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O Brasil na Copa, o “estilo Dunga” e a mesmice da Imprensa

por Sylvio Micelli

Depois de dois jogos do Brasil na Copa do Mundo já é possível uma análise mais detalhada sobre a relação conturbada do técnico Dunga com a Imprensa. Como muitos já sabem, não faço parte do coro contra o técnico pelo qual tenho profundo respeito.

Já escrevi antes e reitero aqui, que acredito que o Brasil não será campeão, apenas por fatores extra-campo, principalmente pela realização da Copa de 2014 aqui. Muitos vão dizer que vejo fantasmas onde não existem, mas sempre tive a impressão de que Copa do Mundo é, sobretudo, uma disputa que envolve elementos políticos muito bem cristalizados. Basta analisar os campeões ao longo desses 80 anos e a interferência e/ou uso político da competição.

Dentro do contexto da atual disputa, a Copa do Mundo, até aqui, tem sido fraca. Os resultados são assustadores com tropeços de Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália todas consideradas como “sérias candidatas ao título” no discurso uníssono dos repórteres e comentaristas esportivos. A Holanda, outra sempre bem cotada, venceu mas não convenceu. E a Argentina, como até eles sabem, tem uma defesa sofrível e um ataque maravilhoso.

Contra a Coreia do Norte, a seleção brasileira foi fraca na primeira etapa. No segundo tempo jogou para o gasto e conseguiu ainda tomar um gol. O resultado de 2 a 1 fez sucesso na mídia do fiasco que estampou caras e bocas de Dunga no dia seguinte. Os gols de Maicon e Elano, em ótimas jogadas, pouco dominaram o noticiário que prefiriu explorar ao máximo o “estilo Dunga”, sempre de forma depreciativa. O Brasil foi fraco? Sim, sem dúvida. Mas poucos analistas observaram a forte marcação da equipe norte-coreana que se fechou para perder de pouco.

Foram acontecendo os jogos das “favoritas”. Com estas derrotadas ou amargando empates começaram a dar o devido valor para a seleção brasileira.

Agora há pouco, o Brasil deu um baile na Costa do Marfim considerada, ao lado de Gana, como as mais fortes seleções do continente africano. O Brasil começou titubeante e aos poucos dominou o jogo. Fez 3 a 0 e poderia ter feito mais. Em jogadas de Kaká, que ainda precisa melhorar muito, Luís Fabiano por duas vezes e Elano marcaram. O centroavante, por sinal, fez um belíssimo gol que remete ao histórico gol de Pelé contra o País de Gales na Copa de 1958. O Brasil ainda tomou um gol de Drogba numa falha de marcação, mas que não alterou o seu domínio em campo.

O fraquíssimo árbitro francês, Stephane Lannoy, permitiu que os marfinenses descessem a botinada e Kaká, até por ingenuidade, foi expulso por uma “simples” ombrada.

Fim de jogo e o Brasil, ao lado da Holanda, já está classificado para as oitavas de final da Copa da África do Sul.

Se a equipe ainda não mostrou um futebol de excelência fez o que dela se esperava e que o mundo inteiro reconhece. Menos aqui.

O que a mídia brasileira precisa aprender é o seguinte:

1. O Brasil é o país do futebol. Isso é óbvio. Portanto, há milhares de seleções possíveis e nunca, jamais, em tempo algum, alguém vai agradar a todos. Nem Telê Santana, querido pela mídia e que em 1982 montou a melhor seleção que vi jogar deixou de responder os porquês da convocação do goleiro Waldir Peres, só para citar um exemplo;

2. Muitos que idolatram Luiz Felipe Scolari que, por méritos, foi campeão com a seleção de 2002, esquecem-se de que o Brasil foi muito beneficiado no jogo contra a Bélgica nas oitavas de final daquela Copa. Por sinal, para que fique bem claro, Felipão e Dunga fizeram a mesma “escola”;

3. O Brasil é reconhecido no mundo inteiro. As equipes tremem ao ver a camisa amarela em campo. Isso foi nítido nas duas partidas. Mas aqui ainda preferem valorizar produtos de fora.

É claro que quando o Brasil perder, se perder, a mídia vai criticar tudo, todos e mais um pouco. Mas o “estilo Dunga” já fez com que muitos ficassem calados ou revessem os conceitos.

Agora é aguardar pelos duelos da Península Ibérica. Um, já marcado contra Portugal. E outro, bem provável contra a Espanha.

EXCLUSIVO: Uma audiência de conciliação só com promessas no TJ-SP

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Promessas e nada mais. Este é o resumo da audiência de conciliação da Ação de Dissídio Coletivo por Greve que aconteceu na manhã desta quinta (17) no Fórum João Mendes e que teve a participação dos advogados das entidades, representantes do governo e do Ministério Público. O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, também esteve presente como preposto do Sindicato União dos Servidores do Poder Judiciário. Participaram, ainda, Lilian Salvador Paula da Secretaria de Recursos Humanos representando o TJ-SP e o juiz auxiliar da presidência, João Batista Morato Rebouças de Carvalho.

