Category: Jornalismo e nada mais

Corinthians, campeão brasileiro de 1990, 20 anos depois 1

Corinthians, campeão brasileiro de 1990, 20 anos depois

por Sylvio Micelli

Neste dia 16 de dezembro, comemorou-se os 20 anos do primeiro título nacional do mais amado e mais odiado clube de futebol do mundo: o meu querido Sport Club Corinthians Paulista. Além da conquista inédita, foi um presente de grego ao São Paulo Futebol Clube, que aniversaria no mesmo dia.

Aquele campeonato nacional de 1990 foi especial por diversos aspectos. Primeiro, porque o clube mais popular do estado de São Paulo e o segundo maior do país (há controvérsias, porque somos o maior do mundo…) conquistava seu primeiro título brasileiro. Segundo, porque como reza a tradição corinthiana, foi um título regado a sangue, suor e lágrimas.

O time do Corinthians, sendo muito sincero, não era dos melhores. Tinha um grande goleiro – Ronaldo e um meia-atacante matador – Neto. Contava com uma zaga voluntariosa e um ataque que dava para o gasto. Mas seu principal trunfo foi o espírito de um grupo fechado, aguerrido, o que foi suficiente para sagrar-se campeão.

Nas quartas-de-final no modelo “mata-mata” que o Corinthians sabe jogar como poucos, a equipe teve que enfrentar o Atlético Mineiro, até então, o líder do campeonato. No Pacaembu, o Galo sai na frente. Falha de Mauro e gol de cabeça de Gerson. Mas Neto – o maior expoente daquele time – fez dois gols e comandou a virada sobre os mineiros: 2 a 1. Na volta, no Mineirão, o Corinthians atacou demais, Ronaldo e o histórico goleiro Carlos, que já havia jogado no Corinthians, fecharam o gol e o 0 a 0 nos classificou.

Nas semifinais, mais uma virada contra o fortíssimo time do Bahia no Pacaembu. O ex-zagueiro do Corinthians, Wagner Basílio, fez 1 a 0 de falta. Paulo Rodrigues marcou contra numa jogada de Neto e Giba e empatou o jogo. Neto, de falta, numa cobrança perfeita, deu números finais ao jogo. Em Salvador, novo 0 a 0, time armado na defesa até os dentes, sem Neto que havia sido suspenso pelo terceiro cartão amarelo e a classificação para a final contra o São Paulo.

Dois jogos contra o poderoso São Paulo do eterno Telê Santana. Duas vitórias por 1 a 0. No primeiro jogo, logo no começo, Neto cobra uma falta da intermediária e Wilson Mano escora quase de joelho contra o goleiro Zetti. 1 a 0. No segundo jogo, o São Paulo começou melhor. Atacou mais, teve chances, mas o povo já sabe que quem não faz, toma. Numa bela tabelinha entre Tupãzinho e Fabinho, que envolveram a defesa tricolor, gol de Tupã. E fim de papo. O mesmo Morumbi que viu o fim da fila em 1977, viu um time valente ser campeão brasileiro.

16 de dezembro de 1990

São Paulo 0 X 1 Corinthians

Estádio: Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi, São Paulo, SP)
Árbitro: Edmundo Lima Filho
Público: 100.858
Renda: Cr$ 106.347.700,00
Gol: Tupãzinho (54′ / 9′ – 2ºT)

São Paulo
Zetti, Cafu, Antonio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo Conti); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton.
Técnico: Telê Santana

Corinthians
Ronaldo, Giba, Marcelo Djian, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto (Ezequiel); Fabinho, Tupãzinho e Mauro (Paulo Sérgio).
Técnico: Nelsinho Baptista

Salário do Congresso: se você fosse deputado, realmente agiria diferente? 2

Salário do Congresso: se você fosse deputado, realmente agiria diferente?

por Sylvio Micelli

O Congresso Nacional deu, nesta semana, mais uma clara demonstração de que não está nem aí com a “Hora do Brasil”, como diriam os jovens há mais tempo. Os conceitos de ética, moral e respeito, há muito tempo, já chafurdam na lama daquela Casa Legislativa que une o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

Os parlamentares, numa velocidade ímpar na história daquela Instituição, aumentaram os próprios salários em 61,83%, índice prá lá de abusivo. Pior: atrelaram, dentro dos “rigorosos” preceitos da lei, a majoração de seus vencimentos aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ou seja: o Congresso Nacional não terá mais aquele desgaste típico dessas ocasiões. Isso porque quando os magistrados do STF aumentarem os próprios vencimentos, ainda que seja por lei a ser aprovada no Congresso Nacional, haverá uma reação em cadeia. A majoração será para todos os poderes em âmbito federal, estadual e até municipal.

