Tagged: Copa do Brasil

Douglas e Corinthians: o bom filho a casa torna 0

Douglas e Corinthians: o bom filho a casa torna


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

O meia Douglas Santos, o velho e bom “maestro” Douglas, está bem próximo do retorno ao Sport Club Corinthians Paulista. O anúncio, feito na noite desta quinta (2) de forma oficial, finaliza a negociação e realiza um velho desejo de Tite. O técnico corinthiano queria ter o meia no início do Brasileirão do ano passado, mas o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense não quis conversar sobre o assunto.

Agora, segundo Nota Oficial no site do Corinthians, o atleta está apalavrado com o clube e virá para São Paulo na próxima semana para realizar os exames médicos de praxe. O gerente de futebol Edu Gaspar, no entanto, deu o retorno como certo em programa veiculado pela TV Corinthians.


O retorno do “Maestro”

Douglas, prestes a completar 30 anos, tem passagens pelo Criciúma/SC (2002/5 e 2006), Caykur Rizespor/TUR (2005), São Caetano/SP (2006/8), Corinthians (2008/9), Al Wasl/EAU (2009) e Grêmio/RS (2010/1). Foi no Corinthians, porém, que o atleta ganhou projeção nacional e seus principais títulos (Brasileirão – B/2008, Copa do Brasil – 2009 e Paulistão – 2009).

Dono da camisa 10 e de uma raça e técnica invejáveis, Douglas logo caiu nas graças da Fiel Torcida. Foi um dos principais atletas do clube no retorno à Série A e também brilhou na campanha invicta do Paulistão e na Copa do Brasil.

Particularmente, como já pude escrever aqui, acho-o um jogador de ótimo nível, superior ao Montillo (Cruzeiro) e que tem empatia com a torcida. Cai como uma luva para a disputa da Libertadores.

Então, Fiel, se tudo der certo (e dará), vai sonhando com o time: Julio Cesar, Alessandro, Chicão, Leandro Castan e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex e Douglas (olha o nível do meio de campo…) e Liédson e Émerson no ataque…

Quem viver, verá…

E seja bem-vindo, Douglas! O bom filho a casa torna!

Já curtiu o Blog Canelada no Facebook? Vem cá!

Já leu outros textos do Jornalista Sylvio Micelli? Vem cá!

A Copa do Brasil e a subversão da ordem estabelecida no futebol 0

A Copa do Brasil e a subversão da ordem estabelecida no futebol


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Sei que há (poucos) torcedores que não gostam ou não valorizam a Copa do Brasil, ainda que o torneio dê uma vaga para a disputa da Libertadores da América ao seu campeão. Particularmente, tenho um verdadeiro fascínio pela competição porque ela tem o condão de subverter a ordem estabelecida do futebol brasileiro.

Quem acompanha o futebol – no meu caso há mais de três décadas – sabe muito bem que este esporte, no Brasil, vive um eixo protagonizado pelos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em maior escala e pelos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, em proporção pouco menor. Os demais estados contam, eventualmente, com algum representante no Campeonato Brasileiro.

Esta elite do futebol, obviamente, é responsável por fornecer a maior quantidade de campeões nacionais, quer seja em torneios de outrora, quer seja no Campeonato Brasileiro atual e, também, na Copa do Brasil.

Mas esta competição, criada nos mesmos moldes da Copa da Inglaterra, Taça de Portugal ou Copa do Rei da Espanha, tem seu brilho, justamente, por expor realidades diversas do esporte no Brasil e propiciar resultados dantescos e epopeias absurdas que fariam o Sobrenatural de Almeida, do querido Nelson Rodrigues, espantar-se.

Muitas vezes, ouvimos, vimos e lemos, narradores e repórteres afirmarem que o salário de um craque dos grandes clubes do futebol brasileiro é capaz de pagar a folha inteira de pagamento daquele clube humilde, mas de valorosos jogadores que também buscam um lugar ao sol. Só por isso, a Copa do Brasil já é bela. E ela gosta de pregar peças.

