Arquivar para 2010/julho/21

Greve continua. E baterá recorde na gestão Viana Santos

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Por unanimidade, os Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprovaram a continuidade da greve em Assembleia Geral que aconteceu na tarde desta quarta, dia 21, na Praça João Mendes, centro da Capital. Com a decisão, a greve iniciada em 28 de abril último baterá o recorde de 91 dias ocorrido na greve de 2004. Na próxima Assembleia marcada para a quarta, dia 28 de julho, o movimento completará exatos três meses e atingirá 92 dias de paralisação. É a maior marca na história recente do funcionalismo público do estado de São Paulo.

Parcelamento do desconto dos salários a perder de vista?

Pela manhã, atendendo a um convite feito pelo TJ paulista, representantes de Entidades se reuniram no Palácio da Justiça. A reunião contou com a participação de desembargadores membros das comissões de Orçamento e Salarial do TJ-SP. Foram eles: Samuel Alves de Mello Júnior, Antonio Carlos Malheiros, Fábio Gouvêa e Willian Campos.

O Tribunal não apresentou nada de novo. Foram apenas relatadas as propostas inseridas na peça orçamentária a ser encaminhada para a Assembleia Legislativa, ou seja, um cabedal de promessas já amplamente conhecido e, como já diversas vezes esclarecido, que não dependem do TJ-SP para a aprovação.

O TJ-SP conseguiu ir além nas suas “propostas”. Afirmou que, caso a greve acabasse hoje, poderia reduzir o desconto dos dias de greve de 10 (dez) para 5 (cinco) ou 3 (três) dias por mês.

A categoria rejeitou a “proposta”.

A greve continua! A greve continua!

Iniciada a Assembleia representantes de prédios, parlamentares e líderes de entidades se manifestaram.

O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, afirmou que “nós já cansamos de promessas do TJ-SP. Eles oficiaram às entidades como uma série de itens para o orçamento do ano que vem e eu não tenho dúvidas de que o governador vai cortar o orçamento de novo”. Gozze ainda ironizou a proposta de reduzir o desconto dos dias parados de dez para cinco. “É a proposta Casas Bahia. Você fica pagando o juros da greve durante os próximos quatro anos”.

A decisão não foi outra. A greve continua.

Além da continuidade do movimento foram aprovadas as seguintes propostas:

1. Realização de nova Assembleia Geral na quarta, dia 28 de julho, às 14 horas, na Praça João Mendes. Será a a décima-quarta Assembleia desde 28 de abril;

2. Realização de uma grande Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, assim que voltarem os trabalhos naquela Casa de Leis. O deputado Carlos Giannazi já reservou o espaço. O evento será em 04 de agosto, quarta, às 16:30 horas no Auditório Franco Montoro. É de suma importância a participação de todos. A audiência servirá como instrumento de pressão para a coleta de assinaturas para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário;

3. Realização de ato público em Brasília. Isso deverá ocorrer em agosto por conta do recesso parlamentar e judiciário do mês de julho;

4. Que servidores das cidades criem blogs na Internet para informação do movimento. Já há diversas cidades fazendo isso. Quanto maior a divulgação, melhor para o movimento. Há também grupos na Internet e o uso de redes sociais tem sido crescente para troca de ideias sobre o movimento.

5. Que sejam realizados abaixo assinados com advogados favoráveis ao movimento conforme texto que foi apresentado por um advogado em Assembleia Regional de Santos e que reproduzimos a seguir:

BASTA!!!!

Nós, advogados abaixo assinados, solidários com o pedido de REPOSIÇÃO SALARIAL DOS FUNCIONÁRIOS DO PODER JUDICIÁRIO, EXIGIMOS das autoridades competentes, uma solução imediata para o fim do movimento grevista que já dura mais de 80 (oitenta) dias, que só vem prejudicando a classe dos advogados e, principalmente, a população.

A inércia dos responsáveis diretos que, sem explicações convincentes e documentais, ficam vagando apenas com argumentações de que não há verbas não pode continuar!!!!!

É cediço o montante que o Poder Judiciário arrecada e, portanto, exigimos que seja cobrada do Presidente do Tribunal de Justiça a abertura das planilhas, a fim de demonstrar que as alegações não passam de palavras ao vento!

A situação encontra-se insustentável aos mais fracos: advogados, funcionalismo e, principalmente, a população.

A agressão física, moral e psicológica não é o que se espera de um
TRIBUNAL DE JUSTIÇA!!!!!

Nome                                                                                OAB

GREVE: Confira os vídeos da Assembleia Geral de 21 de julho

José Gozze, presidente da Assetj

Deputado Federal Ivan Valente (PSOL)

Deputado Estadual Carlos Giannazi (PSOL)

Deputado Estadual Roberto Felício (PT)

Deputado Estadual Major Olímpio (PDT)

Vídeos gravados pelo jornalista Sylvio Micelli

Presidente em exercício do TJ-SP oficia às Entidades sobre Orçamento 2011

por Sylvio Micelli / ASSETJ

O presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador Marco César Müller Valente, oficiou a todas as Entidades representativas de Servidores do Judiciário sobre a proposta orçamentária do Órgão para o próximo ano.

Segundo o ofício nº 304/2010 foram colocadas todas as propostas reivindicatórias da categoria e que deram ensejo ao movimento grevista iniciado em 28 de abril último.

Foram incluídos na proposta orçamentária do TJ-SP: o percentual de 20,16%, acrescido da projeção até fevereiro de 2011 (INPC de março de 2010 a fevereiro de 2011); o passivo dos servidores ativos e aposentados (FAMs, férias, licenças-prêmio e outras dívidas do TJ-SP com os servidores); a majoração de todos os auxílios (transporte, alimentação, creche e saúde); a restituição dos valores descontados referentes à greve de 2004; bem como o impacto orçamentário por conta da implantação do Plano de Cargos e Carreiras, instituído pela Lei Complementar nº 1111 de 25 de maio de 2010 e que está vigindo desde 1º de julho último.

Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, tratam-se, apenas, de promessas. “O que está no ofício é bastante representativo. Só que não depende do TJ-SP a aprovação. Se eles combinarem com a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado ficará mais fácil”, ironizou.

Gozze relembra os cortes orçamentários que o TJ-SP tem sofrido nos últimos anos. “Temos visto, ano após ano, que o Tribunal tem tido reduções de quase 50% das verbas de seu orçamento e que nada tem feito politicamente, para reverter esta situação”, lamenta. E completa: “o ofício encaminhado pelo presidente em exercício é, no final das contas, um rol de promessas que, dificilmente o TJ-SP poderá cumprir”.

Os Servidores do Judiciário de São Paulo estão em greve há 85 dias, tendo o movimento iniciado em 28 de abril.

Foto: Breno Siviero

Para cima
12 visitantes online agora
6 visitantes, 6 bots, 0 membros
Máx. de visitantes hoje: 13 às 01:55 pm BRT
Este mês: 39 às 05-01-2012 07:43 am BRT
Este ano: 94 às 01-07-2012 08:36 pm BRST
No total: 111 às 03-18-2011 02:35 am BRT