Archive for the ‘Jornalismo e nada mais’ Category

Greve continua. E baterá recorde na gestão Viana Santos

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Por unanimidade, os Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprovaram a continuidade da greve em Assembleia Geral que aconteceu na tarde desta quarta, dia 21, na Praça João Mendes, centro da Capital. Com a decisão, a greve iniciada em 28 de abril último baterá o recorde de 91 dias ocorrido na greve de 2004. Na próxima Assembleia marcada para a quarta, dia 28 de julho, o movimento completará exatos três meses e atingirá 92 dias de paralisação. É a maior marca na história recente do funcionalismo público do estado de São Paulo.

Parcelamento do desconto dos salários a perder de vista?

Pela manhã, atendendo a um convite feito pelo TJ paulista, representantes de Entidades se reuniram no Palácio da Justiça. A reunião contou com a participação de desembargadores membros das comissões de Orçamento e Salarial do TJ-SP. Foram eles: Samuel Alves de Mello Júnior, Antonio Carlos Malheiros, Fábio Gouvêa e Willian Campos.

O Tribunal não apresentou nada de novo. Foram apenas relatadas as propostas inseridas na peça orçamentária a ser encaminhada para a Assembleia Legislativa, ou seja, um cabedal de promessas já amplamente conhecido e, como já diversas vezes esclarecido, que não dependem do TJ-SP para a aprovação.

O TJ-SP conseguiu ir além nas suas “propostas”. Afirmou que, caso a greve acabasse hoje, poderia reduzir o desconto dos dias de greve de 10 (dez) para 5 (cinco) ou 3 (três) dias por mês.

A categoria rejeitou a “proposta”.

A greve continua! A greve continua!

Iniciada a Assembleia representantes de prédios, parlamentares e líderes de entidades se manifestaram.

O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, afirmou que “nós já cansamos de promessas do TJ-SP. Eles oficiaram às entidades como uma série de itens para o orçamento do ano que vem e eu não tenho dúvidas de que o governador vai cortar o orçamento de novo”. Gozze ainda ironizou a proposta de reduzir o desconto dos dias parados de dez para cinco. “É a proposta Casas Bahia. Você fica pagando o juros da greve durante os próximos quatro anos”.

A decisão não foi outra. A greve continua.

Além da continuidade do movimento foram aprovadas as seguintes propostas:

1. Realização de nova Assembleia Geral na quarta, dia 28 de julho, às 14 horas, na Praça João Mendes. Será a a décima-quarta Assembleia desde 28 de abril;

2. Realização de uma grande Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, assim que voltarem os trabalhos naquela Casa de Leis. O deputado Carlos Giannazi já reservou o espaço. O evento será em 04 de agosto, quarta, às 16:30 horas no Auditório Franco Montoro. É de suma importância a participação de todos. A audiência servirá como instrumento de pressão para a coleta de assinaturas para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário;

3. Realização de ato público em Brasília. Isso deverá ocorrer em agosto por conta do recesso parlamentar e judiciário do mês de julho;

4. Que servidores das cidades criem blogs na Internet para informação do movimento. Já há diversas cidades fazendo isso. Quanto maior a divulgação, melhor para o movimento. Há também grupos na Internet e o uso de redes sociais tem sido crescente para troca de ideias sobre o movimento.

5. Que sejam realizados abaixo assinados com advogados favoráveis ao movimento conforme texto que foi apresentado por um advogado em Assembleia Regional de Santos e que reproduzimos a seguir:

BASTA!!!!

Nós, advogados abaixo assinados, solidários com o pedido de REPOSIÇÃO SALARIAL DOS FUNCIONÁRIOS DO PODER JUDICIÁRIO, EXIGIMOS das autoridades competentes, uma solução imediata para o fim do movimento grevista que já dura mais de 80 (oitenta) dias, que só vem prejudicando a classe dos advogados e, principalmente, a população.

A inércia dos responsáveis diretos que, sem explicações convincentes e documentais, ficam vagando apenas com argumentações de que não há verbas não pode continuar!!!!!

É cediço o montante que o Poder Judiciário arrecada e, portanto, exigimos que seja cobrada do Presidente do Tribunal de Justiça a abertura das planilhas, a fim de demonstrar que as alegações não passam de palavras ao vento!

A situação encontra-se insustentável aos mais fracos: advogados, funcionalismo e, principalmente, a população.

A agressão física, moral e psicológica não é o que se espera de um
TRIBUNAL DE JUSTIÇA!!!!!

Nome                                                                                OAB

Opinião de Sylvio Micelli sobre “Caso Bruno” é publicado no Observatório da Imprensa

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou o artigo “O machismo na cobertura de crimes passionais” do jornalista Sylvio Micelli.

No artigo, Micelli opina mais sobre a mídia na cobertura do caso, do que o caso propriamente dito.

