Posts Tagged ‘2010’

Corinthians, campeão brasileiro de 1990, 20 anos depois

por Sylvio Micelli

Neste dia 16 de dezembro, comemorou-se os 20 anos do primeiro título nacional do mais amado e mais odiado clube de futebol do mundo: o meu querido Sport Club Corinthians Paulista. Além da conquista inédita, foi um presente de grego ao São Paulo Futebol Clube, que aniversaria no mesmo dia.

Aquele campeonato nacional de 1990 foi especial por diversos aspectos. Primeiro, porque o clube mais popular do estado de São Paulo e o segundo maior do país (há controvérsias, porque somos o maior do mundo…) conquistava seu primeiro título brasileiro. Segundo, porque como reza a tradição corinthiana, foi um título regado a sangue, suor e lágrimas.

O time do Corinthians, sendo muito sincero, não era dos melhores. Tinha um grande goleiro – Ronaldo e um meia-atacante matador – Neto. Contava com uma zaga voluntariosa e um ataque que dava para o gasto. Mas seu principal trunfo foi o espírito de um grupo fechado, aguerrido, o que foi suficiente para sagrar-se campeão.

Nas quartas-de-final no modelo “mata-mata” que o Corinthians sabe jogar como poucos, a equipe teve que enfrentar o Atlético Mineiro, até então, o líder do campeonato. No Pacaembu, o Galo sai na frente. Falha de Mauro e gol de cabeça de Gerson. Mas Neto – o maior expoente daquele time – fez dois gols e comandou a virada sobre os mineiros: 2 a 1. Na volta, no Mineirão, o Corinthians atacou demais, Ronaldo e o histórico goleiro Carlos, que já havia jogado no Corinthians, fecharam o gol e o 0 a 0 nos classificou.

Nas semifinais, mais uma virada contra o fortíssimo time do Bahia no Pacaembu. O ex-zagueiro do Corinthians, Wagner Basílio, fez 1 a 0 de falta. Paulo Rodrigues marcou contra numa jogada de Neto e Giba e empatou o jogo. Neto, de falta, numa cobrança perfeita, deu números finais ao jogo. Em Salvador, novo 0 a 0, time armado na defesa até os dentes, sem Neto que havia sido suspenso pelo terceiro cartão amarelo e a classificação para a final contra o São Paulo.

Dois jogos contra o poderoso São Paulo do eterno Telê Santana. Duas vitórias por 1 a 0. No primeiro jogo, logo no começo, Neto cobra uma falta da intermediária e Wilson Mano escora quase de joelho contra o goleiro Zetti. 1 a 0. No segundo jogo, o São Paulo começou melhor. Atacou mais, teve chances, mas o povo já sabe que quem não faz, toma. Numa bela tabelinha entre Tupãzinho e Fabinho, que envolveram a defesa tricolor, gol de Tupã. E fim de papo. O mesmo Morumbi que viu o fim da fila em 1977, viu um time valente ser campeão brasileiro.

16 de dezembro de 1990

São Paulo 0 X 1 Corinthians

Estádio: Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi, São Paulo, SP)
Árbitro: Edmundo Lima Filho
Público: 100.858
Renda: Cr$ 106.347.700,00
Gol: Tupãzinho (54′ / 9′ – 2ºT)

São Paulo
Zetti, Cafu, Antonio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo Conti); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton.
Técnico: Telê Santana

Corinthians
Ronaldo, Giba, Marcelo Djian, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto (Ezequiel); Fabinho, Tupãzinho e Mauro (Paulo Sérgio).
Técnico: Nelsinho Baptista

Salário do Congresso: se você fosse deputado, realmente agiria diferente?

por Sylvio Micelli

O Congresso Nacional deu, nesta semana, mais uma clara demonstração de que não está nem aí com a “Hora do Brasil”, como diriam os jovens há mais tempo. Os conceitos de ética, moral e respeito, há muito tempo, já chafurdam na lama daquela Casa Legislativa que une o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

Os parlamentares, numa velocidade ímpar na história daquela Instituição, aumentaram os próprios salários em 61,83%, índice prá lá de abusivo. Pior: atrelaram, dentro dos “rigorosos” preceitos da lei, a majoração de seus vencimentos aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ou seja: o Congresso Nacional não terá mais aquele desgaste típico dessas ocasiões. Isso porque quando os magistrados do STF aumentarem os próprios vencimentos, ainda que seja por lei a ser aprovada no Congresso Nacional, haverá uma reação em cadeia. A majoração será para todos os poderes em âmbito federal, estadual e até municipal.

