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Uma final de Copa ruim, digna da Jabulani

por Sylvio Micelli

Ufa! Acabou! Uma Copa do Mundo horrorosa. E minha ira não é pelo fato de o Brasil ter feito uma campanha pífia. Gosto do futebol bem jogado, independente de país ou bandeira. Aliás, quem me conhece sabe que sou fã, por exemplo, da garra argentina, que também faltou nesta Copa.

Já não esparava um grande jogo na final. Por sinal, meu filho Victor, do alto dos seus 12 anos, já havia sentenciado na semana passada que Espanha e Holanda decidiriam na prorrogação ou nos pênaltis. Perguntei a ele o porquê. E ele respondeu-me de forma lacônica: “basta ver o que fizeram”. Ele acertou.

A Espanha foi campeã derrotando a Holanda na prorrogação e num jogo onde a violência prevaleceu. No começo da partida, a Espanha até pôs sua melhor qualidade em campo. Depois descambou a bater tanto quanto a Holanda. As maiores chances foram, ironicamente, do time holandês e nos pés de um de seus melhores jogadores. Robben falhou por duas vezes com importantes defesas de Casillas. Mas, como diz a molecada: vamos combinar! Não se perdem gols assim numa final de Copa do Mundo. Romário, no lugar de Robben, mandaria pra dentro, sem dificuldades.

No final da prorrogação, quando tudo indicava a decisão nos pênaltis, numa jogada que será reclamada pela Holanda nos próximos quatro anos, Iniesta (que resolveu jogar apenas na prorrogação) fez o gol que deu à Espanha o seu primeiro título. E com todo o respeito aos espanhóis, será muito difícil que La Furia conquiste outra Copa do Mundo, ao menos a médio prazo. O gol nasceu de um escanteio não marcado para a Holanda e de uma falta feita no atacante holandês Elia.

Enfim, o jogo de hoje lembrou-me a final do Campeonato Brasileiro de 1985 entre Coritiba e Bangu. Mais uma vez, com todo o respeito, temos um campeão, mas sem o mesmo brilho dos outros. E que me perdoem a sinceridade: temos como efetivos campeões de Copa do Mundo, Brasil, Uruguai, Argentina, Itália e Alemanha. Inglaterra e França são caseiros. E a Espanha venceu uma disputa longe da Europa onde o menos ruim durou até o fim.

Como sempre acreditei no apelo político da Copa do Mundo, um país dos PIIGS (*) venceu a Copa. Isso deve melhorar a economia e a autoestima da Península Ibérica.

Para quem acha que Brasil e Itália protagonizaram em 1994, a pior final de Copa apenas pela decisão nos pênaltis, discordo. Primeiro porque são Brasil e Itália e eram seis títulos mundiais em campo. O vencedor seria o inédito tetracampeão. Segundo porque o jogo aconteceu ao meio-dia no calor do Rose Bowl em Pasadena na tórrida Califórnia.

Seja como for, parabéns à Espanha e à grande colônia espanhola do Brasil.

O que sobrou da Copa da Jabulani

Vuvuzelas: uma corneta pé-no-saco que ensurdeceu o planeta e tirou o barulho da torcida nos estádios. Que ela seja sepultada junto com a Copa, para o bem do futebol.

Uruguai: a mística da Celeste Olímpica voltou. Sob o comando de Fórlan, uma equipe desacreditada que só foi à Copa na repescagem, ficou num honradíssimo 4º lugar. Já temo pelo Uruguai em 2014…

Jabulixo: uma bola tresloucada que gerou discussões até com a Nasa não podia dar uma boa Copa do Mundo. Tudo bem que seja a mesma bola para todas as equipes e jogadores, mas nunca uma bola trouxe tanta polêmica. Ela foi diretamente responsável por “frangos” risíveis e gols estranhíssimos.

Espelho meu: os grandes jogadores e estrelas do planeta negaram fogo. Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo, Rooney, Henry, entre tantos outros, ficaram pelo caminho. Foi a Copa de Schweinsteiger, Müller (a grande revelação), Sneijder e Forlán. Este último, eleito o melhor da Copa com a seleção uruguaia em quarto lugar, é prova de que foi uma disputa fraca. Mas ele merece o título por representar a garra sulamericana.

La mano de Dios (uruguaya): o lance de maior emoção, ao menos para mim, foi “la otra mano de Dios” de Luís Suárez do Uruguai contra Gana.

Invencível Oceania: a única equipe que não foi derrotada nesta Copa do Mundo foi a poderosíssima seleção da Nova Zelândia que teve três empates na primeira fase. Mesmo assim ficou em terceiro lugar no seu grupo. Ficou à frente da patética seleção da Itália e os jogadores foram recebidos em seu país como heróis nacionais.

Os Três Patetas: além da Itália, é melhor nem comentar a campanha da França, com toda a confusão que houve e até mesmo da Inglaterra que, mesmo chegando às oitavas de final em segundo lugar de seu grupo (atrás dos Estados Unidos que se classificou no último minuto), foi triturada pela Alemanha, ainda que o gol de Lampard tenha sido mal anulado.

Virgens: Foi uma final de equipes que jamais haviam vencido uma Copa do Mundo. A Espanha nem tinha chegado a uma final.

Perdeu mas ganhou: foi a primeira vez que uma equipe campeã foi derrotada em sua estreia. A Espanha perdeu da Suiça no primeiro jogo. Pior: a La Furia quase ficou fora da Copa. Se tivesse empatado com o Chile e a Suiça tivesse vencido Honduras, os espanhóis estariam fora. Ainda que Suiça e Espanha tivessem vencido seus últimos jogos na primeira fase, a Espanha jogaria com o Brasil nas oitavas de final.

Coadjuvante: a Holanda confirma sua fama de eterna vice. Não sei como se escreve o ditado “jogamos como nunca e perdemos como sempre”, que é atribuído à performance da seleção mexicana. Fica o recado. Aliás, lembro-me de um twit de uma amiga (@mariacarol) no final do primeiro tempo de Brasil e Holanda, quando ainda vencíamos. Ela escreveu algo mais ou menos assim: “a Holanda monta time bons, mas sempre perde no final. A camisa laranja tem cara de equipe de série B”.

E por tudo isso, a Copa da África do Sul já virou história. Agora o “polvo-profeta” Paul, aquele que acertou todos os resultados da fase final da Copa pode descansar em paz.

Que 2014, aqui no Brasil, as coisas sejam bem melhores. Até porque ficar pior não dá.

(*) PIIGS é um acrônimo pejorativo originalmente usado na imprensa de língua inglesa, sobretudo britânica, para designar o conjunto das economias de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (Spain em inglês). Em inglês o acrônimo significa “porcos”, animais por vezes usado em caricaturas para ilustrar a má performance econômica dos países. O termo começou a ser usado durante a crise econômica de 2008-2009, quando as economias dos PIIGS foram consideradas vulneráveis em razão do alto ou crescente endividamento e do alto déficit público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Wikipedia

Acabou a Copa Mercosul…

por Sylvio Micelli

Na semana passada, quando começaram as disputas das quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul, enchi-me de esperança e orgulho e decretei a muitos amigos: “vamos transformar isso numa Copa América dentro da Copa do Mundo”. Até chegaram a corrigir-me. Era, na verdade, uma Copa Mercosul pois Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai classificaram-se entre os oito melhores. E os quatro países fazem parte deste imbróglio chamado Mercado Comum do Sul, uma união aduaneira de livre comércio intrazona e política comercial comum que se arrasta desde a sua formação em 1995. Mas isso é uma outra história.

Voltando à Copa do Mundo eu via no horizonte uma final apoteótica entre Brasil e Argentina, o que era plenamente possível. Seriam semifinais entre Brasil e Uruguai e outra disputa entre Argentina e Paraguai.

A trilha do caminho mostrou-me, porém, que o futebol europeu mesmo sendo pasteurizado e talvez desprovido de emoção é tecnicamente perfeito. Parece até aquela escola de samba que não empolga na avenida, mas que tecnicamente cumpre todos os requisitos e é campeã.

Nosotros fomos sendo despedaçados pelo caminho. Primeiro, o Brasil. Perdeu o jogo e a cabeça para uma Holanda longe de suas melhores equipes mas que chega à final. Depois a Argentina com Messi, Tevez e Maradona foi estraçalhada pela Alemanha. Foram recebidos com alegria por seu povo, mas decepcionaram. O Paraguai caiu de pé. Vendeu caro a derrota para a Espanha. E de quebra apresentou a modelo Larissa Riquelme para o mundo.

O Uruguai foi mais longe. Conseguiu vencer Gana nos pênaltis depois de um jogo histórico, quando um outro pênalti contra cometido por Luis Suárez no último instante de jogo e perdido por Gyan deu aos uruguaios o ânimo necessário para a disputa final. Perdeu hoje da Holanda por 3 a 2. Mas foi por pouco. Mesmo com suas limitações, a aguerrida Celeste Olímpica, que chegou desacreditada à África do Sul, foi a melhor equipe sulamericana. Vamos lembrar que o Uruguai só foi à Copa na repescagem contra a Costa Rica.

A Holanda está na final. De outro lado virá Alemanha ou Espanha. Provavelmente, a Alemanha passa e deve ser campeã. Mas na horrorosa Copa da Jabulani tudo é possível.

Para mim, a Copa acabou.

Site Observatório da Imprensa publica artigo do jornalista Sylvio Micelli

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou o artigo “Desculpem os “entendidos” de futebol! Mas o Dunga é o menos culpado…” do jornalista Sylvio Micelli.

No artigo, Micelli faz uma análise da eliminação do Brasil para a Holanda e o comportamento da mídia em relação ao técnico Dunga, sobretudo no caso Rede Globo.

Para publicação no site do OI, o artigo teve seu título reduzido para “Dunga é o menos culpado”, além de intertítulos colocados pela edição. Está publicado na seção “Jornal de Debates”.


O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

Nascido como site na web, em maio de 1998 o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão (confira a grade horária no site do programa).

Em maio de 2005, o Observatório da Imprensa chegou ao rádio, com um programa diário transmitido pela rádio Cultura FM de São Paulo, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro, e rádios Nacional AM e FM de Brasília. Os áudios dos programas, na forma de um blog, estão disponíveis no site do OI.

Leia o artigo no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo no blog do jornalista Sylvio Micelli

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