Category: Corinthianadas

Há algo de podre no reino do Parque São Jorge 1

Há algo de podre no reino do Parque São Jorge

por Sylvio Micelli

Há verdades não reveladas na saída de Adilson Batista do comando técnico do Corinthians após a esdrúxula derrota de 4 a 3 para o fraco time do Atlético de Goiás em pleno Pacaembu.

Nem o treinador, nem o vice-presidente de futebol Mário Gobbi, muito menos o presidente Andrés Sanchez contaram a verdade dos bastidores que ensejaram a demissão do técnico. Há muito palpite na história. Nem mesmo é possível constatar se Adilson pediu para sair ou se foi guilhotinado diante da pressão da torcida. E devo registrar aqui que sou totalmente contra essa coisa de torcida organizada “conversar” com técnico, atleta e presidente. Essa aberração precisa acabar, para o bem do futebol.

Particularmente, sempre achei Adilson Batista fraco. A mídia esportiva quer conferir a ele, um grau de importância que ele ainda não tem. Há uma diferença abissal entre treinar o Cruzeiro, com todo o respeito aos amigos mineiros, e estar a frente de Corinthians, Flamengo, Palmeiras ou Grêmio (nessa ordem).

A campanha de Batista não ultrapassou a marca de 49% de aproveitamento. Foram sete vitórias, quatro empates e seis derrotas em dezessete jogos. Paradoxalmente, ele venceu adversários fortes – caso de Santos e Fluminense que foram derrotados tendo o Corinthians como visitante – e caiu diante de equipes que lutam contra o rebaixamento.

Ele não conseguiu dar um padrão de jogo e contou ainda com um elenco limitado sem boas peças de reposição diante das contusões típicas de final de campeonato.

Há ainda coisas inexplicáveis dentro do Corinthians. Quando e se o Ronaldo volta? Por que o Dentinho, depois de tanto tempo afastado, ainda não tem condições de jogo?

Desnecessário dizer, também, sobre jogadores que não tem condições de vestir a camisa do Corinthians, tais como Thiago Heleno, Moacir e até mesmo Iarley que joga duas partidas e descansa as demais.

Claro que nada ainda está perdido. O time tem plenas condições de obter a classificação para a Liberadores – 2011 e até o título, ainda que distante, pode vir pois o Corinthians tem um jogo a menos que os demais e tem um importante confronto direto contra o Cruzeiro. Mas o tempo de perder já passou.

Não sei quem virá para completar o campeonato. Torço por Carlos Alberto Parreira. É pragmático, chato, retranqueiro, mas… vencedor. E é isso que o time precisa.

Corinthians – 100 anos: “Ser corinthiano é ir além” 3

Corinthians – 100 anos: “Ser corinthiano é ir além”

por Sylvio Micelli

Não tenho a intenção de contar aqui a história do Sport Club Corinthians Paulista. Falta-me competência para tanto. Sou apenas um torcedor desta nação, religião, clube, sociedade, enfim. Sou mais um, em meio a tantos e tantos milhões.

Minha ascendência italiana sempre rendeu-me perguntas do porquê de torcer pelo Corinthians. Era mais ou menos óbvio, no imaginário das pessoas, que eu fosse torcedor do Palmeiras.

Conto-lhes, enfim, o porquê.

Nasci e fui criado no Jaçanã, um bairro de classe média pobre (se é que ainda existe este patamar econômico), no extremo norte da cidade de São Paulo. O bairro, famoso graças ao “hino” do Adoniran Barbosa, era composto por gente simples, batalhadora, trabalhadora que demorava, nos antigos ônibus da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), cerca de duas horas para chegar ao centro da cidade. Lembro-me, aliás, que era comum falarmos em “ir à Cidade”, quando referências eram feitas ao centro da Capital. O metrô mais perto, à época, era a recém-inaugurada estação de Santana.

Lá não existia muito lazer, situação por sinal que, infelizmente, pouco foi alterada mesmo depois de quase 40 anos. A diversão da molecada era jogar bola, taco (bets) e quando alguém tinha um troco a mais, improvisávamos uma rede de voleibol no meio da rua presa aos portões das casas.

