sexosSylvio Micelli

Uma série de erros e pronto. Um assunto irrelevante, alavancado por parte da grande mídia, fez com que a sociedade brasileira fosse obrigada a voltar no tempo e entrar numa discussão sexista que envolveu a estudante Geisy Arruda. Muito já li sobre o fato, principalmente pela expulsão, equivocada, feita pela Universidade Bandeirante.

Há dois assuntos ligados ao mesmo tema. E cada um precisa ser analisado individualmente.

Usando a filosofia da escola da vida, a estudante vacilou. Por mais que uma universidade seja um ambiente livre, roga-se um mínimo de bom senso. Não quero aqui ser saudosista e lembrar dos tempos idos de nossas queridas normalistas. Entendo que a atual mocidade é cada vez mais livre no pensar e no agir. E é bom que seja assim. Mas quando o assunto surgiu, muitas colegas minhas acharam que o fato denigre a imagem da mulher. E veja que a maioria dos meus relacionamentos é composta por jornalistas, naturalmente pessoas de mente aberta.

Também não podemos ser hipócritas. O Brasil sempre foi reconhecido, mundialmente, pelas mulheres exuberantes. Todavia, devemos evitar aquela discussão feminista dos anos 60 sobre o discurso machista. Há uma linha tênue entre a liberdade, que deve ser compartilhada por todos, e a libertinagem que é o extrapolar da liberdade. E isso vale para ambos os sexos.

Pessoalmente, não ligo para vestes até porque não sou um modelo a ser seguido. Além disso, ligo para pessoas e não para o que vestem. Mas neste campo aprecio o bem vestir e que os meus amigos se sintam bem. Todo ser humano gosta de ser desejado. Uns, optam pelos atributos além do físico. Outros, realçam curvas e cores. Tudo em busca de ver e ser visto. Até aí, normal. Mas se a estudante quis “causar”, o tiro acabou saindo pela culatra. Seu direito de vestir-se em trajes insinuantes esbarrou no direito de outras moças que se sentiram ofendidas com tal comportamento. Os rapazes, vertendo testosterona até pelas narinas, transformaram um ambiente naturalmente democrático, numa selva.

Entendo que Geisy deveria ser advertida. E que fosse recomendado que ela mudasse seus trajes.

A universidade cometeu muitos erros. De cara, a estudante deveria ter sido orientada na entrada, sobre sua roupa. Em relação à confusão será que a faculdade não tem seguranças em número suficiente que pudessem conter a turba? Os policiais foram chamados por colegas da aluna. São medidas simples que teriam resolvido o problema.

A Uniban erra, ainda mais, ao expulsar a aluna. Fez o que, em tese, seria mais fácil. Não analisou que tal atitude é um tiro no pé. É péssimo marketing para a instituição. E pior: não instaurou ou não concluiu uma sindicância que apurasse as responsabilidades de uma quase agressão por motivo fútil. Quem foi o aluno ou a aluna que despertou, movida pela ira, inveja ou quaisquer dos outros pecados capitais, o furou de mais de 700 alunos? Dizer que isso foi geral é simplista e não resolve o problema.

Difícil saber se a Justiça obrigará a universidade a rematricular a aluna. Também não sei se seria viável. Mas certamente, a aluna terá direito a uma indenização por conta de uma faculdade que não preserva seus alunos. E que o MEC se manifeste sobre o tema.