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Querem acabar com a Corrida de São Silvestre 2

Querem acabar com a Corrida de São Silvestre

por Sylvio Micelli

Muitos talvez não saibam, mas este jornalista que vos escreve já participou de uma Corrida Internacional de São Silvestre. Espaço para risos… (Leia o texto sobre o momentoso assunto, clicando aqui!)

Pois bem. Em 2004, há seis anos, portanto, fui um dos que participou daquele mar de gente que dá mais brilho às ruas da minha querida São Paulo no último dia do ano. Sempre fui fã da corrida, que é um resumo de São Paulo, o ano inteiro correndo. Obviamente que, do trajeto proposto, corri uns 500 metros e caminhei os demais 14 e tantos quilômetros. Mas o importante era cumprir minha meta de retornar à Avenida Paulista, sabe-se lá Deus como.

Nunca foi muito dado a esportes. Vivo em constante litígio com o péssimo hábito de fumar. Estou bem acima do meu peso, ou seja, sou um sedentário convicto, daqueles que os médicos já condenaram à morte. Mas pretendo mudar de vida no próximo sábado, pois, afinal, teremos um Ano Novo e uma nova década. Já participei de algumas caminhadas por aí, tenho até um considerável número de medalhas e divirto-me quando coloco as camisetas das provas que “disputei”. As pessoas que me olham ficam meio sem entender. Devem até pensar que ganhei as camisetas…

Voltando ao que interessa, devo declarar que me surpreendi e até me entristeci com a informação de que a organização da prova, neste ano de 2010, resolveu distribuir as medalhas de participação aos amadores – que dão cor e história à prova – junto aos kits de participação que, geralmente, trazem camiseta, número de peito, chip eletrônico para a marcação do tempo da prova e informações sobre o percurso.

Estão matando a prova. A medalha, justamente, é o reconhecimento do feito, é o atingir metas, é o superar obstáculos. E assim ela deveria ser tratada. Ao ser entregue antes da realização da prova, além da perda da essência, acho que é uma falta de respeito aos amadores. Seria mais ou menos um recado assim: “olha… a gente tá te dando esse medalha antes, porque temos de ganhar tempo no final da prova e se você não quiser correr, o problema é seu”.

A organização alega que tal alteração se deve à necessidade de esvaziar a Avenida Paulista que, logo depois da Corrida, recebe shows pela virada do ano. Não acho que isso seja justificativa. Caso seja necessário, que se indique um outro local para a retirada da medalha que, mais que um comprovante de participação, é o troféu por um obstáculo superado.

Neste ano, além da medalha antecipada, os chips são descartáveis, o que é ótimo.

Espero que a organização da prova reveja seus conceitos para o próximo ano. Vai que eu volte a participar… e vou querer a medalha pela minha vitória pessoal e não pelo simples fato de ter pago uma taxa de inscrição.

Nesta eterna luta contra o tempo, vamos perdendo aquilo que, efetivamente, é muito mais importante.

Folha de S.Paulo noticia CPI do Judiciário paulista… menos para São Paulo 6

Folha de S.Paulo noticia CPI do Judiciário paulista… menos para São Paulo

por Sylvio Micelli / ASSETJ

O jornal Folha de São Paulo, em sua edição do último dia 17 de dezembro, noticiou que os deputados Roberto Massafera (PSDB) e Antonio Salim Curiati (PP) retiraram suas assinaturas do pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário de São Paulo, proposto pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL).

A matéria intitulada “Pressão de juízes barra CPI sobre TJ-SP”, redigida pelo colega Fernando Gallo relata o “trabalho” feito pelos deputados Campos Machado (PTB) e Vaz de Lima (PSDB) para que os dois parlamentares retirassem as assinaturas, o que inviabilizou a instalação da CPI.

O detalhe é que a informação circulou apenas na edição nacional do jornal, ou seja, menos para São Paulo – estado maior interessado – e Brasília. Nas duas praças, a notícia sobre a CPI foi substituída pela possível nomeação pelo governador Geraldo Alckmin, do reitor Herman Voorwald da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para a secretaria de Educação, o que de fato aconteceu.

A assessoria do deputado Carlos Giannazi achou a situação estranha e também reconhecemos que o fato é inusitado. Em contato com a redação, o jornal afirmou que a edição nacional, que circula em todo o País, ficou pronta antes das edições feitas exclusivamente para São Paulo e a Capital Federal. A editoria “entendeu” que a nomeação do novo secretário “era mais importante”.

