Arquivar para abril, 2011

Blog do jornalista Sylvio Micelli indicado ao prêmio Top Blog 2011

O blog do jornalista Sylvio Micelli foi indicato ao prêmio Top Blog 2011. A inscrição já foi feita. Em maio começa a votação. Aguardem instruções!

Respeito aos Campeonatos Estaduais!


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada


Paulistinha, Carioquinha, Torneio Rural (Campeonato Mineiro)… Essas e outras pérolas, dignas do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], são proferidas por algumas (poucas) torcidas em relação aos Campeonatos Estaduais que, com sua tradição e história, permanecem ao longo das décadas trazendo disputas importantes e revelando craques que vão fazer fama e fortuna no Brasil e no exterior.

Os que se dizem contrários aos torneios estaduais usam de argumentos esfarrapados: que atrapalha o calendário brasileiro, que não serve e não dá vaga para nada, que é um torneio caça-níqueis ou que serve apenas de vitrine para clubes e jogadores de empresários, além de tantas outras blasfêmias que, na minha visão, não dão a menor justificativa para que os torneios estaduais sejam extintos.

Alguns amigos próximos, chegam a ironizar-me dizendo que eu só valorizo o “Paulistinha”, porque é o único torneio que o Corinthians tem mais títulos, que os demais. Pura bobagem.

Defendo o Campeonato Estadual porque é a disputa do futebol em sua origem. O mesmo serve à Copa do Brasil. É o futebol verdadeiro que entra em campo, do mais forte contra o mais fraco, da zebra, do imponderável, do mágico, do inesquecível. O Campeonato Nacional é a elite. Por isso, acabar com os estaduais, já escrevi e repito, é dar um tiro no peito do moleque que começa a jogar bola de meia hoje e sonha com o campeonato de amanhã.

Futebol, enfim, são estágios a serem seguidos. Não dá para pular. É como se fossem degraus de uma escada, para se chegar ao topo. E não à toa, o Brasil é cinco vezes campeão do mundo.

Elenco a seguir, as críticas de alguns e os motivos pelos quais entendo que os Campeonatos Estaduais são tão importantes quanto os demais torneios. Refiro-me, óbvio, à essência e não às vagas desse ou daquele torneio. Dar vaga para isso ou aquilo, quando analisamos o futebol num nível macro é de somenos importância.


1. O Campeonato Estadual atrapalha o campeonato brasileiro

R.: Atrapalha nada. É uma pré-temporada para a disputa do campeonato nacional. Nos anos 70/80, o calendário era invertido. Acontecia primeiro o campeonato nacional e depois os estaduais. Daí porque se tenha a impressão de que os estaduais eram mais disputados. É meio óbvio. No começo do ano, os clubes iniciam seu preparo. No final do ano estão “na ponta dos cascos”. Temos estaduais inesquecíveis!


2. Na Europa não há Campeonatos Estaduais

R.: É óbvio. Há países na Europa menores que a maioria dos estados brasileiros. O campeonato nacional deles lhes é suficiente. Essa ótica, infelizmente, não serve para o Brasil. O nosso país é continental e precisa de torneios para manter viva a chama do futebol. Quem já assistiu a um jogo da série A-3 ou da B-1 do Campeonato Paulista sabe do que estou falando. Não dá para comparar Brasil com Europa. Somos melhores, justamente, pelo desenvolvimento prévio, por meio dos torneios estaduais. Ou onde será que surgiram: Ronaldo Fenômeno, Ronaldo Gaúcho, Rivaldo, Robinho, Kaká, Diego, Edílson, Edmundo, Neto, Renato Gaúcho, Sócrates, Zico, Cerezzo, Pelé, Garrincha, Newton Santos… Acho melhor eu parar por aqui…


3. O Campeonato Estadual é muito extenso

R.: Isso, infelizmente, varia de estado para estado. Há estados onde, doze clubes na primeira divisão, é muito. Há estados que precisam de um número maior de equipes. No caso do meu estado, acho o modelo de vinte equipes ideal. Mas dividiria em dois grupos de dez, classificando-se os quatro melhores. Seriam quinze finais de semana, ou seja, três meses. Eu acho que o campeonato nacional é muito extenso, quase sete meses, um enduro, que deveria também ser revisto com o retorno do “mata-mata”.


4. Os formatos são indefinidos e injustos

R.: Estude-se o melhor formato que, para mim hoje, pertence ao Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Turno e returno. Campeão da Taça Guanabara contra campeão da Taça Rio. Ganhou os dois turnos, acabou. Ainda assim, o Rio tem problemas. Não concordo, como acontece com o Paulistão deste ano, quartas de final e semifinal decididos num jogo só. Mas regulamento é regulamento. Depois de assinado não adianta reclamar.