Que o ato é vergonhoso, não tenho dúvidas de que seja. Até entristeci-me ao ler alguns nomes que aprovaram tamanho desrespeito ao povo brasileiro. Mas aí surgiu-me uma dúvida, aliás, algumas:

a) será que realmente foi um desrespeito ao povo brasileiro? Houve muito alarde, reclamações, xingamentos, mas não podemos nos esquecer de que o Congresso Nacional, as assembleias estaduais e as câmaras municipais são eleitos por nós mesmos. Ainda que tenha havido um percentual de renovação do Legislativo nacional nas últimas eleições, muita gente capenga foi reeleita. E muita gente capenga retornou. Ora… se os parlamentares são reflexo de boa parte da sociedade outra dúvida está a aporrinhar-me:

b) será que você, leitor, caso fosse eleito deputado agiria de forma diferente? Será que você não advogaria em causa própria? Claro que sempre existem as exceções, até para que se justifique a regra…

c) será que os colegas jornalistas, em especial da grande mídia, que geralmente se comporta de forma genuflexa numa relação capciosa com o governo, agiria de forma diferente?

Deixo a dúvida para reflexão, porque nós brasileiros – todos sabemos – somos internacionalmente reconhecidos como o país do “jeitinho” e aí a roda pega. Não dá para cobrar dos nossos parlamentares uma postura que nós não adotamos. Não há como sermos paladinos da moral e dos bons costumes se nem mesmo um “bom dia” damos ao vizinho do lado. Porque aí tudo vai cheirar a hipocrisia e o Estado Brasileiro continuará da mesma forma.

Devo ressaltar uma entrevista que ouvi do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), uma das últimas reservas morais que ainda possuímos. Ele disse que a sociedade precisa aprender, precisa questionar, precisa acompanhar o trabalho dos parlamentares. Só assim, num pleno exercício de cidadania, é que poderemos minimizar o poder de deputados, senadores e vereadores que vão para Brasília ou para os legislativos estaduais e municipais, apenas para trabalhar em benefício próprio transformando seus mandatos, concedidos pelo voto popular, num grande balcão de negócios.

Parabéns aos deputados que disseram NÃO ao aumento nos próprios salários. Certamente, eles foram / serão ridicularizados pelos seus pares ou criticados por outros que acreditam que atitudes éticas e morais fazem parte apenas do jogo de cena na arena política deste País.

  • Alfredo Kaefer  (PSDB, PR)
  • Assis do Couto  (PT, PR)
  • Augusto Carvalho  (PPS, DF)
  • Capitão Assumção  (PSB, ES)
  • Chico Alencar  (PSOL, RJ)
  • Cida Diogo  (PT, RJ)
  • Décio Lima  (PT, SC)
  • Dr. Talmir  (PV, SP)
  • Eduardo Valverde  (PT, RO)
  • Emanuel Fernandes  (PSDB, SP)
  • Ernandes Amorim  (PTB, RO)
  • Fernando Chiarelli  (PDT, SP)
  • Fernando Gabeira  (PV, RJ)
  • Gustavo Fruet  (PSDB (PR)
  • Henrique Afonso  (PV, AC)
  • Iran Barbosa  (PT, SE)
  • Ivan Valente  (PSOL, SP)
  • José C Stangarlini  (PSDB, SP)
  • Lelo Coimbra  (PMDB, ES)
  • Luciana Genro  (PSOL, RS)
  • Luiz Bassuma  (PV, BA)
  • Luiz Couto  (PT, PB)
  • Luiza Erundina  (PSB, SP)
  • Magela  (PT, DF)
  • Major Fábio  (DEM, PB)
  • Marcelo Almeida  (PMDB, PR)
  • Mauro Nazif  (PSB, RO)
  • Paes de Lira  (PTC, SP)
  • Paulo Pimenta  (PT, RS)
  • Raul Jungmann  (PPS, PE)
  • Regis de Oliveira  (PSC, SP)
  • Reinhold Stephanes  (PMDB, PR)
  • Sueli Vidigal  (PDT, ES)
  • Takayama  (PSC, PR)
  • Vander Loubet  (PT, MS)