Para publicação no site do OI o artigo teve intertítulos colocados pela edição. Está publicado na seção “Jornal de Debates”.


O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

Nascido como site na web, em maio de 1998 o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão (confira a grade horária no site do programa).

Em maio de 2005, o Observatório da Imprensa chegou ao rádio, com um programa diário transmitido pela rádio Cultura FM de São Paulo, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro, e rádios Nacional AM e FM de Brasília. Os áudios dos programas, na forma de um blog, estão disponíveis no site do OI.

Leia o artigo no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo no blog do jornalista Sylvio Micelli

O machismo na cobertura de crimes passionais

por Sylvio Micelli

A mídia – sempre ela – mais uma vez está em palpos de aranha diante da cobertura de dois crimes passionais ou que ao menos imaginemos que sejam passionais. E a visão machista acaba por permear o noticiário. Eliza Samudio e Mércia Nakashima pagaram com a vida por crimes que não se justificam. Se é que algum crime, ainda mais de morte, pode ser justificado. Mais do que pagar com a vida, elas pagam com a reputação pelo simples fato de serem mulheres.

Vamos caso a caso.

Eliza Samudio foi, no início do caso, totalmente desqualificada pela mídia. Primeiro pela “grife” de amante do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, bom jogador do Flamengo, um dos clubes mais importantes do País. O termo amante, ainda que hipocritamente acreditemos viver numa sociedade aberta, é um mero eufemismo para vagabunda. Depois descobriram que ela teria feito filmes pornográficos e que o goleiro a teria conhecido numa “orgia”. Ou seja: sob a ótica de parte da mídia, o que se entregava para a sociedade é que ela era uma puta, uma “maria chuteira” qualquer e que sua morte aconteceu porque ela “procurou”. Alguns dias atrás o noticiário era bem esse. A partir do momento que o crime foi sendo desvendado, principalmente pelos requintes de crueldade, pela quantidade de pessoas envolvidas e pela sua quase clara premeditação, Elisa passou a figurar como vítima.

Longe de mim entrar no mérito do que ocorreu, até porque odeio mundo-cão e esta cobertura que boa parte da imprensa faz é nojenta. Com a esfarrapada desculpa de “esclarecer os fatos” revira-se os ossos de uma sociedade apodrecida para que seja dada a ela mais sangue e se possível muitas cabeças na bandeja para o orgasmo das “salomés” de plantão.

A mim parece-me que, tanto ela quanto Bruno, vieram de famílias problemáticas. Ela tentou o seu lugar ao sol. Ele conquistou o seu lugar ao sol e, possivelmente, jogou tudo para o alto cercado por péssimas companhias. E aqui ressalte-se que os clubes de futebol no Brasil “usam” os jogadores, mas não lhes dão nenhum suporte psicológico diante da grana fácil e dos pseudo-amigos que aparecem. A ambos, enfim, faltou os fortes esteios de família, coisa que a sociedade já não sabe muito bem o que é. Ainda que esta moça não tivesse um comportamento adequado aos padrões que se acredita correto, não cabe nem a mim nem a ninguém julgá-la e como já afirmei, NADA justifica sua morte.

O fato de Bruno ter vindo de camadas pobres da população também não justifica o crime. Trata-se de mais um preconceito tosco. Já tivemos pai de classe média alta jogando a filha pela janela, filha de classe alta mandando matar os pais e até jornalista de grande veículo matando a namorada.

Sobrou um bebê na história, mas poucos dão a devida importância. Em breve, sua guarda será “leiloada” na Justiça e padeço em imaginar quão sofrida será esta criança.

Mércia Nakashima é um caso um pouco diferente. Ela era uma “moça de família” conforme imagina a tal da opinião pública, essa massa amorfa que vai para lá ou para cá de acordo com os diversos interesses. Vem de uma família, em tese, bem estruturada, era advogada, ou seja, nada poderia ter acontecido com ela. Exceto pelo fato de seu ex-namorado, Mizael Bispo de Souza, não ter se conformado com o fim do relacionamento e, possivelmente, até pelo fato de ser ex-policial e ter fácil acesso a uma arma, ter resolvido matá-la.

Ainda assim, o noticiário é machista ma non troppo. Ouvi outro dia numa rádio que Mizael acreditava estar sendo traído e que “precisava limpar sua honra”. Leia-se, subliminarmente, que ela é culpada e que merecia morrer. Aqui volto à mesma retórica. Ainda que ela tivesse traído o namorado, NADA justifica sua morte.

A cobertura da imprensa já vem rançosa. Os fatos acontecem e deveriam ser analisados dentro do contexto do fato em si, sem outras adjetivações. Passou da hora de a mídia rever seus conceitos.

Os crimes ainda renderão muitas páginas impressas e eletrônicas. Outras coisas medonhas acontecerão. E depois tudo será esquecido quando os holofotes forem desligados.

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Sylvio Micelli

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