Sendo assim, resta a dúvida: por que a Folha mantém uma notícia de interesse da população do estado de São Paulo, sem que esta circule no próprio estado, nem na Internet? Que cada um tire suas próprias conclusões.

A assessoria do parlamentar ficou de averiguar a questão.

CLIQUE AQUI E VEJA A EDIÇÃO NACIONAL

CLIQUE AQUI E VEJA A EDIÇÃO QUE CIRCULOU NAS PRAÇAS DE SÃO PAULO E BRASÍLIA

A unificação dos títulos pela CBF e a politicagem do futebol brasileiro 1

A unificação dos títulos pela CBF e a politicagem do futebol brasileiro

por Sylvio Micelli

A Confederação Brasileira de Futebol reconhecerá, nesta quarta-feira 22 de dezembro, que a disputa da Taça Brasil, entre 1959 e 1968 e a disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa e da Taça de Prata, entre 1967 e 1970, terão o mesmo valor que o Campeonato Brasileiro, este disputado desde 1971.

Trata-se, claramente, de mais um ato político que macula o futebol brasileiro.

A questão, neste caso, não é concordar ou discordar de que Santos e Palmeiras sejam os maiores beneficiados com a medida, mesmo sendo torcedor do Corinthians. Sinceramente, não é o tipo de coisa que me incomoda e sei reconhecer, obviamente, que as duas equipes tinham os melhores times da década de 60. Entretanto, é dever observar que a medida adotada pela CBF extrapola a questão meramente esportiva.

O Brasil, numa visão macro e bem mais ampla, precisa aprender a respeitar regras e contratos, não apenas no futebol. A partir do momento que, por uma mera canetada, reconhece-se qualquer coisa para dar um “cala a boca” aqui ou acolá, perde-se o respeito, perde-se a essência.

A unificação tem como base um dossiê, feito pelo jornalista Odir Cunha, que é santista. E a coisa foi crescendo sob o tacanho “eufemismo” de que seria um “absurdo” que Pelé e companhia, jamais tivessem sido campeões brasileiros. O mesmo se aplica a Ademir da Guia e à maravilhosa Academia de futebol montada pelo Palmeiras nos anos 60.

A Taça Brasil, por exemplo, assemelha-se muito à Copa do Brasil disputada hoje. Era um torneio que reunia os campeões de todos os estados e com equipes, com todo o respeito, que não disputariam a série D do Campeonato Brasileiro no terceiro milênio. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, por sua vez, foi uma ampliação do Torneio Rio-São Paulo, com a participação de equipes convidadas e tornou-se o embrião do Campeonato Brasileiro que conhecemos hoje.

Já li reportagens que brechas serão abertas e que outros “títulos nacionais”, entre os anos de 1920 a 1937, também podem ser reconhecidos. Suponho, até, que não vai demorar muito e terá gente pedindo a unificação de títulos do Torneio Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, apenas pelos números que eles representam.

Como diria o eterno jornalista Juarez Soares, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O fato de Pelé ou Ademir não terem ganho um Campeonato Brasileiro nos moldes que é disputado hoje, não lhes trás nenhum demérito. Muito pelo contrário. Só um imbecil para acreditar que eles, e suas respectivas equipes, não foram campeões de tudo, inclusive do Brasil.

Isso, porém, não dá o direito de supor que campeonatos diferentes, com regras, quantidade de jogos e clubes diferentes devem ser tratados de forma isonômica pois, justamente, o Santos de Pelé ou a Academia de Ademir deveriam ser marcados como vencedores de títulos que ninguém mais os terá.

Justamente por isso, a unificação é uma bobagem e um tiro no pé, porque trata o Santos de Pelé ou o Palmeiras de Ademir como iguais. E eles foram muito superiores.

Em tempo: o glorioso São Paulo Futebol Clube precisa acabar com essa mania de perseguição. Ridículo acreditar que a CBF esteja reconhecendo os títulos da Taça Brasil e do “Robertão” para prejudicar o Tricolor. Menos, São Paulo! Menos.

Corinthians, campeão brasileiro de 1990, 20 anos depois 1

Corinthians, campeão brasileiro de 1990, 20 anos depois

por Sylvio Micelli

Neste dia 16 de dezembro, comemorou-se os 20 anos do primeiro título nacional do mais amado e mais odiado clube de futebol do mundo: o meu querido Sport Club Corinthians Paulista. Além da conquista inédita, foi um presente de grego ao São Paulo Futebol Clube, que aniversaria no mesmo dia.

