Os 8 minutos de acréscimo de Grêmio e Caxias e a mudança no regulamento

por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Na última quarta-feira, o segundo tempo de Grêmio e Caxias teve nada mais, nada menos que OITO minutos de acréscimo. Algo que, salvo melhor juízo, jamais vi acontecer, exceto quando ocorrem problemas sérios na partida, o que me parece não ter ocorrido no confronto gaúcho que decidia a Taça Piratini, o que equivale ao primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Durante este acréscimo enorme, o Grêmio empatou a partida. A decisão foi para os pênaltis e o tricolor dos pampas sagrou-se campeão.

Não vou entrar no mérito do resultado do jogo.

Primeiro, porque sei muito pouco sobre o campeonato daquele estado. Numa limitada visão paulista, talvez até preconceituosa, o estadual do Rio Grande do Sul é disputado por Internacional, Grêmio e vice-versa. Vez em quando, muita raramente, ocorre uma “zebra”. Tanto que fiz um levantamento pela Internet (leia-se Wikipedia). Desde 1971, ano que nasceu este “jornalista e nada mais”, o Colorado venceu o Gauchão 21 vezes e o Grêmio, 17. Juventude (1998) e Caxias (2000) foram os únicos que quebraram a hegemonia maniqueísta da disputa sulista.

Segundo, porque nada tenho contra a gloriosa torcida do Grêmio, time por sinal que, na minha humilde opinião, tem o hino mais bonito do País. E o Grêmio por sua brilhante e centenária história, não precisa de nenhuma ajuda para vencer.

Acho, apenas, que houve exagero por parte do senhor Márcio Chagas da Silva e tenho absoluta certeza de que, se o Grêmio tivesse usado do mesmo expediente que a equipe do Caxias, certamente ele não teria dado oito minutos de acréscimo. Isso é próprio da natureza humana: beneficiar o mais forte em detrimento do mais fraco.

Polêmicas à parte, vamos ao que interessa.

Eu venho de um tempo das cavernas, em que a “cera” fazia parte do jogo. O zagueiro atrasava a bola para o goleiro quantas vezes quisesse e a única punição que o time sofria era a vaia da torcida. Basta pegar qualquer “video-tape” (termo também das cavernas) e conferir. Com o tempo a IFAB (*) alterou isso, mas jamais pensou em mexer na questão dos acréscimos e os critérios adotados são subjetivos.

Há, digamos, uma “convenção” no Brasil, seguida por muitos árbitros, que se dá um minuto no primeiro tempo e três no segundo. Na Europa, geralmente, o minuto do primeiro tempo também é padrão e, geralmente são quatro, os minutos da etapa derradeira.

Claro que a IFAB não está nem aí para o assunto, mas isso deveria ser discutido. Os árbitros são obrigados a dar todo o tempo de paralisação de uma partida? Os tempos líquidos dos jogos, não chegam a trinta minutos cada tempo, descontando-se tudo (lateral, tiro de meta, substituições etc). Vamos, por exemplo, adotar uma prática do futebol de salão de cronometrar o último minuto do último período? O que será, enfim, feito? Ou vai continuar dependendo de cada árbitro de acordo com a sua “consciência”?

Fica aí para o debate para vocês.

É possível que o árbitro Márcio Chagas da Silva até esteja correto, mas não me pareceu uma decisão acertada. Ele teve “timing” demais e “feeling” de menos. Não se dá oito minutos de acréscimo numa decisão de campeonato, ainda que seja apenas o primeiro turno. E ele vai entrar para a história do gauchão como o árbitro que só encerrava o jogo até a partida ser empata pelo Grêmio, na visão bem humorada dos colorados.

(*) A International Football Association Board (IFAB), fundada em 1882, é o órgão que regulamenta as regras do futebol. Além de aprovar as leis do esporte, desde a sua fundação, a entidade também elabora regras complementares que se aplicam às partidas de futebol. A maior discussão que a IFAB tem, no momento, é a utilização de tecnologia (chips) para determinar se uma bola ultrapassou ou não, a marca do gol.

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