El Uruguay y la otra “mano de Dios”
- julho 3rd, 2010
- Posted in Jornalismo e nada mais
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por Sylvio Micelli
Muitos amigos não entendem o apreço que tenho pelo futebol sulamericano. Sobretudo o argentino e o uruguaio. Sei que são concorrentes diretos do Brasil, mas a raça de ambos torna o esporte ainda mais especial.
Exemplo claro disso foi a segunda partida das quartas de final da Copa da África do Sul entre Uruguai e Gana, que aconteceu nesta sexta (02), logo depois de lambermos as feridas pela desclassificação do Brasil diante da Holanda.
A equipe africana dominou boa parte do jogo, contou com o imenso apoio da torcida, mas ao final, a magia da velha Celeste Olímpica voltou a brilhar.
Tudo seria mais um jogo complicado com empate no tempo normal e na prorrogação e a decisão nos pênaltis, quando no último minuto do segundo tempo da prorrogação, o atacante Luis Suárez, que nada fez no jogo inteiro (exceto perder um gol incrível), agiu do modo que somente um latino poderia fazer.
Numa cobrança de falta e no bate e rebate da bola, Adiyiah tocou para o gol que fatalmente colocaria Gana na semifinal da Copa, algo inédito para uma equipe do continente africano. A única alternativa de Suárez foi defender a bola com as mãos. Foi corretamente expulso e o pênalti marcado para os africanos. Um dos principais jogadores ganenses – Asamoah Gyan – bateu e a bola no travessão foi para fora.
Entrou em campo o imponderável e de um ato antidesportivo, ainda que dentro das regras do futebol – um jogador da linha defender a bola com as mãos – cria-se um herói. Logo após o pênalti perdido, o jogo foi encerrado. Suárez, a caminho dos vestiários, troca o choro compulsivo pela comemoração de um gol que ele não permitiu com “la otra mano de Dios”.
Robustecido pela inimaginável decisão de pênaltis, Uruguai venceu Gana, com direito a mais um gol maravilhosamente nervoso de El Loco Abreu com o seu habitual e irritante sangue frio nas cobranças de penalidade. E como disse Asamoah Gyan para o jornal português “A Bola” sobre o ato de Suárez, “agora é ele o herói do seu país…”.
Coisas que só o futebol tem.
E desde já torço por uma final entre Uruguai e Argentina. Seria fantástico ver a “reprise” da primeira final de uma Copa do Mundo, 80 anos depois.
Abram o olho. 40 anos depois, a Celeste Olímpica está de volta.


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