É mesmo a Copa Libertadores tudo isso?

por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Uma das maiores frustrações dos corinthianos e motivo de chacota de seus adversários, é o fato de o alvinegro do Parque São Jorge nunca ter conquistado o título sulamericano. Esta ausência, para os nossos adversários, ainda coloca em cheque a conquista do 1º Mundial de Clubes organizado pela Fifa e vencido pelo Corinthians em 2000. Isso, obviamente, é uma bobagem. Nas regras do Mundial de 2000 não existia a condição de ser campeão da Libertadores para a disputa. Além disso, o Corinthians foi convidado por ser uma das equipes mais importantes do País e, por “mera coincidência” era bicampeão brasileiro 1998/1999. O Timão ganhou o Mundial no mais importante estádio do mundo – o Maracanã – e no país do futebol. Então, para mim é risível essas piadinhas tolas de que o Corinthians não tem passaporte. Ganhou e pronto e tudo que nossos adversários falarem é blá blá blá e zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Voltemos à Libertadores. O torneio sulamericano, ainda com a aberração da participação de equipes mexicanas (por causa de grana), é uma competição absolutamente normal. O Corinthians não ganhou, simplesmente, porque não se preparou como deveria, como aconteceu com o episódio Tolima em 2011, quando claramente subestimou seu adversário e quando se preparou perdeu por circunstâncias do futebol como aconteceu contra o Palmeiras em 1999 e 2000 e contra o Flamengo no ano passado, apenas para citar alguns exemplos.

Nossos adversários que conquistaram o título sulamericano e não quero entrar aqui no mérito das conquistas (uns mereceram, outros nem tanto, outros venceram numa outra época), tem por mania engrandecer a Copa Santander Libertadores e compará-la ao nível da UEFA Champions League. Não! Não é. A Libertadores é, digamos, uma Copa do Brasil melhorada com clubes argentinos, uruguaios que vivem do passado e uma ou outra zebra.

A Libertadores, numa análise baseada em números é um torneio que envolve clubes brasileiros e argentinos fortes e, com exceção de uma ou outra equipe que passa por uma boa fase naquele determinado ano, reúne uma mulambada de dar dó. Com o devido respeito a todos os torcedores envolvidos, não há grandes diferenças, por exemplo, entre Jorge Wilstermann (BOL) ou Naviraiense (MS). Como também, exceto pela pegação de pé, não há diferenças entre o Palmeiras ser eliminado pelo ASA de Arapiraca na Copa do Brasil e o Corinthians ser derrotado pelo Tolima, ou o São Paulo perder uma final de Libertadores para o limitado Vélez Sársfield em pleno Morumbi.

Senão, vejamos: em 51 anos de Liberadores (o torneio começou em 1960), Argentina (22) e Brasil (14), ganharam a maioria absoluta de títulos. O Uruguai (8), com Peñarol e Nacional, vive do passado e há mais de 20 anos não ganha o torneio. Paraguai, Colômbia, Chile e Equador conquistaram, juntos, 7 títulos. Peru, Bolívia, Venezuela e México jamais venceram.

Então, amigos, nada de comparar o incomparável. É que tem clube brasileiro com mania de grandeza, acha que está na Europa, pensa que está lá e depois de uma crise de identidade percebe que é um time brasileiro, com todo o respeito e força que só o futebol brasileiro tem.

Champions League é outra história. São coisas absolutamente incompatíveis e é preciso parar com essa mania de comparar o futebol brasileiro ou sulamericano ao europeu. Lá, a realidade é diversa da que vivemos por aqui e ponto final. A única semelhança é que ambas as competições – Libertadores e Champions League – classificam para o Mundial da Fifa que, ainda bem, a partir do Corinthians passou a ser um torneio efetivamente mundial, substituindo aquela mísera partida que se realizava entre europeus e sulamericanos para definir o campeão “do mundo” e que na verdade era apenas a Copa Intercontinental. Obviamente, que há ainda o domínio de europeus e sulamericanos na disputa do mundial, mas o episódio Mazembe, clube africano que despachou o Internacional de Porto Alegre, ano passado, e fez a final contra a Internazionale de Milão, promete não ser algo isolado.

Piadas com o Corinthians todos fazem. Durante algum tempo, nos chamávamos de regionais. Em duas décadas, o Timão conquistou sete títulos nacionais, além de uma histórica performance na série B do Brasileiro. Um dia, se tiver que ser, o Corinthians vencerá a Libertadores e aí, todos aprenderão o que é Carnaval no meio do ano.

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1 Response

  1. 6 de janeiro de 2012

    […] Terceiro porque o seu Adenor quer se firmar como um técnico de primeira linha no futebol brasileiro e ele sabe que a chave disso está no título sulamericano, mesma taça tão perseguida pelo Corinthians, ainda que eu, pessoalmente, veja a Libertadores como um torneio normal. […]

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