Que o ato é vergonhoso, não tenho dúvidas de que seja. Até entristeci-me ao ler alguns nomes que aprovaram tamanho desrespeito ao povo brasileiro. Mas aí surgiu-me uma dúvida, aliás, algumas:

a) será que realmente foi um desrespeito ao povo brasileiro? Houve muito alarde, reclamações, xingamentos, mas não podemos nos esquecer de que o Congresso Nacional, as assembleias estaduais e as câmaras municipais são eleitos por nós mesmos. Ainda que tenha havido um percentual de renovação do Legislativo nacional nas últimas eleições, muita gente capenga foi reeleita. E muita gente capenga retornou. Ora… se os parlamentares são reflexo de boa parte da sociedade outra dúvida está a aporrinhar-me:

b) será que você, leitor, caso fosse eleito deputado agiria de forma diferente? Será que você não advogaria em causa própria? Claro que sempre existem as exceções, até para que se justifique a regra…

c) será que os colegas jornalistas, em especial da grande mídia, que geralmente se comporta de forma genuflexa numa relação capciosa com o governo, agiria de forma diferente?

Deixo a dúvida para reflexão, porque nós brasileiros – todos sabemos – somos internacionalmente reconhecidos como o país do “jeitinho” e aí a roda pega. Não dá para cobrar dos nossos parlamentares uma postura que nós não adotamos. Não há como sermos paladinos da moral e dos bons costumes se nem mesmo um “bom dia” damos ao vizinho do lado. Porque aí tudo vai cheirar a hipocrisia e o Estado Brasileiro continuará da mesma forma.

Devo ressaltar uma entrevista que ouvi do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), uma das últimas reservas morais que ainda possuímos. Ele disse que a sociedade precisa aprender, precisa questionar, precisa acompanhar o trabalho dos parlamentares. Só assim, num pleno exercício de cidadania, é que poderemos minimizar o poder de deputados, senadores e vereadores que vão para Brasília ou para os legislativos estaduais e municipais, apenas para trabalhar em benefício próprio transformando seus mandatos, concedidos pelo voto popular, num grande balcão de negócios.

Parabéns aos deputados que disseram NÃO ao aumento nos próprios salários. Certamente, eles foram / serão ridicularizados pelos seus pares ou criticados por outros que acreditam que atitudes éticas e morais fazem parte apenas do jogo de cena na arena política deste País.

  • Alfredo Kaefer  (PSDB, PR)
  • Assis do Couto  (PT, PR)
  • Augusto Carvalho  (PPS, DF)
  • Capitão Assumção  (PSB, ES)
  • Chico Alencar  (PSOL, RJ)
  • Cida Diogo  (PT, RJ)
  • Décio Lima  (PT, SC)
  • Dr. Talmir  (PV, SP)
  • Eduardo Valverde  (PT, RO)
  • Emanuel Fernandes  (PSDB, SP)
  • Ernandes Amorim  (PTB, RO)
  • Fernando Chiarelli  (PDT, SP)
  • Fernando Gabeira  (PV, RJ)
  • Gustavo Fruet  (PSDB (PR)
  • Henrique Afonso  (PV, AC)
  • Iran Barbosa  (PT, SE)
  • Ivan Valente  (PSOL, SP)
  • José C Stangarlini  (PSDB, SP)
  • Lelo Coimbra  (PMDB, ES)
  • Luciana Genro  (PSOL, RS)
  • Luiz Bassuma  (PV, BA)
  • Luiz Couto  (PT, PB)
  • Luiza Erundina  (PSB, SP)
  • Magela  (PT, DF)
  • Major Fábio  (DEM, PB)
  • Marcelo Almeida  (PMDB, PR)
  • Mauro Nazif  (PSB, RO)
  • Paes de Lira  (PTC, SP)
  • Paulo Pimenta  (PT, RS)
  • Raul Jungmann  (PPS, PE)
  • Regis de Oliveira  (PSC, SP)
  • Reinhold Stephanes  (PMDB, PR)
  • Sueli Vidigal  (PDT, ES)
  • Takayama  (PSC, PR)
  • Vander Loubet  (PT, MS)

Em tempo: ao ironizar o aumento que os parlamentares se concederam e que não o beneficia, o presidente Lula não contribuiu para o debate;

Em tempo (2): o (agora deputado eleito por São Paulo) Tiririca está errado. Seu bordão na campanha era “vote Tiririca, porque pior que está não fica”. Infelizmente, fica. Aliás, foi bastante sintomática a chegada do palhaço Tiririca ao Congresso Nacional no dia do “auto-alto-aumento”. No final das contas, todos somos feitos de palhaço. Ou não… cabe à sociedade refletir.

Nitzer Ebb: um baita show… com 20 anos de atraso 1

Nitzer Ebb: um baita show… com 20 anos de atraso

por Sylvio Micelli

CONFIRA OS VÍDEOS QUE GRAVEI NO SHOW!

Coisas de país de terceiro mundo… que traz, em 2010, uma banda que fez sucesso duas décadas atrás. Mas isso não importa. Para os saudosistas (feito este jornalista e nada mais), o final de semana será marcado pela vinda do Nitzer Ebb ao Brasil pela primeira e, possivelmente, única vez.