A rua aonde morava – a Ubaporanga – era uma espécie de rua corinthiana. Lá não existia outro clube, exceção feita ao Guapira. Parecia torneio de um time só. E em meados dos anos 70, todos os finais de semana, a rua recebia retoques de tintas branca e preta. Vejam que não era uma pintura em época de Copa do Mundo. Era uma pintura para ouvirmos, vejam bem, ouvirmos o Corinthians no final de semana. Que a molecada saiba que naquela época, pouco se transmitia jogos na TV.

Aos domingos pela manhã, o cheiro de macarronada com frango dominava a rua. Eu ía na padaria da esquina comprar uma garrafa de guaraná caçulinha, que rendia o dia todo.

Pontualmente, dez minutos antes de começar o jogo, todos – sem exagero – todos ligavam o rádio na Bandeirantes para ouvir o locutor da torcida brasileira, Fiori Gigliotti. Sua narração declamada e metafórica com os bordões “abrem-se as cortinas e começa o jogo” ou “crepúúúússssculo de jogo, torcida brasileira” ecoavam como se o Pacaembu ou Morumbi ficassem na porta de casa.

Os gols eram comemorados com uma paixão incomensurável. Ao final do jogo, os rádios íam sendo desligados e nossa rua se recolhia porque na segunda era dia de trampo.

E foi assim ao longo de muitos anos.

Na zona abissal de minha memória lembro-me de vizinhos indo para a “invasão do Maracanã” em 1976.

Mas o ano seguinte – 1977 -, a narração do gol do Basílio ainda ecoa no meu cérebro. Já era fanático. Ouvi o Fiori Gigliotti, o José Silvério e o Osmar Santos. E ouvi, ouvi, ouvi milhões de outras vezes. E vi, vi, vi, vivi e revivi outras centenas de vezes. E quando revejo, meu coração se aperta. Sempre tenho a sensação de que aquela maldita bola não vai entrar, mesmo já sabendo o resultado.

O primeiro jogo que assisti em estádio foi no dia 08 de julho de 1979 no Estádio Municipal Doutor Paulo Machado de Carvalho, conhecido mundialmente como Pacaembu. Uma vitória tranquila por 2 a 0 contra o Marília com gols de Geraldão e Sócrates que, por sinal, foram os artilheiros da equipe daquele campeonato que teve o Corinthians como campeão.

Depois desse, muitos outros jogos vieram. Já perdi a conta. Já vi o Corinthians em diversas regiões e estádios, jogos antológicos, ruins, alegres ou tristes. Mas o cantor e compositor Toquinho já nos ensinou:

“Ser corinthiano é ir além
De ser ou não ser o primeiro.
Ser corinthiano é ser também
Um pouco mais brasileiro.”

Para montar uma seleção do Corinthians, a minha ideal é a seguinte: Ronaldo; Zé Maria, Domingos da Guia, Gamarra e Wladimir; Luizinho, Sócrates e Rivelino; Cláudio, Baltazar e Marcelinho Carioca.

Não dá para expressar a paixão em poucas palavras e ainda que eu usasse todos os vocábulos do mundo, eles seriam poucos para descrevê-la.

Também não adianta tentar explicar aos outros. Como disse a nossa querida Hortência Marcari, maior jogadora do basquete nacional e corinthiana fanática (pleonasmo!!!!) no filme “23 anos em 7 segundos”: “não adianta querer explicar. Quem é corinthiano sabe o que estou falando. E quem não é, nunca vai entender”.

Respeito verdadeiramente os outros times. Claro que brinco com meus amigos, por vezes irrito-me, mas não tinha jeito. Estava escrito. Mesmo sendo descendente de italianos eu tinha de ser a ovelha negra. Ou melhor: alvinegra. Sou povo. Sou Timão. E com muita honra: corinthiano, maloqueiro e sofredor.

Graças a Deus!

