda ao Presidente peitar a política econômica e exigir a queda dos juros para que o crescimento no país ocorra no segundo semestre e que ele ganhe oxigênio para 2006. O maior líder sindical brasileiro ainda deverá viajar menos para o exterior e se concentrar nos problemas nacionais.

Assumir que programas sociais fetichistas, como o Fome Zero por exemplo, não surtiram o efeito prático nem midiático imaginado e mexer no chiqueiro. Não há como se alimentar os porcos sem entrar lá dentro.

É isso. E seria a redenção. Toda essa história tem como principal vítima o povo brasileiro. Que acreditou, deu um cheque em branco para Lula e ele não saldou o crédito dado por 50 e tantos milhões de brasileiros, incluso este medíocre jornalista. Do contrário será a morte… Morte política de Lula, do PT e agregados. E a morte pior que é a vergonha sentida em ser brasileiro.

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1 Response

  1. André Ramos disse:

    Amigo Micelli, bom dia:

    Bacana o editorial. O “querido Zé” foi para o saco mas ainda muita água vai passar embaixo dessa ponte quebrada pelo terremoto Jefferson. O ex-membro da tropa de choque collorida foi para cima do governo talvez mais como uma defesa quando viu o seu na reta da CPI dos Correios que por sentir-se desconfortável com o comportamento do homem de Passa Quatro. Ou ainda, ambas as situações tenham, juntas, fornecido a octanagem necessária para o barril explodir.
    Entretanto, somente quando a merda cai no ventilador ee que causa estrago, afinal, essa história de mesada para aliciar parlamentar e tão falada em Brasília, quanto a vinda do Vágner Love é discutida nos arredores do vosso Curíntia. E olha que o ex-trator, como o próprio Jefferson definiu-se na entrevista à Folha, citando sua característica antes da operação do estômago, sequer apresentou provas. Será que existe tanta bala assim, para o campanheiro Dirceu ter dado no pé rapidinho? Será que o nosso presidente tinha conhecimento do que acontecia à sorrelfa no gabinete ao lado? Ora, creio que muita coisa existe no Planalto, menos ingeuidade.
    Enfim, agora que Dirceu volta para a legislatura parlamentar, vou jea resevar meu lugar – assim como farei para o jogo do Tricolaço contra los hermanos – para acompanhar o confronto entre o algoz e a fera ferida.
    É esperar para ver.

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