Voltou o brilho da Fórmula 1?

F1 Official Logopor Sylvio Micelli

Acompanho corridas de Fórmula 1 desde o longínquo ano de 1979. Tinha 8 anos.

Era apaixonado pelo arrojo do Gilles Villeneuve e, por influência da famiglia italiana, era ferrarista. Os tempos eram outros e sei que muitos hão de criticar-me por aquilo que se convencionou chamar de saudosismo.

Para se ter uma ideia, em 1979 o campeonato era totalmente diferente do que ocorre mais de três décadas depois. O sistema de pontuação não era tão generoso como hoje. Apenas os seis primeiros pontuavam. O primeiro colocado ganhava nove pontos e o sexto, um pontinho. Isso tornava a disputa ainda mais acirrada. Uma outra curiosidade da época é que se contavam os pontos dos quatro melhores resultados nas sete primeiras provas e os quatro melhores resultados nas oito últimas provas.

Ainda lembro-me das vitórias de Jacques Laffite da saudosa Ligier nas provas da América do Sul que abriam a temporada daquele ano. Foram as corridas de Buenos Aires (dos tempos do inesquecível Carlos Reutemann) e aqui em Interlagos (São Paulo). Por sinal, durante muitos anos as provas disputadas no Brasil aconteciam em Interlagos e Jacarepaguá (Rio de Janeiro), alternadamente.

Nostalgia a parte, ao longo dos anos 80 e 90 vi as histórias construídas de grandes pilotos nacionais (com destaque para os tricampeonatos de Nelson Piquet e Ayrton Senna) e dos grandes concorrentes internacionais. São tantos nomes mas destaco, por gosto pessoal, Nigel Mansell, Niki Lauda, Alan Jones, Alain Prost, Gerhard Berger e Riccardo Patrese.

Nos anos 2000 habituei-me a ver a supremacia de Michael Schumacher e as chorumelas de um piloto, limitado e reclamão, chamado Rubens Barrichello.

Para quem está na faixa acima dos 30 anos deve se lembrar de como o couro comia com os pilotos dentro da mesma equipe. O exemplo máximo está nas duas decisões dos campeonatos de 1989 e 1990 que envolveram Alain Prost e Ayrton Senna para júbilo da McLaren. Naquela época, a equipe não interferia (ou pouco interferia) na disputa dos pilotos, independente do desfecho.

Num dado momento, para minha tristeza, justamente a Ferrari resolveu alterar os resultados das provas. O maior escândalo foi no GP da Áustria em 12 de maio de 2002. Para quem não se lembra, Barrichello liderava a prova e iria vencer, mas cedeu à pressão da equipe e permitiu a ultrapassagem de Schumacher no último metro de pista. Não vou entrar no mérito da atitude do Barrichello, porque cada um poderá ter uma opinião. A minha, obviamente, é crítica ao piloto brasileiro que, para mim, tornou-se desprezível.

Por esses e outros motivos fui esquecendo da Fórmula 1 nas manhãs dominicais.

Mas hoje, sabe-se lá porquê, vi a metade final do GP da Turquia. Duas cenas fizeram com que eu lembrasse daqueles tempos nostálgicos que relatei aqui. Primeiro, a disputa entre Sebastian Vettel e Mark Webber, ambos da Red Bull Racing. Tudo bem que o Vettel colocou, literamente, os pés pelas mãos, mas houve uma disputa entre pilotos do mesmo potencial e de uma mesma escuderia.

Logo em seguida, Lewis Hamilton e Jenson Button, ambos da McLaren, protagonizaram aquela cena clássica que estava esquecida no meu cérebro: a disputa palmo a palmo, o “X” e a troca de posições… Não tive como não lembrar, ainda mais em se tratando de McLaren das deliciosas disputas de Prost e Senna que causaram até incidentes diplomáticos!

Espero que a magia e a boa pilotagem tenham voltado à Fórmula 1. E tomara que as equipes não interfiram nos resultados e que se lembrem que os artistas são os pilotos.

Estarei ligado, desde o início, no próximo GP que ocorre no Canadá em 13 de junho e cujo autódromo leva o nome de Gilles Villeneuve, aquele mesmo louco que prendia a minha atenção naqueles domingos da minha infância.

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