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[Copa América 2011] O Brasil na Copa América: as verdades sem enrolação


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Inicio este post com um pedido de desculpas ao amigo, à amiga do Canelada. Queria ter feito uma cobertura da Copa América, uma análise legal (ao menos tentar) de jogo a jogo mas, infelizmente, o tempo – este maldito – não me permitiu tal compromisso. Como eram dois jogos por dia, tudo acabou acumulando e não tive mais como escrever sobre a Copa América.

Segundo, que fiz questão de escrever este texto após ver o VT do jogo Brasil e Paraguai, que não pude acompanhar ao vivo devido ao retorno de uma viagem. Nem mesmo ouvi o jogo no carro. Apenas consegui sintonizar algum dial, justamente, na hora da cobrança dos pênaltis.

Pois bem. Desculpas e explicações feitas, vamos malhar em ferro frio e só para (não) variar, eu vou na contramão das opiniões reinantes, até porque, no meu humilde entender e pensar, muita bobagem foi escrita e dita após a eliminação do Brasil pelo “esquadrão” de Larissa Riquelme.

É sempre assim. O Brasil perdeu, a culpa é do técnico, da CBF, do Ricardo Teixeira, da Dilma, do gramado, do Kassab, do Datena e como diria Carlos Heitor Cony, ainda não encontraram os ossos da Dana de Teffé.

Quase ninguém fala da culpa dos jogadores e do establishment que envolve esses atletas, tratados como sultões, porque a paixão pelos clubes que todos defendemos e pelos mitos, ainda que tenham pés-de-barro, impede uma análise ao menos razoável. Por isso, coloco minhas ideias para fomentar o debate.


O jogo

Obviamente que o Brasil não foi nenhuma maravilha. Mas o jogo em si, foi o ataque brasileiro contra a defesa paraguaia. Foi a melhor partida do time na Copa América e, salvo engano, o melhor jogo do Brasil sob o comando de Mano Menezes. A equipe falhou na finalização, durante longos 120 minutos e foi extremamente incompetente na cobrança dos pênaltis. Deve, também, ter sido a melhor partida na vida do goleiro paraguaio Justo Villar.

A rigor, portanto, a eliminação do Brasil foi um acidente de percurso, tal e qual por exemplo, a eliminação do País na mesma competição, dez anos atrás. Para quem não se lembra, em 23 de julho de 2001, o time de Luiz Felipe Scolari foi eliminado em Manizales, na Colômbia, pela “fortíssima” seleção de Honduras. Muito se falou sobre o técnico, a CBF e blá blá blá blá… Com poucas alterações, Felipão foi campeão do mundo no ano seguinte e calou a boca de todos até porque os cães sempre ladram e a caravana sempre passa. E depois que Felipão ganhou o mundo, ninguém se lembra de que ele perdeu a Copa América.

Como já tive a oportunidade de escrever aqui para o Canelada incomoda-me, sobremaneira, esse complexo de vira-lata que parte do povo tem. Tem gente que não quer a Copa no Brasil. Tem gente que não quer as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Prá piorar, a próxima Copa América, em 2015, também será aqui.

Tem gente que adora falar mal. Tem gente que gosta de torcer contra. Tem gente que deu graças a Deus porque o Brasil foi eliminado porque os atletas podem voltar aos clubes. Sei lá… Tô ficando cada vez mais velho, mais chato e mais ranzinza, mas venho de um tempo, não tão remoto assim, que a gente sentia orgulho dos jogadores que eram convocados para defender a Pátria de chuteiras.

Cadê aquela brasilidade de outrora? Nessas horas eu gostaria que tivéssemos o nacionalismo do povo americano ou até do japonês, mas somos brasileiros e tudo o que está aí é o reflexo, direto ou indireto, de cada um de nós. Doa a quem doer.

O brasileiro, no geral, não sabe perder. Não sabe nem mesmo reconhecer a competência adversária e, como a derrota, assim como a morte, são órfãs, sempre busca-se a desculpa certa para explicar o inexplicável. Mais que isso, busca-se o culpado para jogar sobre ele todas as nossas outras mazelas estruturais que não sabemos resolver.