5
. Os Estaduais não dão vaga para nada
R.: Nem precisa. Campeonato Estadual é laboratório de jogadores e equipes em formação. Estadual não dá vaga para a Copa do Brasil ou Libertadores ou qualquer coisa. Campeonato Estadual só revela os jogadores que disputarão tudo isso. E isso basta aos estaduais. Ele está acima de qualquer torneio que serve apenas para dar vaga a outro. O Estadual é a base de tudo. E não há pirâmides sem base. Não há campeões mundiais, sulamericanos ou nacionais sem que tenha tido uma base prévia. Aos críticos dos Estaduais lembrem-se de que, quando seu time foi campeão do mundo, aquele elenco que veste o “seu” manto sagrado jogou em muito terrão adquirindo experiência e formatando o caráter de uma equipe e do próprio jogador.


6. Estaduais só servem para clubes de empresários e prefeituras em detrimento das equipes tradicionais

Sim e não. Os estaduais servem de vitrine para todos. Tanto para Neymar, Liédson, Kléber e Lucas, que procuram vôos mais altos, como para os outros jogadores que buscam um lugar ao sol. Repito: é um laboratório. Se as equipes tradicionais são mal geridas, que sejam bem geridas. Quem investe tem retorno. Aqui no estado de São Paulo, por exemplo, o glorioso MAC [Marília Atlético Clube] ficou anos fora da elite. Quando limpou a casa, voltou. O mesmo digo agora com os retornos de XV de Novembro de Piracicaba, Comercial de Ribeirão Preto e Guarani de Campinas. Os dois primeiros estão há anos no limbo e agora voltam. E que voltem fortes porque o Paulistão precisa de vocês. Quanto ao Bugre, nem preciso falar nada. Primeiro e único “caipira” campeão brasileiro de 1978. Particularmente, acho o envolvimento das prefeituras muito importante. Cito os casos de São Caetano e Barueri que, quando investiram, formaram excelentes times e revelaram ótimos jogadores e, quando acharam que era bobagem, amargaram inevitáveis rebaixamentos.


7. Os estaduais são apenas caça-níqueis
R.: Algum torneio visa dar prejuízo ou deixa de caçar um ou mais níqueis? Os estaduais podem dar pouco retorno financeiro aos grandes clubes, mas são a base de todo o resto.


8. O “mata-mata” é injusto. O correto é campeonato por pontos corridos
R.: Cada um tem uma opinião. Campeonato por pontos corridos é mera cópia do modelo europeu que, repito, serve a eles e não a nós. Pode ser o mais justo, mas certamente, é o mais chato e enfadonho. Não condiz com a nossa realidade, e que todo mundo gosta, quando o David derrota o Golias. Time bom, não tem medo. Ganha a fase de classificação e reafirma no “mata-mata”.


9. Quem gosta de Campeonato Estadual é saudosista
Sim. Saudosista e, principalmente, quem tem respeito às tradições e pensa no futebol de uma forma mais ampla. Quem acha que futebol, no Brasil, se resume a Campeonato Brasileiro, para disputar Libertadores, Sulamericana e Mundial, desculpe, tem uma visão restrita do esporte. Matar os estaduais é matar a galinha dos ovos de ouro.


Vida longa e respeito aos estaduais. Deles dependem o sucesso e as conquistas do pentacampeão futebol brasileiro!

Corinthians e Palmeiras: o maior clássico do Brasil e um dos maiores do mundo


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

O sempre importante e histórico jornalista Nélson Rodrigues dizia que “Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada. E aí as multidões despertaram”. Mas costumo completar que todo o clássico tem uma partida preliminar e se Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada, Corinthians e Palmeiras entraram em campo primeiro. Claro, que não se trata de ironia ao mestre. Minha adição serve, apenas e tão somente, para conceder o grau de importância que vejo no clássico Corinthians e Palmeiras, sem nenhum demérito para Flamengo e Fluminense ou quaisquer outros tantos clássicos realizados pelo Brasil.

Os anos se passaram e o Fla-Flu talvez já não tenha o mesmo apelo ou brilho que Nelson via. Outros clássicos ganharam em competitividade como é o caso de Barcelona X Real Madrid ou Internazionale X Milan e tantos outros pelo Brasil e pelo mundo.

O duelo entre Corinthians e Palmeiras, porém, permanece intacto, ao longo de quase 94 anos de história. Em 06 de maio de 1917, ainda como Palestra Itália, o primeiro jogo entre as duas equipes terminou com vitória palestrina por 3 a 0 com três gols do “maledeto” Caetano. Não foi uma vitória qualquer. Duas vezes campeão pela Liga Paulista de Futebol, em 1914 e em 1916, o Corinthians estava invicto havia três anos em 25 jogos. Naquela tarde, no Estádio Palestra Itália, o já campeão Corinthians caiu diante do então novato Palestra, que seria a partir daquele dia seu maior rival na história.

A primeira vitória alvinegra aconteceria em 03 de maio de 1919, também por 3 a 0, com gols de Américo, Garcia e Roverso, em partida disputada no Estádio da Floresta ao lado do rio Tietê, na Capital.

De lá para cá, foram 336 jogos. O Palmeiras tem ligeira vantagem com 120 vitórias contra 115 do Corinthians e ainda tivemos 101 empates. O Verdão marcou 486 vezes e o Timão 448 vezes.

