Arquivar para junho, 2010

TJ-SP: Assembleia Geral aprova continuidade da Greve

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Por ampla maioria, na décima Assembleia Geral desde o início do movimento em 28 de abril, os Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprovaram a continuidade da Greve. Já são 64 dias de paralisação em todo o estado sem que o TJ paulista apresentasse algo de concreto para a categoria. Esta já é a terceira maior greve do Judiciário de São Paulo. As maiores paralisações ocorreram em 2004 (91 dias) e 2001 (80 dias).

Pela manhã aconteceu uma reunião no Palácio da Justiça com a Comissão de Representantes das Entidades do Judiciário e representantes do Tribunal. Participaram o desembargador William Campos e os juizes auxiliares João Batista Morato Rebouças de Carvalho e José Maria Câmara Júnior. A “proposta” do TJ permanece a mesma. Ou seja, o encaminhamento de um projeto de lei a ser votado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo com o índice de 4,77% e que na peça orçamentária do TJ conste a reposição de 20,16% para o próximo ano. Surgiu ainda discussões sobre gratificações e suspensão das punições aos grevistas, mas tudo no campo das hipóteses.

Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, tratam-se apenas de promessas. “O TJ insiste em apresentar propostas cuja aprovação não depende dele. São apenas promessas. Não há a menor possibilidade de suspender o movimento sem que haja algo de palpável”, criticou.

Gozze fez uma análise do comportamento da Assembleia. “Os parlamentares entram em recesso em julho e quando voltarem em agosto vão cuidar das campanhas eleitorais. Quando eles vão votar isso?”, questiona. As eleições ocorrem no início de outubro.

O presidente da Assetj ainda ironizou o comportamento do Poder Judiciário paulista. “O TJ afirma que colocará no Orçamento de 2011, a reposição de 20,16%. Mas será que eles combinaram com a Assembleia e com o Governador? Temos observado nos últimos anos que o Executivo corta o Orçamento do TJ pela metade e nada é feito”, pondera.

Praça mantém greve

Iniciada a Assembleia Geral da categoria, com a manifestação dos representantes com informes e opiniões sobre o movimento, por ampla maioria a Greve foi mantida. A Assembleia ainda contou com a presença dos deputados estaduais Carlos Gianazzi (PSOL) e Major Olímpio Gomes (PDT). Ambos tem apoiado o movimento desde o início, inclusive com o encaminhamento de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, junto à Assembleia Legislativa. O assessor do deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP) também esteve presente para informar sobre a Representação feita ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o TJ-SP.

Além da manutenação da greve foram aprovadas as seguintes propostas:

1. Realização de nova Assembleia Geral (a décima-primeira) na próxima quarta, 07 de julho às 14 horas, na Praça João Mendes;

2. Participação em ato conjunto com os servidores da Justiça Federal na Avenida Paulista;

3. Pressão de Servidores junto aos parlamentares para a assinatura do pedido de CPI na Assembleia Legislativa;

4. Ofício ao CNJ requerendo urgência na Audiência Pública em São Paulo;

5. Denúncia ao Tribunal de Contas do Estado sobre mau uso do Orçamento do TJ paulista.

AGENDE-SE

07 DE JULHO – 71º DA GREVE – QUARTA-FEIRA – 14 HORAS – DÉCIMA PRIMEIRA ASSEMBLEIA GERAL ESTADUAL NA PRAÇA JOÃO MENDES

A hipocrisia do brasileiro nos gols irregulares (dos outros)

por Sylvio Micelli

Neste domingo de Copa do Mundo, erros capitais aconteceram nas duas partidas das oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul.

No jogo entre Alemanha e Inglaterra, Lampard fez um golaço, que não foi observado pelo juiz uruguaio Jorge Larrionda e o auxiliar Maurício Espinosa. Estava 2 a 1 para a Alemanha. Os ingleses empatariam a partida e como disseram todos os “entendidos do futebol”, a história do jogo poderia ter sido diferente.

Logo em seguida, na segunda partida do dia, o primeiro gol da Argentina contra o México veio num impedimento de Tevez. Mais uma vez, a mesma cantilena. Caso o gol tivesse sido anulado pelo italiano Roberto Rossetti, o jogo poderia ter sido outro.

Bobagem! Tanto Alemanha quanto a Argentina foram muito superiores aos seus adversários. Claro que existe a perspectiva de que as partidas poderiam ter sido mais difíceis, mas acho que o resultado final não seria outro senão a vitória e a bela disputa de quartas de final entre alemães e argentinos. Por sinal, as oitavas de final até aqui não apresentaram nenhuma zebra. A classificação uruguaia e mesmo a ganense, não são surpresas.

Quero deixar claro que sou totalmente favorável à tecnologia aplicada ao futebol em lances assim, ainda mais numa Copa do Mundo. Não veria problemas com um chip que ativaria um sinal quando a bola ultrapassasse a marca fatal. Também não vejo problemas com a anulação de gols irregulares depois de um replay para que juiz e bandeirinhas observassem jogadas complicadas. Sugiro, até, dois assistentes atrás de cada um dos gols para que a Fifa não venha com aquela discurseira tosca de que não dá para usar tecnologia em determinados lugares do mundo. Estamos falando de futebol profissional e que deve ser adaptado às necessidades que se impõem com o avanço tecnológico. A Copa do Mundo conta com 32 câmeras oficiais fora todas as máquinas nos estádios. Juiz e bandeirinhas contam com seis olhos, apenas.