O desembargador Hamilton Elliot Akel, relator da Ação de Dissídio Coletivo por Greve, deu início à audiência explicando os motivos de sua liminar contra a greve. Alegou que uma “liminar não aprecia o mérito”. Em 11 de maio, ao analisar a petição apresentada pelo Sub-Procurador Geral do Estado, Ary Eduardo Porto, em outra audiência de tentativa de conciliação, Elliot Akel decretou a “ilegalidade” da greve dos Servidores do Judiciário. Avocou o fumus boni juris e o periculum in mora para justificar sua decisão. Comentou também sobre os outros movimentos dos advogados das entidades junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Disse, enfim, que “não se afastaria de sua posição de mediador” da questão.

Reposição Salarial

Em seguida houve manifestação dos advogados, representante do MP e do Executivo. Foi reiterada a necessidade da reposição salarial de 20,16% como cumprimento constitucional. A contraproposta do TJ-SP foi a reapresentação da perspectiva de encaminhamento à Assembleia Legislativa de projeto de lei de 4,17% retroativo a 1º de março. Houve discussão em torno do índice porque pelo INPC, o percentual é 4,77%. O juiz auxiliar da presidência, Rebouças de Carvalho, argumentou que “tecnicamente poderá ser estudado o índice correto” e afirmou que “o TJ-SP continua aberto a conversar”.

O presidente da Assetj, José Gozze afirmou que o TJ tem autonomia para conceder a reposição mediante majoração da Gratificação Judiciária e que um projeto de lei encaminhado à Assembleia “dificilmente será aprovado”. “Nós já temos o Projeto de Lei Complementar nº 479/2004 que trata da reposição de 26,39% e que, simplesmente, não tramita na Alesp”, opinou.

O representante do governo afirmou que não havia recursos para suplementação orçamentária e que, no entendimento do Executivo, a aprovação do Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores (Lei nº 1111 de 25/05/2010) já era a motivação necessária para o encerramento da greve iniciada em 28 de abril.

Lilian Salvador analisou que o TJ-SP “não tem orçamento para os 4% e que a suplementação orçamentária é necessária”. Gozze retrucou a ambos afirmando que “o Tribunal tem dinheiro suficiente para o total da reposição”. Segundo ele basta suspender o pagamento de indenização “especialmente a juizes e desembargadores” que há verbas para os 20,16%.

Em seguida passou-se a discutir o Orçamento. O TJ apresentou uma proposta de incluir o percentual de 20,16% na peça orçamentária para o próximo ano. É importante ressaltar que o Orçamento é votado pela Assembleia Legislativa e sancionado pelo Governo do Estado e que não há garantias, portanto, de que esse recurso seja aprovado, mesmo para 2011.

Rebouças de Carvalho voltou a se manifestar afirmando que “são propostas reais e efetivas” e que o TJ “vai se empenhar em cumprí-las”. Disse, ainda, que é preciso “tempo, tranquilidade e razoabilidade” para atender às demandas dos servidores.

Dias parados da greve e outros assuntos

Sobre os dias parados, o desembargador Hamilton Elliot Akel afirmou que, em conversa com o presidente do TJ, desembargador Antonio Carlos Viana Santos, este diz ser “ponto inegociável” e que todos devem ser descontados. Comprometeu-se, porém, a encaminhar uma proposta para discutir a negociação dos dias parados no Órgão Especial na próxima quarta, “se a greve parar na segunda”.

Outros assuntos foram abordados como um Departamento Médico exclusivo a servidores, novos concursos, majoração dos auxílios, mas sem nenhuma perspectiva concreta.

Avaliação

O presidente da Assetj avaliou negativamente a audiência. “Tivemos aqui só promessas e nada de efetivo ao servidor. O pior de tudo é constatar que o Executivo destrata o Judiciário que desconta no servidor. É lamentável.”

Ao descer na Praça João Mendes, centenas de grevistas aguardavam por informações. Diante do relato restam duas certezas: de que a greve continua e de que muito trabalho deverá ser feito para a conquista dos nossos direitos.

A conciliação torna-se infrutífera, a partir do momento que o TJ “vende” algo que não pode entregar. De nada adianta apresentar projetos de lei na Assembleia Legislativa com reposição salarial de 4%, 20% ou 200%, ainda mais num ano eleitoral, que estão fadados a cair no esquecimento. Roga-se, mais uma vez, a altivez – até aqui inexistente – do maior Judiciário do País.

AGENDE-SE

22 DE JUNHO – 56º DA GREVE – TERÇA-FEIRA – 14 HORAS – REUNIÃO COM O COLÉGIO DE LÍDERES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO

23 DE JUNHO – 57º DA GREVE – QUARTA-FEIRA – 14 HORAS – NONA ASSEMBLEIA GERAL ESTADUAL NA PRAÇA JOÃO MENDES

Vídeo: Gozze fala à praça depois da audiência de “conciliação”

Vídeo gravado pelo jornalista Sylvio Micelli

Democracia restabelecida na Praça João Mendes – 50 dias de uma greve histórica. E que continua…

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Mais de 10 mil Servidores do Judiciário de São Paulo decidiram por unanimidade continuar a greve iniciada em 28 de abril. A deliberação ocorreu na oitava Assembleia Geral da categoria que aconteceu na tarde desta quarta (16) na Praça João Mendes, no Centro da Capital.