Títulos e competições já foram diversos envolvendo os dois clubes. Corinthians e Palmeiras já decidiram campeonatos estaduais (Campeonato Paulista), regionais (Torneio Rio-São Paulo), nacionais (Campeonato Brasileiro) e vaga para a final de competição continental (Taça Libertadores da América), figurando como a rivalidade brasileira que mais decidiu vagas e campeonatos de grande porte nacionais e internacionais: nenhum outro clássico decidiu tanto como Corinthians e Palmeiras, no Brasil.

O Corinthians foi campeão em oito competições que contaram com o Palestra Itália / Palmeiras como vice-campeão: nos Campeonatos Paulistas de 1922, 1923, 1937, 1939, 1951, 1954, 1995 e 1999. Conquistou títulos em partidas decisivas contra o arquirrival nos Paulistas de 1954 (IV Centenário de São Paulo), 1995 (final) e 1999 (final) e também no Torneio Rio-São Paulo de 1954, quando o Fluminense foi vice-campeão. O Palmeiras foi campeão em nove competições que contaram com o Corinthians como vice-campeão: no Campeonato Brasileiro de 1994, nos Torneios Rio-São Paulo de 1951 e 1993, e nos Campeonatos Paulistas de 1936, 1942, 1947, 1966, 1974 e 1993. Nos Estaduais de 1942, 1947 e de 1966, apesar de o Corinthians ter sido vice-campeão, as partidas decisivas foram realizadas contra São Paulo, Santos e Comercial de Ribeirão Preto, respectivamente.

Nas duas vezes em que se enfrentaram pela Taça Libertadores da América, o Palmeiras eliminou o Corinthians nos pênaltis: em 1999, nas quartas-de-final, e em 2000, nas semifinais. Na primeira disputa, em 1999, o Palmeiras venceu o primeiro jogo por 2 a 0 e o Corinthians venceu o segundo pelo mesmo placar, levando a decisão para os pênaltis, que resultaram em vitória alviverde por 4 a 2 (que futuramente seria campeão da competição). Na Libertadores de 2000, o Corinthians venceu o primeiro jogo por 4 a 3 e o Palmeiras venceu o segundo por 3 a 2, levando a decisão para os pênaltis. Ao final, a equipe alviverde bateu o Corinthians por 5 a 4. Neste jogo, os maiores jogadores de cada equipe, Marcos – goleiro do Palmeiras e Marcelinho Carioca – meia-atacante do Corinthians se enfrentaram. O goleiro defendeu o pênalti do corinthiano e o Palmeiras se classificou à final, quando seria derrotado pelo Boca Juniors.


Por que Derby?

Foi o jornalista Thomaz Mazzoni, um dos maiores profissionais da história de “A Gazeta Esportiva” quem batizou a rivalidade como “O Derby”, em referência à mais importante corrida de cavalo do mundo, o Epson Derby, corrida realizada na Inglaterra, desde o séc. XVIII.

O duelo é considerado uma das maiores rivalidades no futebol mundial: a CNN considera-o o nono maior clássico do mundo e o único do Brasil a figurar entre as principais rivalidades mundiais. Já o site especializado Football Derbies colocou o Derby Paulista como até a 4ª maior rivalidade do mundo (e primeira brasileira), hoje figurando como 8ª em seu ranking mundial.

A rivalidade entre torcedores dos dois clubes também é a maior entre as grandes torcidas do estado de São Paulo. Pesquisa recente do Datafolha apontou que 59% dos corintianos consideram o Palmeiras como maior rival. Para 77% dos torcedores palmeirenses, o maior rival é o Corinthians.


Mais um confronto

Garanto que os corações, de ambos os lados, já palpitam mais forte. Neste domingo, Corinthians e Palmeiras entram em campo no “Monumental” do Pacaembu para decidir uma vaga nas finais do Campeonato Paulista 2011. O adversário – São Paulo ou Santos – com todo o respeito, pouco importa. Trata-se de uma “final” antecipada e será num jogo só. Perdeu está fora. Empate leva a decisão aos pênaltis. O Palmeiras tem melhor campanha e, mesmo jogando no Pacaembu, para muitos a casa do Corinthians, terá vantagem no número de torcedores o que gerou uma discussão ao longo dessa semana sobre um “acordo de cavalheiros” que teria sido quebrado, pois o Palmeiras cedeu apenas 5% dos ingressos ao adversário. O correto seria 10%.


No Campeonato Paulista deste ano, lá na sétima rodada, o Palmeiras foi melhor, teve mais oportunidades de gols; Julio Cesar, arqueiro corinthiano, operou alguns milagres e o Timão venceu, no final do jogo, por 1 a 0 com gol de Alessandro, talvez nosso mais aguerrido jogador, que compensa a falta de técnica com muita raça.


De olho no apito

O árbitro Fifa Paulo César de Oliveira vai atuar no duelo do Timão contra o Palmeiras neste domingo, o que já trouxe, também, muitas discussões. Ele será auxiliado por Vicente Romano Neto e Alex Alexandrino. O quarto árbitro será Welton Orlando Wohnrath. Os árbitros assistentes serão Cleber Wellington Abade e Antonio Rogério Batista do Prado.

Amanhã, certamente, será mais uma página na história do maior clássico do Brasil. E que vença o melhor.

E que esse melhor seja o Corinthians.

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