O estádio do Corinthians, a inveja alheia e o investimento público 4

O estádio do Corinthians, a inveja alheia e o investimento público

por Sylvio Micelli (*)

Na semana de seu centenário, o Corinthians anunciou o projeto de um novo estádio e o governo e a prefeitura acenaram com a possibilidade de que este estádio venha a sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Isso levantou várias discussões e a ira de torcedores de outros clubes. As análises são feitas, no geral, de forma irracional. Os textos e manifestações que li são escritas por torcedores de outros clubes cuja paixão futebolística não permite a reflexão e a importância do projeto para a cidade de São Paulo.

A paixão do torcedor é plenamente explicável. Sou corinthiano e sei como é. Mas daí a criticar projetos dos clubes é uma bobagem e um desserviço à cidade. Eu não sou contra a Arena do Palmeiras. Também não sou contra o Estádio do São Paulo. Gostaria que a Portuguesa tivesse uma estrutura ainda melhor, diante da excelente localização do Canindé e que o “Monumental” da Rua Javari, estádio do nosso amado Juventus, ao menos tivesse iluminação que possibilitasse jogos noturnos. Também não discordo de que o Santos deveria ter um estádio digno de sua história. Enfim, acho uma tremenda bobagem, críticas enlouquecidades. Ao detonar o estádio do time alheio, dá-se um tiro no pé.

O novo estádio do Corinthians deve ficar em Itaquera, zona leste de São Paulo. Digo novo porque os detratores do Corinthians se esquecem, propositadamente, do estádio Alfredo Schürig, nossa popular “Fazendinha” que, se acanhada hoje, já abrigou muitos jogos no passado. É óbvio que a “Fazendinha” não tem suporte para os nossos milhares de torcedores e também é verdadeiro que, histórica e lamentavelmente, o Corinthians sempre foi muito mal administrado. Do contrário, pela grandeza de sua torcida, o time já teria estádio há muito tempo e, sem nenhum exagero poderia estar entre os clubes mais rentáveis do planeta.

O projeto de um estádio no bairro de Itaquera também não é novo. Tanto, que a estação de metrô que lá se instalou há mais de duas décadas, leva o nome de Corinthians-Itaquera. Depois, por inveja alheia e proselitismo eleitoral, nossos digníssimos vereadores resolveram colocar nomes de clubes de futebol em diversas estações. Tem até clube que nem é da cidade, mas recebeu o nome de uma estação próxima à rodovia que leva à cidade. Original, porém, só a que leva o nome do Corinthians.

Investimento público e promiscuidade

Li muitas críticas dizendo que há uma relação “promíscua” de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians; Ricardo Teixeira, presidente da CBF e dos políticos em geral. Seria muito inocente da minha parte desacreditar que não haja um forte lobby para tal finalidade. Entretanto, tem muito clube aí se comportando como noiva virgem e que se esquece da história de seus estádios.

O Parque Antarctica, por exemplo, foi construído pela Companhia Antarctica Paulista para o seus funcionários no final do século XIX. Entre idas e vindas, problemas com o Germânia à época da Primeira Grande Guerra e dificuldades financeiras, o Palestra Itália (com o apoio da Companhia Matarazzo) efetuou, em 1920, a compra do campo de futebol e de grande parte do terreno do Parque Antarctica, pelo valor total de 500 contos de réis (uma ninharia hoje que não chega a 1 milhão de reais), sendo 250 contos à vista, e outras duas parcelas anuais de 125 contos cada, além de um contrato “perpétuo” de venda dos produtos da Companhia Antarctica nas dependências do estádio. Claro que aqui, parece não haver dinheiro público envolvido, mas o Palmeiras comprou seu estádio com o apoio de uma empresa que dava suporte ao clube por laços italianos, por uma pechincha e ainda fez um contrato “perpétuo” de venda de produtos. Convenhamos que não é uma relação comercial tão ilibada assim.

Mas o grande problema ocorre com o estádio do São Paulo.