Ora… o Brasil é o atual bicampeão da Copa América. Bicampeão sobre a Argentina, ainda. Reclamamos do quê, afinal? A eliminação contra o Paraguai foi uma fatalidade e o maior problema do Brasil não foi o jogo de domingo, mas os três jogos da fase de classificação, quando empatamos com Venezuela e o mesmo Paraguai e apenas vencemos o Equador, que foi o saco de pancadas do grupo. Se a Venezuela e o Paraguai estão nas semifinais e o Brasil não está, é porque ambos foram, da forma deles, mais competentes que nós. Simples assim. E dane-se quem fez bico (Mano Menezes) porque o Paraguai empatou os quatro jogos. Aquela seleção poderá empatar todos os jogos e ser campeã nos pênaltis e assim o regulamento permite.


Os vilões

No Brasil, o técnico é sempre o primeiro que vai ao cadafalso. Além de ser mais fácil, é uma cultura burra nossa (vide o texto sobre a demissão do Falcão da colega Marcela Semler) e que dela não conseguimos nos livrar.

Mano Menezes foi subindo degrau a degrau, desde o Interior do Rio Grande do Sul. Chegou ao Corinthians para fazer a melhor campanha da série B, ganhar o Campeonato Paulista – o regional de maior disputa – de forma invicta, vencer a Copa do Brasil de forma soberba. Foi eliminado na Libertadores do ano seguinte, nas oitavas de final diante do Flamengo, depois de ter ganho as seis partidas na fase inicial. Saiu para assumir a seleção, deixando o Corinthians na liderança do Campeonato Brasileiro, até porque Muricy Ramalho, que era treinador do Fluminense à época, não quis a seleção brasileira alegando ser cumpridor de contratos, coisa que ao final ele não fez.

Aí eu pergunto: reclamam do quê? Não era, afinal, essa a seleção que os lambe-sacos da imprensa patropi queriam? Todos os atletas que a grande maioria das pessoas queria lá, Mano Menezes trouxe.

Dunga quase foi excomungado no ano passado porque não levou a “criançada” para a Copa. Na verdade, Dunga caiu em desgraça porque não deu atendimento Vip à Globo na África do Sul. Cheguei a ouvir e ler no ano passado, antes da Copa, que a seleção brasileira era Neymar, Paulo Henrique Ganso e mais 9.

E aí dizem que o Mano não sabe escalar? Muita gente na imprensa chegou a afirmar que com a dupla Neymar e Ganso, bastava distribuir as camisas que o resto eles destruíam.

Ah, já sei. Os jogadores devem estar cansadinhos, né? Estão numa rotina estressante, mesmo ganhando seus milhões. Os que jogam na Europa vão justificar que estão no final de temporada e que o calendário é complicado e blá blá blá blá. Os que jogam no Brasil vão alegar que acabou, há pouco, os campeonatos estaduais, a Libertadores e que o calendário é complicado é blá blá blá blá. Isso sem falar naquelas desculpas velhas como a falta de entrosamento e as contusões.

A questão fundamental é a seguinte. Há jogador e há treinador que servem apenas para time. E de preferência time pequeno, aonde a cobrança é pouca. Fica mais fácil. Não tem que carregar o peso de uma camisa com milhões de torcedores nas costas. Não tem que carregar o peso de vestir a camisa amarela e seus 190 milhões de técnicos. Sendo assim, o jogador ou jogadores, quaisquer que sejam eles, fazem qualquer frescurinha e aí aquela meia dúzia de gatos pingados que nem enchem estádio acham o máximo. E a mídia – que vende qualquer coisa – abraça a causa.

Agora, depois do fracasso na Copa América, um ou outro começa a pensar se Dunga não tinha razão. Se até Dorival Júnior, que ousou peitar a molecadinha mass media, também não tinha razão.

Outro culpado das mazelas do futebol brasileiro, já eternizado, é Ricardo Teixeira. Particularmente, acho o cara podre e incomoda-me vê-lo há séculos no comando da Confederação Brasileira de Futebol. Tirá-lo, porém, não é a solução dos problemas. Não é ele quem bate pênalti na lua. Não é ele que pensa no corte de cabelo ou nos contratos milionários do futebol europeu. A parada dele é muito maior e assim será com os seus sucessores, ainda que haja pessoas que gostem de se enganar.

Não dá, enfim, para misturar tudo no mesmo balaio de gato.

A responsabilidade real é dos jogadores, todos sem exceção, incluso os queridinhos da mídia. Foram eles que jogaram sem vontade contra a medrosa Venezuela que não deu um único chute a gol. Foram eles que acharam que venceriam o Paraguai a hora que bem entendessem no primeiro jogo e conseguiram empatar com um gol do reserva Fred no finalzinho da partida. Foram eles que resolveram jogar o segundo tempo contra o Equador, tomando ainda dois frangos. E até que eles bem que tentaram fazer “o que dava” para que o Brasil permanecesse na competição. Mas aí, sabe como é… a preocupação com a janela de transferências da Europa era muito maior.

