Igreja centenária destruída em São Luiz do Paraitinga (SP) - Foto: Agência Estado (AE)por Sylvio Micelli

O ano de 2010 não poderia ter começado pior para o Brasil. As tragédias, em decorrência das chuvas, causaram mortes em Angra dos Reis, Ilha Grande, Guararema, Bragança Paulista, São Paulo, Rio Grande do Sul e por aí fora. A turística São Luiz do Paraitinga, cravada no meio do Vale do Paraíba no interior paulista, teve grande parte do seu patrimônio histórico indo, literalmente, por água abaixo. Além dos mortos, prejuízo incalculável para as famílias, são de enorme monta os prejuízos financeiros de tudo o que aconteceu. Só para citar o caso de Paraitinga, a cidade terá de ser praticamente reconstruída. E quem paga isso sou eu e você, por meio dos inúmeros impostos.

Quando acontecem essas catástrofes, normalmente creditada a causas naturais ou a São Pedro, o poder público logo aparece com seu “beneplácito” para reconstruir, reformar, confortar, enfim, colocar, na medida do possível, a casa em ordem. Só nesta semana, o governo federal liberou não sei quantos milhões para Angra dos Reis e região. O governador paulista José Serra reuniou-se com secretários para discutir o atendimento às vítimas das enchentes e liberou outros tantos milhões para as cidades em estado de calamidade pública. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, para não ficar para trás, anunciou “vistosa” medida liberando moradores de um bairro da capital, submerso há mais de um mês, do pagamento da conta de água.

Modéstia a parte, não sou um neófito em política e, mesmo não concordando, até entendo seus mecanismos. Mas questiono o porquê de tais medidas não terem sido tomadas previamente. O poder público vive choramingando que não há verbas. E quando vêm a tragédia, o dinheiro aparece. Eu sei que os técnicos dos governos, quaisquer que sejam eles, vão dizer que o Estado tem verbas de “contenção” justamente para esta finalidade, ou seja, recursos extra-orçamentários para catástrofes do gênero. Mas aí eu volto a perguntar: não é preferível resolver antes do que chorar os mortos depois? Basta querer. Os milhões que são liberados para reconstruir seriam muito mais úteis para construir. E com certeza muito mais em conta para o bolso de todos nós.