Todos sabemos que o clube teve fortíssimo apoio do poder público numa relação que envolveu o governador de São Paulo, Adhemar de Barros; o prefeito de São Paulo, Armando Arruda Pereira; o presidente do clube e que dá nome ao estádio, Cícero Pompeu de Toledo e Laudo Natel que foi tesoureiro, presidente do São Paulo e até governador biônico no regime militar anos depois.

Em dezembro de 1950, a Imobiliária Aricanduva (cujo dono era Adhemar de Barros), conseguiu empréstimo do Governo do Estado (cujo governador era, por coincidência, Adhemar de Barros) para terraplanar e criar toda a infraestrutura em uma gleba na região do Morumbi. Foi um escândalo de corrupção à época. O bairro, com todas as benfeitorias, passou a se chamar Jardim Leonor, nome da esposa de Adhemar de Barros. Um ano depois, em 1951, o São Paulo convidou Laudo Natel (político ligado a Adhemar de Barros) para ser o tesoureiro do clube. Este negociou a compra de 68 mil metros quadrados na região e “ganhou” do Governo do Estado mais 90 mil metros quadrados. Em 1955, três anos depois, o São Paulo vendeu ao Governo do Estado o terreno do Canindé (que o clube havia ganhado 11 anos antes), sem qualquer benfeitoria adicional. O Governo comprou e repassou à Portuguesa, que se viu obrigada a construir campo e arquibancada para começar a usar, pois estava completamente abandonado.

Ao lado há um documento histórico, datado de 04 de agosto de 1952. É o termo de doação do terreno, onde está localizado hoje o estádio do Morumbi, para o São Paulo. Foi doado pela Imobiliária e Construtora Aricanduva S/A, com intermediação do prefeito de São Paulo na época, Armando de Arruda Pereira. Pelo São Paulo assinou Cícero Pompeu de Toledo. Pelo acordo o São Paulo se compromete a utilizar 3/4 do terreno para a construção do estádio. O problema vem a seguir. No restante do terreno teriam que ser construídos:

1- Parque Infantil que deveria ser mantido pelo São Paulo, com entrada franca para as crianças;

2- Estacionamento em uma área de 25.000 m² do terreno doado.

O São Paulo nunca cumpriu essa parte do acordo.

Em 1966, em pleno regime militar, Laudo Natel já havia se tornado presidente do São Paulo e, ao mesmo tempo, Governador do Estado, quando o seu “mentor”, Adhemar de Barros, foi cassado por corrupção. O então governador determinou que os estudantes da rede pública vendessem carnês chamados “Paulistão”. O dinheiro arrecadado seria para a formatura dos alunos, mas, parte da arrecadação serviu para ajudar na construção do novo Estádio. Ou seja, em um período de ditadura, de censura aos jornais, sem explicações sobre a origem do dinheiro, sem um clube de associados que pudesse gerar receita, sem rendas (pois jogava em estádios praticamente vazios), o São Paulo construiu um estádio que nem nos dias atuais (de direitos de TV, patrocínios, venda de atletas) conseguiria construir…

Também não podemos nos esquecer que, nos anos que se seguiram, o estádio do Morumbi passou a sediar partidas de outras equipes grandes (Corinthians, Palmeiras, Santos) que sempre pagaram caro pelo uso do local e deram muito dinheiro ao São Paulo.

Claro que não defendo que o dinheiro público deve ser usado num clube particular. Mas se houver projetos de interesse da cidade, que estado e prefeitura contribuam para tais projetos e que as hipocrisias e os falsos puritanismos sejam deixados de lado.

Quem deve ganhar é a cidade e projetos dessa natureza sempre trazem dividendos a todos, independente do clube de futebol que amem.

E podem chamar o futuro (se Deus quiser!) estádio do Corinthians de “Gambazão”, “Cadeião” ou “Marginalzão”. Além de manifestações preconceituosas, como se a torcida só fosse composta por importantes pessoas do proletariado (o que não condiz com a realidade corinthiana), a inveja sempre apequena quem a sente e engradece o alvo da inveja cada vez mais.

