Itamar Franco: o melhor presidente pós regime militar

O baiano Itamar Augusto Cautiero Franco, que fez carreira política em Minas Gerais, faleceu hoje em São Paulo quatro dias após completar 81 anos. Internado há pouco mais de um mês, lutou até o fim contra uma leucemia.

Longe de discutir questões político-partidárias e passando os olhos pela política tupiniquim nas últimas três décadas afirmo, sem hesitar, que Itamar Franco foi o melhor presidente do Brasil após o regime militar.

Ele foi o 33º mandatário da República, cargo que ocupou por apenas dois anos, entre 29 de dezembro de 1992 e 1º de janeiro de 1995. Mas foram dois anos fundamentais na consolidação da democracia nacional após a queda do regime militar em 1985.

Com seu inconfundível topete, de fala mansa e demonstrando sempre tranquilidade, além de gostar de boas companhias femininas, Itamar assumiu o País durante um dos maiores escândalos de sua história que culminou com o impeachment de Fernando Collor de Mello.

E, como bom mineiro de criação, foi gerindo quase uma massa falida mergulhada numa crise hiperinflacionária e contando com o descrédito do povo brasileiro que em 1989 tinha ido às urnas escolher o primeiro presidente civil depois de quase 30 anos.

Sua gestão foi curta, mas nela foram estabelecidas as bases para o lançamento do Plano Real, que em 1994 conseguiu debelar a hiperinflação que havia sido submetida a uma série de infrutíferos planos econômicos desde o Cruzado (1986) de José Sarney.

Foi na gestão de Itamar que se realizou o plebiscito constitucional (1993), quando o brasileiro votou que o regime do País deveria ser presidencialista.

Itamar Franco ainda elegeria o seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso, com o qual romperia algum tempo depois por divergências sobre as questões econômicas do Brasil.

Além de presidente, foi senador por quatro mandatos por Minas Gerais, governador do mesmo estado e prefeito de Juiz de Fora. Foi defensor da campanha “Diretas, Já!” e votou em Tancredo Neves, na eleição indireta para a presidência da República em 1985.

A gestão de Itamar passou longe dos escândalos de corrupção e ainda, por sorte, foi marcada pela conquista do tetracampeonato mundial de futebol pelo Brasil.

Não se fez justiça a Itamar em vida. Mas os livros de história hão de reconhecer o seu valor.

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