A verdade sobre a eliminação é esta. Sem hipocrisia, sem tergiversações. E claro que você tem todo o direito de não gostar, mas com o devido respeito, a minha visão é de alguém que já acompanhou nove Copas do Mundo.

Em que pese ser um pensamento utópico, há muito tempo defendo uma seleção brasileira composta por jogadores que atuem apenas aqui no Brasil. Claro que eles devem almejar bons e merecidos contratos no futebol europeu, asiático ou no raio que o parta. Mas que comam a grama para chegar lá.

Hoje está tudo muito fácil. Qualquer caretinha que faz três embaixadinhas com a bola é chamado de craque, aparece empresário, às vezes da própria família e vira estrelinha.

Então é isso: enquanto permanecermos reféns dos empresários, da mídia tupiniquim, dos cortes ridículos de cabelo e da vaidade acima de tudo, o dilema será o mesmo.

E aí, meus caros, podem trocar o Mano Menezes por Telê Santana e Ricardo Teixeira por Jesus Cristo, que o resultado será o mesmo.

[Copa América 2011] Brasil 0 X 0 Venezuela… Uma ode à mediocridade!


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Frases que serão/foram ditas e/ou ouvidas, após a pífia, ridícula e letárgica estreia da “seleção” do Brasil na Copa América 2011 diante da medrosa Venezuela num empate de 0 a 0:

1. Toda estreia é difícil. A equipe está sem ritmo de jogo.

Mentira. As estreias ocorrem para ambos os lados. Seleções, geralmente, tem pouco tempo de preparo. Presume-se que sejam os melhores jogadores.

2. A ruindade do adversário contamina o time melhor.

Mentira. Em 21 jogos na história, o Brasil venceu 18, empatou dois e perdeu um. A Venezuela sempre foi ruim. Só contamina agora, no futebol moderno.

3. O gramado é muito ruim.

Mentira. É ruim para ambos e o bom artista trabalha em qualquer palco. Ainda mais no Brasil. A maioria desses “jogadores” cresceram em campo de chão batido que virava lama a cada chuva.

4. É difícil jogar contra um time que se arma na retranca.

Mentira. Qual é mesmo o melhor futebol do mundo? Quer empurrar bêbado na ladeira? O Brasil deve estar acostumado à retranca adversária e deve ter competência para furá-la.

5. Não existe mais bobo no futebol.

Mentira. Existe sim. O que tem de torcedor que ainda acredita…

6. Na Copa América passada começamos mal e fomos campeões.

Verdade e mentira. Classificamo-nos na “bacia das almas” contra o Uruguai e jogamos apenas contra a Argentina. Depois vimos a sequência “gloriosa” na Copa da África do Sul.

7. Os jogadores que atuam na Europa estão cansados porque é final de temporada.

Mentira. Eles estão preocupados com a janela de transferências em busca de mais alguns milhões de euros.

8. Os jogadores que atuam no Brasil estão em meio de temporada.

Mentira. Eles também estão de olho na Europa em busca de mais alguns milhões de euros.

9. Foi pênalti da Venezuela no primeiro tempo.

Mentira. Vá lá ler as regras do futebol. São apenas 17. Queria que o zagueiro venezuelano arrancasse o braço no jogada? O jogador Vizcarrondo foi perfeito ao interceptar um chute fraquíssimo de Robinho Cabeleira.

Esta, enfim, foi a alternativa que encontrei para escrever sobre um jogo que, a grosso modo, não houve um chute decente ao gol, exceção feita a uma bola na trave e a um chute cruzado ambos de Alexandre Pato.

Os goleiros Vega e Júlio César foram espectadores VIPs do “jogo” que pode assim ser resumido: Mano Menezes perdido. Defesa do Brasil tranquila porque a Venezuela, com medo, nem atacou. Meio de campo sem nenhuma criação e nossos atacantes patéticos. Preferiam a firula, o drible a mais, o excesso, que meter a bola para o fundo do gol.

E foi assim. De Julio César a Neymar, o time inteiro não passa de uma nota 3.

É preciso muito mais que cabelo, marketing, arrogância e mídia baba-ovo para jogar futebol.

