Democracia restabelecida na Praça João Mendes – 50 dias de uma greve histórica. E que continua…
- 2010/junho/16
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por Sylvio Micelli / ASSETJ
Mais de 10 mil Servidores do Judiciário de São Paulo decidiram por unanimidade continuar a greve iniciada em 28 de abril. A deliberação ocorreu na oitava Assembleia Geral da categoria que aconteceu na tarde desta quarta (16) na Praça João Mendes, no Centro da Capital.
O dia começou tenso. Havia dúvidas sobre a realização da Assembleia tendo em vista a proibição feita pela Prefeitura da Cidade de São Paulo atendendo a um ordenamento da presidência do Tribunal de Justiça. Representantes e servidores reunidos na sede da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj) discutiam, com a presença do deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL), estratégias do movimento.
Às 13 horas, a Praça João Mendes já estava repleta. Inicialmente, funcionou um equipamento de som de menor capacidade. Em seguida, decidiu-se pela montagem do palco como aconteceu em outras assembleias. A Polícia Militar tentou desmontar o aparato. Próximo das 14 horas, o Mandado de Segurança impetrado pela Assetj teve liminar favorável da juíza Sílvia Maria Meirelles Novaes de Andrade da 12ª Vara Cível do Fórum João Mendes. Em sua decisão, a magistrada colocou cada qual no seu lugar. Determinou que a Polícia Militar e a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) deveriam se abster de “prejudicar” a realização do ato, por ela reiterado como constitucional (Art. 5º, XVI) e assegurar que a Assembleia ocorresse de forma pacífica. A notícia, lida pelo presidente da Assetj, José Gozze, foi aplaudida efusivamente pelos manifestantes. A realização da Assembleia estava garantida e a democracia estava restabelecida na Praça João Mendes (Clique nos arquivos para ler a decisão).
A condução dos trabalhos nesta Assembleia não foi diferente das outras semanas. Manifestações em defesa da continuidade da greve diante da intransigência do Tribunal de Justiça foi o mote principal dos discursos. Os representantes também parabenizaram os colegas que ocuparam o Fórum João Mendes na semana passada. Os deputados estaduais Carlos Gianazzi, Major Olímpio Gomes (PDT) e o deputado federal Márcio França (PSB/SP) prestaram seu apoio aos grevistas. Gianazzi informou, ainda, que trabalha em conjunto com outros parlamentares na Assembleia Legislativa para que seja criada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Judiciário, principalmente para abrir a “caixa preta” do Poder. A praça, literalmente, comemorou a informação como um gol em final de campeonato. Ficou agendada uma reunião dos representantes das entidades com o Colégio de Líderes do parlamento paulista para a próxima terça-feira, dia 22 de junho, às 14 horas.
Deliberações
1. De forma unânime manteve-se a greve geral por tempo indeterminado;
2. A próxima Assembleia Geral foi marcada para quarta-feira, dia 23 de junho, às 14 horas, na Praça João Mendes;
3. Foi aprovada a realização de uma vigília permanente na Praça João Mendes;
4. Haverá vigília durante a Audiência de Conciliação da Ação de Dissídio Coletivo que acontece nesta quinta (17), às 10 horas;
4. A praça aprovou o encaminhamento de toda a documentação sobre os pleitos dos Servidores do Judiciário à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras entidades religiosas em busca de apoio ao movimento;
5. Será estudada a possibilidade de que servidores doem sangue num exercício de cidadania em respeito à toda sociedade;
6. Foi aprovada uma passeata ao final da Assembleia e um ato conjunto com os Servidores da Justiça Federal, também em greve.
Passeata pelo Centro e fechamento do João Mendes
Pouco antes ao final da Assembleia Geral, por volta das 16 horas, o Fórum João Mendes foi fechado. Pouco antes o Fórum Hely Lopes Meirelles, no Viaduto Dona Paulina, também havia sido fechado.
Ao final da Assembleia dos Servidores Estaduais foi realizado um ato conjunto com os Servidores Federais que estão em greve há 40 dias. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud) manifestaram seu apoio aos colegas estaduais e também receberam aplausos pela mobilização.
Em seguida, uma grande, mas pacífica e ordeira passeata percorreu o caminho da Praça João Mendes, Rua Conde do Pinhal, Largo Sete de Setembro, Praça João Mendes, Rua Anita Garibaldi, Praça Clóvis Bevilacqua, Rua Roberto Simonsen, Rua Anchieta e Páteo do Colégio, quando os presentes fizeram um manifesto em frente à Secretaria de Estado da Justiça. O retorno foi feito pela Praça da Sé e Praça João Mendes com nova concentração em frente à sede da OAB-SP.
O ato conjunto e a Assembleia foram finalizados na Praça João Mendes no começo da noite paulistana.
AGENDE-SE
17 DE JUNHO – 51º DA GREVE – QUINTA-FEIRA – 10 HORAS – AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO DA AÇÃO DO DISSÍDIO COLETIVO DA GREVE NO FÓRUM JOÃO MENDES
22 DE JUNHO – 56º DA GREVE – TERÇA-FEIRA – 14 HORAS – REUNIÃO COM O COLÉGIO DE LÍDERES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO
23 DE JUNHO – 57º DA GREVE – QUARTA-FEIRA – 14 HORAS – NONA ASSEMBLEIA GERAL ESTADUAL NA PRAÇA JOÃO MENDES
A Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), por meio de sua Diretoria Executiva, Conselhos Deliberativo e Fiscal, colaboradores e parceiros, tendo em vista o “esclarecimento” feito pelo desembargador Antonio Carlos Viana Santos, presidente do Tribunal de Justiça paulista na última sexta, 11 de junho, por meio do site do TJ-SP, bem como os comunicados que se seguiram em 14 e 15 de junho vem a público esclarecer: