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Os 7 pecados capitais do TJ-SP e a greve que bate recorde

por Sylvio Micelli / Assetj

Para nossa tristeza, angústia, repulsa e mais tantos quantos adjetivos forem necessários, nesta quarta-feira 28 de julho, graças à inoperância do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os Servidores do Judiciário paulista completam 92 dias de greve. Desta forma, cai o recorde de seis anos atrás que, imaginávamos, jamais aconteceria. Mas aconteceu. E isso porque o TJ-SP peca.

Confira os sete pecados capitais cometidos pelo maior Judiciário do País e entenda porque a greve bate o recorde nesta quarta-feira:

AVAREZA

O TJ-SP sempre quer mais e mais para os seus magistrados (claro que há poucas exceções). Além dos salários não serem pequenos, pois tiveram um “pequeno” aumento de mais de 300% nos últimos anos e estão atrelados ao STF, intermináveis e polpudas verbas de indenização, laptops, livros, mais assessores, carros novos e toda a espécie de mimo são ofertadas, porque para o TJ-SP é mais importante TER do que SER. Cobiçam a tudo e a todos (inclusive verba destinada aos Servidores).

GULA

O TJ-SP é um saco sem fundos. Todos os recursos são destinados à magistratura, em sua imensa maioria. E por isso, esta é a marca registrada desta greve. Transformou-se numa luta de classes porque os Servidores estão cansados da política de “Casa Grande e Senzala” perpetrada pelo TJ-SP. É importante salientar que, se traçarmos um paralelo com a obra de Gilberto Freyre, na senzala o escravo ainda tinha a feijoada para se alimentar e os cabelos podiam ser lavados para que fosse retirado o pó de ouro para a compra da Carta de Alforria. Aqui no TJ-SP, furtam-nos até a farofa. Pior! Nem mesmo um pão com manteiga nos é permitido… Ah! Vai além! Já tem Servidor fazendo greve de fome para ver se o TJ-SP se comove…

INVEJA

O Poder Judiciário de São Paulo comporta-se de forma minúscula diante do Executivo e do Legislativo e é óbvio que isso incomoda o TJ-SP. Ele deseja ter os mesmos atributos, status, posses e habilidades dos outros dois poderes, mas depois da Reforma Administrativa de 1998 isso ficou praticamente impossível. Inveja os outros poderes, porque não sabe exercer o seu próprio poder. O TJ-SP prefere acreditar que a Teoria da Separação dos Poderes (ou da Tripartição dos Poderes do Estado) desenvolvida por Montesquieu e que moderou o Poder do Estado dividindo-o em funções é mera retórica.

IRA

Ódio eterno aos Servidores. Estes devem ser tratados como capachos sempre! O Órgão Especial do TJ-SP (exceção feita a 3, 4 ou 5 iluminados) tem dado lições explícitas de ira. O colegiado não sabe lidar com a democracia, nem tampouco com o oposto. Sabe aquela coisa do embate democrático no campo das ideias? O TJ-SP desconhece isso. Não tem competência para gerar conflitos. Acha que pode resolver tudo apenas julgando. E acaba por cometer falhas absurdas, por vezes até brutais e desumanas movido por uma raiva aos Servidores que lhe resolvem chamar à razão. Tem um rancor incontrolável. Quanto mais punição, melhor! Nem que para isso deixe servidores com fome, sede e frio. Nem que para isso chame a Polícia Militar armada até os dentes para enfrentar Servidores armados até o cérebro… Ah! Não nos esqueçamos do assédio moral nosso de cada dia…

LUXÚRIA

Boa parte da magistratura paulista (claro que sempre há exceções, ainda que ínfimas, até para justificar a regra) entende ser munida de dons especiais concedidos pelos deuses do Olimpo, como se o poder lhes emanasse da própria carne. Muitos comportam-se como Luís XIV de Bourbon, conhecido como o “Rei-Sol”, o maior monarca absolutista da França e dono da célebre frase “L’État c’est moi” (“O Estado sou eu”).