(*) Com informações do Site Mídia sem Média

Corinthians, Flamengo e Nelson Rodrigues no duelo das multidões 0

Corinthians, Flamengo e Nelson Rodrigues no duelo das multidões

Corinthians X Flamengopor Sylvio Micelli

Esta noite no estádio Mário Filho (irmão de Nelson Rodrigues), o bom e velho Maracanã, outrora chamado “Maior do Mundo”, Flamengo e Corinthians fazem a primeira partida pelas oitavas-de-final da Copa Santander Libertadores. Fossem outros tempos e, certamente, o Maracanã teria mais de 100 mil pessoas.

O estádio carioca traz ótimas recordações para nós, corinthianos.

Em 05 de dezembro de 1976, um domingo paradoxalmente chuvoso na capital mais ensolarada do mundo – o Rio de Janeiro -, aconteceu a chamada “Invasão Corinthiana” no jogo semifinal contra o Fluminense. Quase 150 mil pessoas, metade corinthiana, dividiu o Maracanã pau-a-pau com a torcida do Fluminense. Carlos Alberto Pintinho marcou para o tricolor do nosso inesquecível Nelson Rodrigues. Mas Ruço, o “beijinho doce” imortalizado pelo não menos imortal Osmar Santos, selou o empate. Nos pênaltis, o goleiro Tobias defendeu duas cobranças e o Corinthians classificou-se para a final do Brasileiro daquele ano. Foi derrotado depois pelo muito superior time do Internacional gaúcho, que conquistaria o bicampeonato em 1976 com a maravilhosa equipe comandada por Paulo Roberto Falcão. Independente disso, a “Invasão” está na história, na alma e no coração de qualquer corinthiano e, quiçá, de qualquer um que adore futebol.

Mais de 24 anos depois, o alvinegro do Parque São Jorge voltou a fazer festa no Rio. Em 14 de janeiro de 2000, o Corinthians venceria o I Mundial Interclubes promovido pela Fifa. O jogo contra o Vasco da Gama foi para os pênaltis depois de um empate em 0 a 0. Nos pênaltis, Dida defendeu a cobrança de Gilberto. Os corinthianos Rincón, Fernando Baiano, Luizão e Edu converteram. Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo” da Fiel, perdeu quando teve a chance de decidir. Os vascaínos Romário, Alex e Viola marcaram. Edmundo perdeu quando poderia empatar a disputa. Corinthians campeão do mundo, mesmo tendo o título contestado por aqueles que não têm. A argumentação é pífia. O Corinthians não pode ser campeão do mundo, segundo nossos contrários, porque não venceu uma Libertadores e “porque não tem passaporte”. Pura inveja. Foi um torneio organizado pela entidade máxima de futebol. A final foi no mais famoso estádio do mundo e o Corinthians representou o Brasil como bicampeão brasileiro (1998-1999). Acho que o Campeonato Brasileiro é mais difícil que a Libertadores. Enfim, cada um com o seu cada qual…

As maiores torcidas do mundo – algo em torno de 70 milhões – jamais viram uma decisão de Campeonato Brasileiro, mas poderão ver hoje e na semana que vem, a decisão de quem permanece na disputa continental em 2010.

É muito injusto! Corinthians e Flamengo deveriam fazer uma final de Libertadores. Não uma partida intermediária. Mas quis o destino assim.

O Corinthians fez sua parte. Mesmo não mostrando um futebol convincente classificou-se, sem maiores problemas, num grupo fraco com o dobro de pontos do segundo colocado. Foi a melhor equipe dentre as 32 que disputam e levará a vantagem de jogar em casa todas as decisões até onde conseguir chegar.

Nelson Rodrigues, o mestre, o mago, o... tudo! Foto: ArquivoO Flamengo, por sua vez, classificou-se na velha e tosca “bacia das almas” dependendo de uma combinação de três resultados para continuar vivo na Libertadores.

Dois times de respeito. Dois times de história. Dois times com problemas.

Ronaldo e Adriano, duas estrelas mundiais, estão muito aquém de todo o futebol que sabem. Mas os outros jogadores dos dois times têm qualidades. E todo cuidado é pouco.