Ah! Muita calma nesta hora. Se você nunca ouviu falar ou tem menos de 25 anos, não vá pensando que Nitzer Ebb é marca nova de cerveja para degustação nos bares da Vila Madalena ou, quiçá, o nome de uma nova rede social para tentar diminuir o poder do trio de ferro (Facebook, Orkut e Twitter). Não! Nitzer Ebb nada tem a ver com web…

Os ingleses quase cinquentões do Nitzer Ebb formaram uma das mais importantes e influentes bandas de Eletro Body Music (EBM), som sujo e dançante que prima pelo uso de sintetizadores e baterias eletrônicas e vocais, geralmente guturais, com letras ácidas e críticas a tudo e a todos. Mal comparando, eles são “primos” do Front 242, banda belga de muito sucesso no mundo underground.

Entre 1987 e 1990, o Nitzer Ebb lançou três dos mais importantes discos (ou albuns, se preferir) da cena EBM. São eles: “That Total Age (1987), “Belief” (1989) e “Showtime” (1990).

Pois bem. Estes três albuns, misturados a material novo e de bastante qualidade, foram reproduzidos em show que pude ver neste sábado (11) no Clash Club, em São Paulo.

Douglas McCarthy (vocais), Bon Harris (programação, sintetizadores, bateria e vocais) e David Gooday (bateria) deram as caras para um único show no país. McCarthy, apresentando-se com um irritante terno, diante do calor infernal desses dias, mostrou-se um showman. Pulou, gritou, berrou e comandou a plateia que se espremia junto ao palco. Harris e Gooday deram a “raiva” necessária ao espetáculo.

O show começou com a clássica “Getting Closer” que abre o álbum “Showtime”. O trio emendou músicas do CD lançado no começo deste ano “Industrial Complex” e caprichou nos clássicos.  E tome “Lightning Man”, também de “Showtime”; “Control I’m Here” e “Blood Money”, ambas de “Belief” e as músicas que levantam qualquer defunto do lado B da vida, tais como “Murderous” e, principalmente, a dupla formada por “Let Your Body Learn” e o megahit “Join in the Chant”, todas do discaço (que ainda tenho em vinil) “That Total Age”. Como sempre falta uma coisinha ou outra para os fãs, eles não tocaram “Violent Playground”. Mesmo assim, valeu.

Um show com vinte anos de atraso, mas que fez lembrar das noites de sábado do final dos anos 80 e do começo dos anos 90 que perambulávamos pelo Madame Satã, Espaço Retrô, Cais, Hoellisch, Ammy 44, Zoster, Front 575 e tantos outros lugares para curtir o o outro lado do mainstream.

O Wikileaks contra o mundo 1

O Wikileaks contra o mundo

por Sylvio Micelli

O australiano Julian Assange, criador do site Wikileaks, virou uma espécie de Bin Laden tecnológico. Seu defeito: contrapor-se ao poder dos Estados Unidos e abrir-lhes as entranhas fétidas que, como todos sabemos, sempre cercaram o mundo ianque. Tudo que o site fez, já é de domínio público, mas há alguns “inocentes” que acreditam que a tirania, a espionagem e o terrorismo estadunidenses morreram com o fim do mandato de George Walker Bush.

Quando o Wikileaks fez as primeiras revelações – que foram tratadas pela grande mídia como um mero vazamento – da ocupação americana no Afeganistão e depois sobre a Guerra do Iraque, Assange foi considerado um procurado internacional sob a acusação de violência sexual. Note bem. A mídia deu mais valor ao “vazamento” do que às informações que foram reveladas e que, particularmente, não me assustaram.

Assange entregou-se nesta terça (07) à polícia inglesa sob esta fragilíssima “acusação” de estupro a duas mulheres ao mesmo tempo! Está mais do que na cara, que se trata, meramente de uma perseguição ao criador do site que tem tirado e vai tirar ainda o sono de muita gente. Obviamente, que não defendo aqui o crime de estupro que deve ser tratado com o devido rigor, da mesma forma que deveriam ser tratadas todas as ações genocidas informadas por Assange.

Alguns jornalistas, aqui por estas plagas, começaram então a defender conceitos pseudo-éticos sobre o trabalho do Wikileaks. Muitos chegaram a analisar que o tal vazamento (do verbo leak em inglês, vazar) poderia colocar em risco a soberania dos países, em especial a dos Estados Unidos.

Ora… tudo mundo sabe o modelo que os Estados Unidos adotam desde a época das Treze Colônias. Isso já foi até objeto de filmes importantes que revelam o modus operandi estadunidense.

A prisão de Assange não é um atentado violento ao pudor. É, sim, um atentado violento à democracia.

E democracia calada é censura disfarçada.

Só tenho uma dúvida: Assange está a serviço de alguém. Espero que seja para fins benéficos a todos.

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