Aquele campeonato nacional de 1990 foi especial por diversos aspectos. Primeiro, porque o clube mais popular do estado de São Paulo e o segundo maior do país (há controvérsias, porque somos o maior do mundo…) conquistava seu primeiro título brasileiro. Segundo, porque como reza a tradição corinthiana, foi um título regado a sangue, suor e lágrimas.

O time do Corinthians, sendo muito sincero, não era dos melhores. Tinha um grande goleiro – Ronaldo e um meia-atacante matador – Neto. Contava com uma zaga voluntariosa e um ataque que dava para o gasto. Mas seu principal trunfo foi o espírito de um grupo fechado, aguerrido, o que foi suficiente para sagrar-se campeão.

Nas quartas-de-final no modelo “mata-mata” que o Corinthians sabe jogar como poucos, a equipe teve que enfrentar o Atlético Mineiro, até então, o líder do campeonato. No Pacaembu, o Galo sai na frente. Falha de Mauro e gol de cabeça de Gerson. Mas Neto – o maior expoente daquele time – fez dois gols e comandou a virada sobre os mineiros: 2 a 1. Na volta, no Mineirão, o Corinthians atacou demais, Ronaldo e o histórico goleiro Carlos, que já havia jogado no Corinthians, fecharam o gol e o 0 a 0 nos classificou.

Nas semifinais, mais uma virada contra o fortíssimo time do Bahia no Pacaembu. O ex-zagueiro do Corinthians, Wagner Basílio, fez 1 a 0 de falta. Paulo Rodrigues marcou contra numa jogada de Neto e Giba e empatou o jogo. Neto, de falta, numa cobrança perfeita, deu números finais ao jogo. Em Salvador, novo 0 a 0, time armado na defesa até os dentes, sem Neto que havia sido suspenso pelo terceiro cartão amarelo e a classificação para a final contra o São Paulo.

Dois jogos contra o poderoso São Paulo do eterno Telê Santana. Duas vitórias por 1 a 0. No primeiro jogo, logo no começo, Neto cobra uma falta da intermediária e Wilson Mano escora quase de joelho contra o goleiro Zetti. 1 a 0. No segundo jogo, o São Paulo começou melhor. Atacou mais, teve chances, mas o povo já sabe que quem não faz, toma. Numa bela tabelinha entre Tupãzinho e Fabinho, que envolveram a defesa tricolor, gol de Tupã. E fim de papo. O mesmo Morumbi que viu o fim da fila em 1977, viu um time valente ser campeão brasileiro.

16 de dezembro de 1990

São Paulo 0 X 1 Corinthians

Estádio: Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi, São Paulo, SP)
Árbitro: Edmundo Lima Filho
Público: 100.858
Renda: Cr$ 106.347.700,00
Gol: Tupãzinho (54′ / 9′ – 2ºT)

São Paulo
Zetti, Cafu, Antonio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo Conti); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton.
Técnico: Telê Santana

Corinthians
Ronaldo, Giba, Marcelo Djian, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto (Ezequiel); Fabinho, Tupãzinho e Mauro (Paulo Sérgio).
Técnico: Nelsinho Baptista

Salário do Congresso: se você fosse deputado, realmente agiria diferente? 2

Salário do Congresso: se você fosse deputado, realmente agiria diferente?

por Sylvio Micelli

O Congresso Nacional deu, nesta semana, mais uma clara demonstração de que não está nem aí com a “Hora do Brasil”, como diriam os jovens há mais tempo. Os conceitos de ética, moral e respeito, há muito tempo, já chafurdam na lama daquela Casa Legislativa que une o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

Os parlamentares, numa velocidade ímpar na história daquela Instituição, aumentaram os próprios salários em 61,83%, índice prá lá de abusivo. Pior: atrelaram, dentro dos “rigorosos” preceitos da lei, a majoração de seus vencimentos aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ou seja: o Congresso Nacional não terá mais aquele desgaste típico dessas ocasiões. Isso porque quando os magistrados do STF aumentarem os próprios vencimentos, ainda que seja por lei a ser aprovada no Congresso Nacional, haverá uma reação em cadeia. A majoração será para todos os poderes em âmbito federal, estadual e até municipal.

