Sartori representará o novo ou cairá na mesmice de seus antecessores?

A eleição de Ivan Sartori para a presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo pode ser o prenúncio de novos ventos no maior Judiciário do País. Ele é novo, em relação aos seus antecessores, sempre se mostrou um democrata nas suas posições firmemente defendidas e agiu com transparência até criando um canal de comunicação com a sociedade por meio de um blog na Internet.

Sartori é, a grosso modo, a quebra do paradigma. Representa o novo, em detrimento do velho, daquele Tribunal cheirando a mofo, encarcerado no séc. XIX, que todos já amplamente conhecemos.

Sua eleição, portanto, poderia ser comemorada por nós, servidores, até pela sua manifestação em defesa da categoria, na primeira entrevista dada após o resultado.

A ASSETJ já teve a oportunidade de contar com o apoio do novo presidente, quando nossa Entidade, em 2007, impetrou um mandado de segurança para obrigar que o TJ/SP colocasse na peça orçamentária tudo o que era devido aos servidores. De lá para cá pouco recebemos, é verdade, mas ao menos o TJ/SP jamais deixou de postular em seus orçamentos, desde então, tudo o que nos é devido. Ao menos, o Poder Executivo sabe das reais necessidades do Judiciário paulista e acaba se submetendo ao constante desgate político, quando corta esse orçamento.

A questão a conferir é saber se Sartori quebrará os paradigmas que ele representa. É saber se ele vai querer e se ele vai poder colocar o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no “rumo certo” como afirmou em seu discurso, instantes depois de sua eleição.

O presidente recém eleito sabe que as dificuldades são muitas. Tem sob o seu comando um Judiciário enorme com problemas estruturais diversos e com a auto-estima em baixa.

São mais de 20 milhões de processos, faltam juízes em primeira instância e, principalmente, faltam servidores.

Dos funcionários existentes, muitos estão desvalorizados, doentes, trabalhando em condições inadequadas e sem nenhuma perspectiva. Temos aqui no TJ/SP, sérios problemas com dependentes químicos e do álcool, suicidas em potencial e pessoas entregues ao ciclo vicioso em que seu transformou o local que deveria ser o berço da Justiça. Uma parcela ainda arruma forças para tentar outros concursos e sair daqui. O TJ paulista virou sinônimo de Via Crucis para todos.

Então, este é o cenário dantesco que Ivan Sartori assume em 1º de Janeiro. Resta saber se ele fará o que dele se espera e se o Órgão Especial deixará que ele faça o que deve ser feito.

EDITORIAL PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 139 DO JORNAL ASSETJ NOTÍCIAS – DEZEMBRO/2011

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