PSD: um partido – historicamente – sem definição


por Sylvio Micelli

Na semana passada, com (pouca) pompa e (nenhuma) circunstância, nossa imberbe democracia de algibeira viu nascer mais um partido políco: o Partido Social Democrático (PSD). Na verdade não é um nascimento e, sim, um renascimento de uma sigla antiga, sempre de mãos dadas com o poder.

O primeiro PSD foi criado em 1945 e durou por vinte anos, quando a ditadura militar, pelo Ato Institucional nº 2, instituiu o bipartidarismo. Seu surgimento teve as bençãos de Getúlio Vargas e reuniu antigos interventores do governo federal, como Benedito Valadares em Minas Gerais, Fernando de Sousa Costa em São Paulo, Ernâni do Amaral Peixoto no Rio de Janeiro e Agamenon Magalhães em Pernambuco. Este PSD, ao lado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), formava o bloco governista da política tupiniquim à época, em oposição à União Democrática Nacional (UDN), antigetulista. Durante sua existência, foi o partido majoritário na Câmara dos Deputados, tendo eleito dois presidentes da República: Eurico Gaspar Dutra, em 1945, e Juscelino Kubitschek de Oliveira, dez anos depois.

Após o AI nº 2, seus membros se dividiram: uns foram para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), único partido de “oposição” à ditadura permitido após o bipartidarismo e outros permaneceram ligados ao governo de plantão ingressando na Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que apoiava o regime instalado em 1964.

O PSD voltou do limbo nos anos 80, quando o pluripartidarismo foi revitalizado no Brasil mas, associando-se à bancada ruralista, não obteve o mesmo sucesso de antes. Em 2003, o PSD foi incorporado ao PTB.

O “neo”-PSD

Agora em 2011, por articulação feita fundamentalmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD volta à ribalta política. Kassab, eleito para gerir a maior cidade do Brasil, até agora não governou. Pouco fez em 2009, esteve envolvido nas campanhas do ano passado e articulou a criação deste “novo” partido. O caos urbano é plenamente visível em São Paulo que está abandonada.

Assim como no passado, o PSD volta tão fisiologista como sempre, a unir políticos filiados ao quase findo Democratas (DEM), ao minúsculo Partido Progressista (PP), entre outros. Pelo que li e vi, tais políticos almejam uma tal de “liberdade de escolha” política.

É mais ou menos assim: eu tenho um celular de quatro chips, porque eu quero aproveitar o que de melhor cada operadora de telefonia celular pode oferecer.

O PSD renasce com dois ou mais chips. Ele pode se articular com Geraldo Alckmin em São Paulo e, porquê não, com Dilma Rousseff em âmbito nacional.

Diante da necessidade urgente de uma reforma efetivamente política, o Brasil não precisava de mais uma sigla político-partidária sem razão para existir e vazia de ideologia.

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