Que o ato é vergonhoso, não tenho dúvidas de que seja. Até entristeci-me ao ler alguns nomes que aprovaram tamanho desrespeito ao povo brasileiro. Mas aí surgiu-me uma dúvida, aliás, algumas:

a) será que realmente foi um desrespeito ao povo brasileiro? Houve muito alarde, reclamações, xingamentos, mas não podemos nos esquecer de que o Congresso Nacional, as assembleias estaduais e as câmaras municipais são eleitos por nós mesmos. Ainda que tenha havido um percentual de renovação do Legislativo nacional nas últimas eleições, muita gente capenga foi reeleita. E muita gente capenga retornou. Ora… se os parlamentares são reflexo de boa parte da sociedade outra dúvida está a aporrinhar-me:

b) será que você, leitor, caso fosse eleito deputado agiria de forma diferente? Será que você não advogaria em causa própria? Claro que sempre existem as exceções, até para que se justifique a regra…

c) será que os colegas jornalistas, em especial da grande mídia, que geralmente se comporta de forma genuflexa numa relação capciosa com o governo, agiria de forma diferente?

Deixo a dúvida para reflexão, porque nós brasileiros – todos sabemos – somos internacionalmente reconhecidos como o país do “jeitinho” e aí a roda pega. Não dá para cobrar dos nossos parlamentares uma postura que nós não adotamos. Não há como sermos paladinos da moral e dos bons costumes se nem mesmo um “bom dia” damos ao vizinho do lado. Porque aí tudo vai cheirar a hipocrisia e o Estado Brasileiro continuará da mesma forma.

Devo ressaltar uma entrevista que ouvi do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), uma das últimas reservas morais que ainda possuímos. Ele disse que a sociedade precisa aprender, precisa questionar, precisa acompanhar o trabalho dos parlamentares. Só assim, num pleno exercício de cidadania, é que poderemos minimizar o poder de deputados, senadores e vereadores que vão para Brasília ou para os legislativos estaduais e municipais, apenas para trabalhar em benefício próprio transformando seus mandatos, concedidos pelo voto popular, num grande balcão de negócios.

Parabéns aos deputados que disseram NÃO ao aumento nos próprios salários. Certamente, eles foram / serão ridicularizados pelos seus pares ou criticados por outros que acreditam que atitudes éticas e morais fazem parte apenas do jogo de cena na arena política deste País.

  • Alfredo Kaefer  (PSDB, PR)
  • Assis do Couto  (PT, PR)
  • Augusto Carvalho  (PPS, DF)
  • Capitão Assumção  (PSB, ES)
  • Chico Alencar  (PSOL, RJ)
  • Cida Diogo  (PT, RJ)
  • Décio Lima  (PT, SC)
  • Dr. Talmir  (PV, SP)
  • Eduardo Valverde  (PT, RO)
  • Emanuel Fernandes  (PSDB, SP)
  • Ernandes Amorim  (PTB, RO)
  • Fernando Chiarelli  (PDT, SP)
  • Fernando Gabeira  (PV, RJ)
  • Gustavo Fruet  (PSDB (PR)
  • Henrique Afonso  (PV, AC)
  • Iran Barbosa  (PT, SE)
  • Ivan Valente  (PSOL, SP)
  • José C Stangarlini  (PSDB, SP)
  • Lelo Coimbra  (PMDB, ES)
  • Luciana Genro  (PSOL, RS)
  • Luiz Bassuma  (PV, BA)
  • Luiz Couto  (PT, PB)
  • Luiza Erundina  (PSB, SP)
  • Magela  (PT, DF)
  • Major Fábio  (DEM, PB)
  • Marcelo Almeida  (PMDB, PR)
  • Mauro Nazif  (PSB, RO)
  • Paes de Lira  (PTC, SP)
  • Paulo Pimenta  (PT, RS)
  • Raul Jungmann  (PPS, PE)
  • Regis de Oliveira  (PSC, SP)
  • Reinhold Stephanes  (PMDB, PR)
  • Sueli Vidigal  (PDT, ES)
  • Takayama  (PSC, PR)
  • Vander Loubet  (PT, MS)

Em tempo: ao ironizar o aumento que os parlamentares se concederam e que não o beneficia, o presidente Lula não contribuiu para o debate;

Em tempo (2): o (agora deputado eleito por São Paulo) Tiririca está errado. Seu bordão na campanha era “vote Tiririca, porque pior que está não fica”. Infelizmente, fica. Aliás, foi bastante sintomática a chegada do palhaço Tiririca ao Congresso Nacional no dia do “auto-alto-aumento”. No final das contas, todos somos feitos de palhaço. Ou não… cabe à sociedade refletir.

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