Ian Curtispor Sylvio Micelli

Sabe-se lá o que é fazer música com temática gótica no final dos anos 70… Em meio aos rockões setentistas, à época disco e no final do movimento punk surge um cara único.

Ian Curtis era daquelas pessoas que, se não existisse, teria de ser inventada. Um poeta que cultuava o obscurantismo e que estava à frente de seu tempo. Conhecia música como poucos e soube beber nas fontes perfeitas de grandes mestres como Lou Reed (Velvet Underground), David Bowie, Iggy Pop e Jim Morrison (The Doors)

Sua banda, o Joy Division, é um grupo único. Não pode ser encaixado em nenhum rótulo como, aliás, a maioria das bandas góticas, onde cada qual imprimiu seu próprio estilo.

Dono de um voz grave e poderosa, cercado por guitarra e baixo etéreos e claustrofóbicos e contando com uma bateria quase marcial, Ian declamava suas geniais ideias de uma forma densa como a cuspir na cara de todos, a limitação da existência humana.

O Joy lançou apenas dois álbuns de estúdio – Unknown Pleasures (1979) e Closer (1980) – e nada mais precisou para entrar na história e transformar seu vocalista num mito.

Há exatos 30 anos, Ian se enforcou. Há muitas versões sobre as circunstâncias de sua morte, mas a mais aceita é que ele, casado, estava envolvido num triângulo amoroso. É bem provável que a música “Bizarre Love Triangle” (1986), um dos singles mais vendidos do planeta e de autoria da mega-banda New Order, formada pelos remanescentes do Joy Division, tenha imortalizado essa história.

Ian Curtis foi cremado e as suas cinzas foram enterradas em Macclesfield. Na lápide, a inscrição “Love Will Tear Us Apart” (“O Amor Vai Nos Destruir”). O epitáfio, escolhido por sua esposa Deborah, é uma referência à canção mais conhecida do Joy Division.