O melhor em campo foi o cachorro que, a exemplo da Copa do Chile em 1962, invadiu o gramado em Ciudad de La Plata.

E depois tiramos sarro da Argentina…

Sorte do Brasil que Paraguai e Equador, em seguida, também empataram por 0 X 0, nesta fraca Copa América.

A “reestreia” do Brasil será no sábado, dia 9, contra o Paraguai, às 16 horas. Em seguida jogam Equador e Venezuela.

E não tem como não lembrar do grito da querida e amada torcida do Clube Atlético Juventus, a Ju-Jovem, em nossa querida no Setor 2 da Rua Javari na bella Mooca: “Ódio eterno ao futebol moderno!”

BRASIL 0 X 0 VENEZUELA

Local: Estádio Único de La Plata,
La Plata, Argentina
Data/Hora: 03/07/2011 – 16h
Árbitro: Raúl Orosco – Bolívia
Auxiliares: Efráin Castro – Bolívia e Marvin Torrente – México

BRASIL: 1-Júlio César, 2-Daniel Alves, 3-Lúcio, 4-Thiago Silva, 6-André Santos, 5-Lucas Leiva, 8-Ramires (16-Elano, 75’), 10-Paulo Henrique Ganso, 7-Robinho (19-Fred, 63’), 9-Alexandre Pato (18-Lucas Silva, 75’) e 11-Neymar. Técnico: Mano Menezes.

Cartão Amarelo: Thiago Silva (37’)

VENEZUELA: 1-Renny Vega, 16-Roberto Rosales, 20-Grenddy Perozo, 4-Oswaldo Vizcarrondo, 6-Gabriel Cichero, 8-Tomás Rincón, 14-Franklin Lucena, 11-César González (5-Giácomo Di Giorgi, 86’), 18-Juan Arango, 7-Miku (9-Giancarlo Maldonado, 77’) e 23-Salomón Rondón (15-Alejandro Moreno, 63’). Técnico: César Farias.

Cartões amarelos: Salomón Rondón (61’), César González (62’), Alejandro Moreno (93’)

Ficha Técnica by CA2011.com – Site Oficial da Copa América 2011
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[Copa América 2011] Pré-jogo: Brasil X Venezuela


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Meu avô materno ensinou-me que futebol é um jogo de onze homens contra onze homes. E que não se deve cantar vitória antes.

A vida também ensinou-me que o Corinthians pode ser derrotado pelo inexpressivo Tolima numa partida de Libertadores ou o desconhecido Mazembe pode tirar o glorioso Internacional gaúcho de uma final de um Mundial Interclubes.

A zebra está aí para quem quiser e todos os clubes, sem exceção, já tiveram aquele dia do “puta que pariu, o que aconteceu???”.

Daniel Alves alerta que se deve ter respeito à Venezuela e cita o empate de Argentina e Bolívia como exemplo.

Mas…

Há uma coisa na vida que também aprendi: é não ser hipócrita. Torço mesmo contra os adversários do Corinthians e não sou de fazer média.

Torço em menor proporção (minha Nação é a Fiel) para o Brasil.

Os números não mentem. A CBF informa. São 20 jogos desde 10 de agosto de 1969. São 18 vitórias do Brasil, um empate e uma derrota. São 82 gols a nosso favor, média superior a quatro por partida e apenas seis gols sofridos.

A maior goleada aconteceu na Copa América de 1999. Vencemos por 7 a 0. Foi a estreia do então moleque Ronaldinho Gaúcho na seleção e com um gol antológico. O técnico era Vanderlei Luxemburgo.

O pior resultado foi um amistoso na “Era Dunga” em 2008. Perdemos por 2 a 0 em Boston, nos Estados Unidos (Piada pronta…).

A Venezuela é o time mais fraco do grupo que ainda tem Paraguai e Equador. Sendo assim, vencer é obrigação.

Mesmo que Mano Menezes ainda não tenha encaixado o elenco.

Mesmo que o esquema que ele “definiu” seja “joga no Neymar e ele que se vire”.

Qualquer outra coisa é melhor nem pensar.

O time titular está confirmado com Julio Cesar, Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires e Paulo Henrique Ganso; Neymar, Robinho e Alexandre Pato.

Então, Brasil! É para ganhar da Venezuela e, de preferência para convencer. Para que nos outros jogos, o adversário nem durma à noite pensando em ver aquela camisa amarela ouro pela frente.

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