PREGUIÇA

O TJ-SP adora reclamar. Diz que nada pode fazer para mudar a situação. Afirma que Montesquieu é letra morta (veja INVEJA), lamenta que sua autonomia financeira não pode ser exercida, quando é ele quem deveria exercê-la. Boa parte dos magistrados quer que os processos cheguem prontos, afinal eles têm muito trabalho a fazer (como se os demais não tivessem). Mudar o status quo, enfim… dá muito trabalho!

SOBERBA

O TJ-SP não é humilde, mesmo com suas vísceras expostas por uma greve à beira de uma centena de dias. Acha-se auto-suficiente, mesmo nada resolvendo e ainda tem a pachorra de ridicularizar o movimento. Gosta de afirmar que ele não existe, ou que é muito pequeno, mesmo todos vendo exatamente o contrário (OAB, Imprensa e até outros juizes que suspenderam os prazos). Ora… se a greve é ínfima como alguns afirmam, por que advogados estão desesperados e juizes fizeram aquilo que o Conselho Superior da Magistratura (CSM) deveria ter feito, ou seja, suspender os prazos processuais?

Por esses e outros motivos, são 92 dias de luta. Uma luta desigual, de Davi contra Golias. Mas respaldados pela idoneidade de propósitos, nós, Servidores, triunfaremos!

Festa dos Grevistas para fundo de greve acontece nesta sexta (23), na Assetj Barra Funda

por Sylvio Micelli / Assetj

Acontece nesta sexta, 23 de julho, uma festa dos grevistas que estão com suas atividades paralisadas há 86 dias. O evento terá início às 19 horas na sede Barra Funda da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), que cedeu o espaço para que o evento seja realizado.

Os produtos que serão vendidos na festa (espetos, bebidas etc) foram repassados a preço de custo e toda a arrecadação será destinada ao fundo de greve. Além da cessão do espaço, gratuitamente, a associação arcará com o custo dos funcionários que estarão a disposição dos servidores para o evento.

Segundo José Gozze, presidente da Assetj, a associação abre seu espaço “como sempre fez para todos os movimentos do funcionalismo. Não seria diferente com os nossos Servidores. O evento é importante porque mostra a força da nossa greve e, principalmente, demonstra ao Tribunal de Justiça, que o congraçamento da família do Judiciário está mais forte do que nunca”.

Os convites para o evento estão sendo vendidos pelos grevistas em frente aos prédios do TJ-SP. Eles também podem ser adquiridos na porta da sede, amanhã.

A sede Barra Funda da Assetj fica na Rua José Gomes Falcão, 95, há pouco mais de 30 m da entrada de funcionários do Complexo Criminal Ministro Mário Guimarães (Fórum Criminal da Barra Funda). Para quem vier de carro ou ônibus o local tem fácil acesso pela Marginal Tietê, próximo ao estacionamento do Playcenter ou pela Avenida Marquês de São Vicente. A sede também fica próxima à Estação Barra Funda – Palmeiras do Metrô paulistano.

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 3291-4074 (telefone da greve) ou 11 – 3392-4666 (sede Barra Funda).

Serviço:

Evento: Espetinho (Festa dos Grevistas)
Animação: DJ
Horário: A partir da 19 horas
Local: Rua José Gomes Falcão, 95- Sede Barra Funda da Assetj
Valor do convite: R$ 5,00 (DÁ DIREITO A UM ESPETINHO) – Bebidas à parte
Convites à venda: Rua da Glória, 152- 4º andar ou na porta no dia do evento

Mais informações: com Júlia (11) 7182-1625 ou Célia (11) 9145-2872.

Greve continua. E baterá recorde na gestão Viana Santos

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Por unanimidade, os Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprovaram a continuidade da greve em Assembleia Geral que aconteceu na tarde desta quarta, dia 21, na Praça João Mendes, centro da Capital. Com a decisão, a greve iniciada em 28 de abril último baterá o recorde de 91 dias ocorrido na greve de 2004. Na próxima Assembleia marcada para a quarta, dia 28 de julho, o movimento completará exatos três meses e atingirá 92 dias de paralisação. É a maior marca na história recente do funcionalismo público do estado de São Paulo.