O que realmente incomoda nessa história toda é a hipocrisia da maioria do brasileiro – o povo mesmo, jornalistas esportivos, comentaristas et caterva – quando o gol irregular é dos outros, especialmente se for argentino.

O maior problema do Brasil, num contexto macro, é o uso indiscriminado do velhíssimo, roto e esfarrapado   “dois pesos e duas medidas”. E isso é em tudo. Não apenas no futebol. Veja na política: o partido X ao ser criticado pelo partido Y, alega que o Y fez a mesma coisa no passado e assim, sucessivamente. Continuamos, dia após dia, mês após mês, ano após ano, sendo o País do jeitinho, do acerto, do cafezinho…

Voltando à Copa do Mundo, como dever de justiça, devemos resgatar o gol de Luís Fabiano contra a Costa do Marfim. Um belo gol, sem dúvida, mas que foi irregular pelo uso do antebraço. A partida estava 1 a 0 para o Brasil. A partida também poderia ter sido outra e a boa equipe marfinense, em que pese violenta, poderia ter desclassificado a seleção portuguesa.

Aí, esses hipócritas nada falam ou se falam, acham “engraçadinho” o vídeo flagrado da conversa de Luís Fabiano com o juiz francês Stephane Lannoy que, mesmo em dúvida, validou o gol.

Mais do que nunca está atual a célebre exortação de Sérgio Porto, o nosso inesquecível e maravilhoso Stanislaw Ponte Preta: “Ou restauremos a moralidade ou nos locupletemos todos”. Ou seja: quer reclamar de Tevez, ou do gol não dado de Lampard, ou do gol de mão do francês Henry nas Eliminatórias contra a Irlanda ou até “La Mano de Dios” do gênio Diego Armando Maradona, contra a Inglaterra em 1986, comecemos por dar o exemplo e não achar que nossos gols irregulares, ainda que validados, sejam “obra do acaso” ou porque somos o melhor futebol do mundo.

Maradona em 1986

Luís Fabiano e o juiz contra a Costa do Marfim

O gol de Lampard que Larrionda não viu

Impedido, Tevez põe a Argentina na frente contra o México

Alemanha e Inglaterra: o melhor jogo da Copa… e com vários lances para a história


por Sylvio Micelli

Alemanha e Inglaterra acabaram de protagonizar o melhor jogo desta fraca Copa do Mundo. A vitória alemã por 4 a 1 é incontestável. Tem melhor equipe que os ingleses e um contra-ataque mortal. Aliás, é uma injustiça para o futebol, ter um jogo deste nível numa “simples” disputa de oitavas-de-final. Fosse a Commembol, para o bem ou para o mal, seria inventada uma regra em que campeões do mundo não poderiam se enfrentar numa “partidinha mixuruca” dessas.

Mas há vários lances que entram para a história. O primeiro gol da Alemanha nasceu de um tiro de meta. O goleiro Neuer cobra com força. A bola viaja por 90 metros. O fantástico Klose protege a bola, ganha de Upson e bate na saída de James. Seu gol, o 12º em copas do Mundo, faz com que ele empate com Pelé em copas. Isso não é pouca coisa. Não se toma gol vindo de um tiro de meta. Nem na várzea. Ainda mais numa Copa do Mundo.

A Alemanha já vencia por 2 a 1, com gols de Podolski para os germânicos e Upson para os britânicos, quando a Inglaterra empata. O genial Lampard coloca de longe, por cobertura e a bola bate no travessão. Entra e sai do gol. O árbitro uruguaio Jorge Larrionda não vê nada e manda seguir.

Pausa para a história. Final da Copa de 1966 na Inglaterra, em 30 de julho, no templo de Wembley. Depois de um empate por 2 a 2 no tempo normal, no primeiro tempo da prorrogação o artilheiro Hurst bate. A bola quica na linha e nunca saberemos ao certo se a bola entrou ou não. Há um entendimento de que a bola não entrou, mas é importante ressaltar que 44 anos atrás não tínhamos dezenas de câmeras nem redes sociais.

Seja como for, o suiço Gottfried Dienst validou o gol inglês. Hurst faria, ainda, 4 a 2 para a alegria da terra da raínha.

Jorge Larrionda não validou o golaço de Lampard e a Inglaterra provou do próprio veneno de quatro décadas atrás.

Perdendo por 2 a 1, os ingleses foram para cima. Bateram faltas em barreiras alemãs e em rápidos contra-ataques a Alemanha matou o jogo. Destaque para o meia Mesut Özil, um baixinho genial que é um verdadeiro motor Mercedes-Benz na seleção.

O golaço de Lampard entrará para a história dos não-gols que comentaremos nos botecos vida a fora.

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