Que me perdoem as outras torcidas. Mas Corinthians e Flamengo é o maior clássico do planeta. Ouso complementar o que mestre Nelson Rodrigues afirmou com o “Fla-Flu começou 40 minutos antes do Nada”. Se ele estiver correto – e os mestres sempre estão – Palmeiras e Corinthians fizeram a preliminar. Corinthians e Flamengo fizeram o jogo principal.

É que nós, brasileiros, adoramos exaltar o que vem de fora e preferimos outros duelos como Barcelona X Real Madrid, Milan X Internazionale ou, até, Boca Jrs. X River Plate. Fosse esse jogo num país europeu e o mundo pararia.

Seja como for. O Brasil vai parar. Exceto para os torcedores que sobrarem das outras equipes que estiverem jogando no mesmo horário.

Nelson diria que “cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.” Será hoje o ideal dos anti-corinthianos.

Se fosse um jogo de truco seríamos nós e eles. E assim será sempre quando o Corinthians estiver envolvido.

Que vença o melhor. E que o Corinthians seja esse melhor.

O “Senhor Centenário” do Corinthians 0

O “Senhor Centenário” do Corinthians

Marcelinho Carioca e sua marca registradapor Sylvio Micelli

Ahhhh! Os nomes, listas e escolhas… Cada um tem a sua. Mas não tenho dúvidas de que a opção da diretoria do Corinthians em nomear Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo” da Fiel, como “embaixador” do clube em seu Centenário, foi a mais acertada.

A escolha de Marcelo Pereira Surcin, um jovem senhor de quase 39 anos, foi baseada em marketing esportivo, empatia e números.

Ainda em forma e não menos perfeito na cobrança de faltas e escanteios, Marcelinho está na ativa. Ou seja, pode participar de jogos amistosos e, a exclusivo critério do sério técnico Mano Menezes pode, eventualmente, entrar em partidas oficiais. O atleta sempre foi excelente em marketing pessoal. A cada gol marcado gesticulava para as câmeras para que a imagem fosse aproximada. Isso virou sua marca registrada.

A empatia entre a Fiel Torcida e o jogador é inegável. Sua camisa oficial de número 100 é a mais cara do clube e estava esgotada na primeira semana de vendas, desbancando as camisas 9 do atacante Ronaldo “Fenômeno” e 6, do recém contratado lateral esquerdo Roberto Carlos. Além disso, há um respeito mútuo. O jogador, atuando por outras equipes, chegou a marcar contra o Corinthians, e jamais comemorou. E o torcedor sempre gostou do jeito Marcelinho de ser. Muito articulado, às vezes controvertido, encrenqueiro, por vezes até petulante, mas extremamente corinthiano.

Por fim, os números. E a matemática não mente. Em 8 anos, foram 427 jogos com 206 gols marcados, muitos decisivos. Títulos, ninguém ganhou mais que ele. Foram dez, ao todo: um Mundial da Fifa (2000), dois títulos brasileiros (1998, 1999), uma Copa do Brasil (1995), quatro edições do Campeonato Paulista (1995, 1997, 1999 e 2001), uma Copa Bandeirantes (1994) e um Troféu Ramón de Carranza (1996).

É possível que seja uma jogada para que Marcelinho inicie sua carreira política? Sim. Ele não contaria com o meu voto. Mas não seria o primeiro atleta a tentar a empreitada. E a vida política é aberta a todos que a queiram.

Claro que a lista é grande. Uma equipe como o Corinthians tem vários candidatos a embaixador. Como esquecer de Sócrates, mentor da Democracia Corinthiana? E Basílio, o outro “pé-de-anjo” da Fiel, e seu gol inesquecível de 1977? E o querido Neto, que carregou um modesto Corinthians nas costas para sagrar-se campeão brasileiro em 1990? Mas se os fins, justificam os meios, o perfil de Marcelinho é inigualável. E a nação corinthiana, certamente, estará bem representada. E basta ele marcar um gol de falta para que o Pacaembu venha abaixo.

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