Parcelamento do desconto dos salários a perder de vista?

Pela manhã, atendendo a um convite feito pelo TJ paulista, representantes de Entidades se reuniram no Palácio da Justiça. A reunião contou com a participação de desembargadores membros das comissões de Orçamento e Salarial do TJ-SP. Foram eles: Samuel Alves de Mello Júnior, Antonio Carlos Malheiros, Fábio Gouvêa e Willian Campos.

O Tribunal não apresentou nada de novo. Foram apenas relatadas as propostas inseridas na peça orçamentária a ser encaminhada para a Assembleia Legislativa, ou seja, um cabedal de promessas já amplamente conhecido e, como já diversas vezes esclarecido, que não dependem do TJ-SP para a aprovação.

O TJ-SP conseguiu ir além nas suas “propostas”. Afirmou que, caso a greve acabasse hoje, poderia reduzir o desconto dos dias de greve de 10 (dez) para 5 (cinco) ou 3 (três) dias por mês.

A categoria rejeitou a “proposta”.

A greve continua! A greve continua!

Iniciada a Assembleia representantes de prédios, parlamentares e líderes de entidades se manifestaram.

O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, afirmou que “nós já cansamos de promessas do TJ-SP. Eles oficiaram às entidades como uma série de itens para o orçamento do ano que vem e eu não tenho dúvidas de que o governador vai cortar o orçamento de novo”. Gozze ainda ironizou a proposta de reduzir o desconto dos dias parados de dez para cinco. “É a proposta Casas Bahia. Você fica pagando o juros da greve durante os próximos quatro anos”.

A decisão não foi outra. A greve continua.

Além da continuidade do movimento foram aprovadas as seguintes propostas:

1. Realização de nova Assembleia Geral na quarta, dia 28 de julho, às 14 horas, na Praça João Mendes. Será a a décima-quarta Assembleia desde 28 de abril;

2. Realização de uma grande Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, assim que voltarem os trabalhos naquela Casa de Leis. O deputado Carlos Giannazi já reservou o espaço. O evento será em 04 de agosto, quarta, às 16:30 horas no Auditório Franco Montoro. É de suma importância a participação de todos. A audiência servirá como instrumento de pressão para a coleta de assinaturas para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário;

3. Realização de ato público em Brasília. Isso deverá ocorrer em agosto por conta do recesso parlamentar e judiciário do mês de julho;

4. Que servidores das cidades criem blogs na Internet para informação do movimento. Já há diversas cidades fazendo isso. Quanto maior a divulgação, melhor para o movimento. Há também grupos na Internet e o uso de redes sociais tem sido crescente para troca de ideias sobre o movimento.

5. Que sejam realizados abaixo assinados com advogados favoráveis ao movimento conforme texto que foi apresentado por um advogado em Assembleia Regional de Santos e que reproduzimos a seguir:

BASTA!!!!

Nós, advogados abaixo assinados, solidários com o pedido de REPOSIÇÃO SALARIAL DOS FUNCIONÁRIOS DO PODER JUDICIÁRIO, EXIGIMOS das autoridades competentes, uma solução imediata para o fim do movimento grevista que já dura mais de 80 (oitenta) dias, que só vem prejudicando a classe dos advogados e, principalmente, a população.

A inércia dos responsáveis diretos que, sem explicações convincentes e documentais, ficam vagando apenas com argumentações de que não há verbas não pode continuar!!!!!

É cediço o montante que o Poder Judiciário arrecada e, portanto, exigimos que seja cobrada do Presidente do Tribunal de Justiça a abertura das planilhas, a fim de demonstrar que as alegações não passam de palavras ao vento!

A situação encontra-se insustentável aos mais fracos: advogados, funcionalismo e, principalmente, a população.

A agressão física, moral e psicológica não é o que se espera de um
TRIBUNAL DE JUSTIÇA!!!!!

Nome                                                                                OAB

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Sylvio Micelli

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