Em tempo: ao ironizar o aumento que os parlamentares se concederam e que não o beneficia, o presidente Lula não contribuiu para o debate;

Em tempo (2): o (agora deputado eleito por São Paulo) Tiririca está errado. Seu bordão na campanha era “vote Tiririca, porque pior que está não fica”. Infelizmente, fica. Aliás, foi bastante sintomática a chegada do palhaço Tiririca ao Congresso Nacional no dia do “auto-alto-aumento”. No final das contas, todos somos feitos de palhaço. Ou não… cabe à sociedade refletir.

CPI do Judiciário: pressionados pelo Governo, Curiati e Massafera retiram suas assinaturas

por Sylvio Micelli / ASSETJ (*)

Depois de ter conseguido as 32 assinaturas necessárias para a instalação do pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) informou nesta quarta (15), que dois parlamentares retiraram suas assinaturas. São eles: Antonio Salim Curiati (PP) e Roberto Massafera (PSDB). A retirada das assinaturas inviabiliza a instação da CPI, que havia sido protocolada na semana passada.

Em manifestação no Plenário da Assembleia Legislativa paulista, Giannazi lamentou o episódio:

“Essa CPI é de extrema importância para que possamos investigar as denúncias feitas pelas entidades representativas dos servidores do Judiciário”, explicou. Ele disse que depois de ter conseguido o apoio de 32 parlamentares, necessário para a instalação da CPI, dois deputados retiraram suas assinaturas, depois de terem sido pressionados pela base governista. “É vergonhoso ver alguns deputados passarem por essa vergonha pública”, lamentou.

Quem são os dois “fujões”

O médico Antonio Salim Curiati é o deputado estadual há mais tempo de atividade e está em seu sétimo mandato no Legislativo paulista. Foi deputado federal de 1987 a 1991. Exerceu ainda a prefeitura da cidade de São Paulo de 1982 a 1983. Foi secretário estadual de Promoção Social de 1979 a 1982 e secretário municipal da Família e Bem-Estar Social de 1993 a 1994. Entre 1995 e 1998, foi secretário municipal executivo para Assuntos Comunitários. É o atual lider da Bancada do PP na Casa Legislativa. Foi reeleito em 2010.

Para reclamar: Fones: (11) 3886-6830 / 3886-6831
E-mail: scuriati@al.sp.gov.br

Roberto Massafera é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da USP de São Carlos e pós-graduado em Planejamento Urbano. É especialista em Políticas Públicas e Gerências de Cidades pela Unesp de Araraquara e tem MBA em gerenciamento de empreendimentos pela Escola Politécnica da USP de São Paulo. Foi eleito deputado estadual em 2006 com 72.205 votos e reeleito em 2010 com 81.380 votos pela região Central do Estado. Foi Secretário-adjunto de Ciência e Tecnologia de São Paulo (1987-1988) e Prefeito de Araraquara (1993-1996).

Para reclamar: Fones: (11) 3886-6834 / 3886-6838
E-mail: rmassafera@al.sp.gov.br

(*) Com informações na Agência Alesp

Return top








Sylvio Micelli

Criar seu atalho


INFORMATION

Change this sentence and title from admin Theme option page.
16 visitantes online agora
8 visitantes, 8 bots, 0 membros
Máx. de visitantes hoje: 24 às 01:44 pm BRST
Este mês: 30 às 02-01-2012 11:59 am BRST
Este ano: 94 às 01-07-2012 08:36 pm BRST
No total: 111 às 03-18-2011 02:35 am BRT