Ei, Casoy! Pede prá sair!

O jornalista Bóris Casoypor Sylvio Micelli

Que ótima forma de começar o Ano Novo! Comentando uma terrível gafe de um colega de profissão. Colega que não gosto mas, afinal, faz parte da minha pseudo-categoria.

Ontem, véspera de Ano Novo, o jornalista Bóris Casoy, após uma reportagem do Jornal da Band que ele ancora na Rede Bandeirantes de televisão, comentou em tom cínico e malicioso as imagens exibidas durante uma reportagem, que mostravam uma dupla de garis dando felicitações de Ano Novo. Eis a reprodução de sua fala: “Que merda… dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho…”

Pois bem. De todas as pessoas do mundo do jornalismo, Casoy seria a última, a tecer qualquer comentário preconceituoso. Casoy é de origem judia, uma das etnias mais perseguidas do mundo. Ele, quando criança, foi vitimado pela poliomielite e só começou a andar após os nove anos de idade. Ou seja, apenas esses dois fatos já deveriam dar a ele uma humildade que nem o homem, nem o profissional têm.

Mas é plenamente compreensível. Bóris Casoy é um dos mais importantes e dignos representantes da burguesia brasileira. Quase um porta-voz dos que acham que estão a salvos em assistí-lo, ao invés de optarem pelo Jornal Nacional da Rede Globo. E quando uso burguesia, aqui, passo longe do discurso panfletário utilizado politicamente.

Casoy foi secretário de Imprensa de diversos representantes da Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que deu sustentação ao Regime Militar. Entre 1968 e 1972, auge da ditadura no país, Casoy passou pela Secretaria de Agricultura paulista, pelo Ministério da Agricultura e pela prefeitura paulistana. É apontado com um dos responsáveis pelas “grandes transformações” do jornal Folha de São Paulo e pelo sucesso da coluna Painel na década de 80. E está em diversos canais de TV, há mais de duas décadas, sempre “formando opinião”.

O mais preocupante no comentário que Casoy fez, e que vazou na era da informação total, é que ele reflete o pensamento da mesma burguesia que lhe dá o status de conteúdo. Ele até pediu desculpas hoje. O problema não é o Casoy falar bobagem. Ele pensa assim. Mesmo pedindo desculpas é isso que ele pensa… E desculpas televisivas não apagam o pensamento que se tem.

Encerro aqui utilizando-me de dois bordões famosos do jornalista. E rogo que ele aproveite a oportunidade para se aposentar. “É preciso passar o Brasil a limpo”, não é mesmo? E vamos aproveitar os garis para que a sujeira não fique debaixo do tapete. Do contrário “isto é uma vergonha”.

Espero que o Grupo Bandeirantes manifeste-se sobre o assunto de forma clara para que seu jornalismo, até sério e respeitável, não seja jogado na vala comum. E que o jocoso programa CQC, da mesma emissora, não seja corporativo e coloque o dedo na ferida, assim como faz com outros vídeos e situações inusitados.

CONFIRA O VÍDEO COM A GAFE COMETIDA POR CASOY EM 31/12/2009

CONFIRA O PEDIDO DE DESCULPAS DO JORNALISTA EM 01/01/2010

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