O dia começou tenso. Havia dúvidas sobre a realização da Assembleia tendo em vista a proibição feita pela Prefeitura da Cidade de São Paulo atendendo a um ordenamento da presidência do Tribunal de Justiça. Representantes e servidores reunidos na sede da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj) discutiam, com a presença do deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL), estratégias do movimento.

Às 13 horas, a Praça João Mendes já estava repleta. Inicialmente, funcionou um equipamento de som de menor capacidade. Em seguida, decidiu-se pela montagem do palco como aconteceu em outras assembleias. A Polícia Militar tentou desmontar o aparato. Próximo das 14 horas, o Mandado de Segurança impetrado pela Assetj teve liminar favorável da juíza Sílvia Maria Meirelles Novaes de Andrade da 12ª Vara Cível do Fórum João Mendes. Em sua decisão, a magistrada colocou cada qual no seu lugar. Determinou que a Polícia Militar e a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) deveriam se abster de “prejudicar” a realização do ato, por ela reiterado como constitucional (Art. 5º, XVI) e assegurar que a Assembleia ocorresse de forma pacífica. A notícia, lida pelo presidente da Assetj, José Gozze, foi aplaudida efusivamente pelos manifestantes. A realização da Assembleia estava garantida e a democracia estava restabelecida na Praça João Mendes (Clique nos arquivos para ler a decisão).

A condução dos trabalhos nesta Assembleia não foi diferente das outras semanas. Manifestações em defesa da continuidade da greve diante da intransigência do Tribunal de Justiça foi o mote principal dos discursos. Os representantes também parabenizaram os colegas que ocuparam o Fórum João Mendes na semana passada. Os deputados estaduais Carlos Gianazzi, Major Olímpio Gomes (PDT) e o deputado federal Márcio França (PSB/SP) prestaram seu apoio aos grevistas. Gianazzi informou, ainda, que trabalha em conjunto com outros parlamentares na Assembleia Legislativa para que seja criada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Judiciário, principalmente para abrir a “caixa preta” do Poder. A praça, literalmente, comemorou a informação como um gol em final de campeonato. Ficou agendada uma reunião dos representantes das entidades com o Colégio de Líderes do parlamento paulista para a próxima terça-feira, dia 22 de junho, às 14 horas.

Deliberações

1. De forma unânime manteve-se a greve geral por tempo indeterminado;
2. A próxima Assembleia Geral foi marcada para quarta-feira, dia 23 de junho, às 14 horas, na Praça João Mendes;
3. Foi aprovada a realização de uma vigília permanente na Praça João Mendes;
4. Haverá vigília durante a Audiência de Conciliação da Ação de Dissídio Coletivo que acontece nesta quinta (17), às 10 horas;
4. A praça aprovou o encaminhamento de toda a documentação sobre os pleitos dos Servidores do Judiciário à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras entidades religiosas em busca de apoio ao movimento;
5. Será estudada a possibilidade de que servidores doem sangue num exercício de cidadania em respeito à toda sociedade;
6. Foi aprovada uma passeata ao final da Assembleia e um ato conjunto com os Servidores da Justiça Federal, também em greve.

Passeata pelo Centro e fechamento do João Mendes

Pouco antes ao final da Assembleia Geral, por volta das 16 horas, o Fórum João Mendes foi fechado. Pouco antes o Fórum Hely Lopes Meirelles, no Viaduto Dona Paulina, também havia sido fechado.

Ao final da Assembleia dos Servidores Estaduais foi realizado um ato conjunto com os Servidores Federais que estão em greve há 40 dias. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud) manifestaram seu apoio aos colegas estaduais e também receberam aplausos pela mobilização.

Em seguida, uma grande, mas pacífica e ordeira passeata percorreu o caminho da Praça João Mendes, Rua Conde do Pinhal, Largo Sete de Setembro, Praça João Mendes, Rua Anita Garibaldi, Praça Clóvis Bevilacqua, Rua Roberto Simonsen, Rua Anchieta e Páteo do Colégio, quando os presentes fizeram um manifesto em frente à Secretaria de Estado da Justiça. O retorno foi feito pela Praça da Sé e Praça João Mendes com nova concentração em frente à sede da OAB-SP.

O ato conjunto e a Assembleia foram finalizados na Praça João Mendes no começo da noite paulistana.

AGENDE-SE

17 DE JUNHO – 51º DA GREVE – QUINTA-FEIRA – 10 HORAS – AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO DA AÇÃO DO DISSÍDIO COLETIVO DA GREVE NO FÓRUM JOÃO MENDES

22 DE JUNHO – 56º DA GREVE – TERÇA-FEIRA – 14 HORAS – REUNIÃO COM O COLÉGIO DE LÍDERES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO

23 DE JUNHO – 57º DA GREVE – QUARTA-FEIRA – 14 HORAS – NONA ASSEMBLEIA GERAL ESTADUAL NA PRAÇA JOÃO MENDES

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Sylvio Micelli

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