Só na Copa do Brasil é que podemos ver um Corinthians, até com boa vantagem, ser derrotado numa final para o Sport Club do Recife; ou ainda ver Santo André e Paulista, ambos aqui de São Paulo, calarem o Maracanã em finais contra o Flamengo e o Fluminense, respectivamente. Só na Copa do Brasil é que podemos ver um destemido Criciúma segurar o sempre poderoso Grêmio ou o Juventude, também fazer festa no Maracanã diante do Botofogo carioca.

E as zebras? São tantas e devastadoras que ficam na memória do torcedor ou no sarro dos rivais. Como esquecer os acidentes do Palmeiras diante do Asa de Arapiraca (2002), Santo André (2004), Ipatinga (2007) e a recente goleada para o Coritiba (2011)? Como esquecer da eliminação do todo poderoso Corinthians em 2005 para o aguerrido Figueirense? E o mesmo Corinthians, bicampeão nacional em 1998/1999, eliminado pelo Juventude, doze anos atrás. E o Santos de tanta gente, que foi eliminado pelo singelo CSA, em 1999, em plena Vila Belmiro? O mesma CSA que já havia aprontado para o Vasco em 1992 e o mesmo Santos derrotado pelo Ipatinga nos pênaltis em 2006?

A lista, enfim, é grande e há o imponderável para todos os gostos.

Neste ano de 2011, a Copa do Brasil tem como finalistas clubes tradicionais em seus estados, casos de Avaí e Ceará, mas sem a mesma história em âmbito nacional e campeões nacionais, como é o Coritiba (1985) e o sempre importante Vasco da Gama, quatro vezes campeão nacional (1974, 1989, 1997 e 2000).

Minhas fichas vão para uma final sulista entre Coritiba e Avaí e, pelo retrospecto, em que pese já não ter o mesmo ímpeto do início do ano, a equipe paranaense deverá ser a campeã.

Seja como for, a Copa do Brasil é o futebol na sua mais pura essência e espero que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) jamais tenha a “brilhante” ideia de unificar os títulos com o Campeonato Brasileiro. Isso seria tornar igual, coisas diferentes. A CBF já errou no ano passado ao misturar absolutamente tudo. Que deixe a Copa do Brasil em paz!

Futebol brasileiro: a soberba dos clubes; a arrogância da mídia 0

Futebol brasileiro: a soberba dos clubes; a arrogância da mídia


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Na última quarta-feira (04), o futebol brasileiro protagonizou uma das noites mais patéticas de sua história. De uma só vez, Internacional, Cruzeiro, Grêmio e Fluminense, foram eliminados da Libertadores da América. No dia anterior, o Santos soube segurar um empate no México e é o único classificado para a próxima fase do torneio. E que o alvinegro praiano acenda a luz amarela!

Não cabe aqui analisar os jogos (já temos blogueiros suficientes e competentes para isso) e sobre o meu time – Corinthians -, ainda mais patético, já fiz os devidos comentários sobre o “Tolimacausto” ocorrido em fevereiro.

Guardadas as devidas proporções e um ou outro diferencial, todos os times brasileiros foram eliminados pelo mesmo motivo: soberba, sempre inflada pela mídia ufanista que gosta de vender o Brasil como o país do futebol e “se esquece” e até desrespeita o adversário que está do outro lado.

Cheguei a ouvir e ver, ao longo dessa semana, que Cruzeiro e Santos reviveriam os históricos jogos da Taça Brasil de 1966 ou que Grêmio e Internacional fariam o GreNal do século. Prometeram, ainda, que o Fluminense, depois de sua épica classificação, estaria garantido para as próximas fases.

Esqueceram-se, porém, como diria Mané Garrincha de combinar com o adversário. Peñarol (URU), Once Caldas (COL), Universidad Catolica (CHI) e Libertad (PAR) entraram em campo “apenas” para jogar e venceram seus jogos. Calaram o Beira-Rio e a Arena do Jacaré. Fizeram festa no San Carlos de Apoquindo e no lendário Defensores del Chaco. Simples, assim.

Meus colegas jornalistas precisam entender que o futebol é o único esporte (salvo melhor juízo), onde há perigo real de que o melhor não vença, isso sem falar, nas questões éticas que passam, necessariamente, pelo respeito (que nem sempre se tem) pelo adversário do outro time.

Uma outra coisa que precisa ser bem analisada é sobre aquela velha retórica de que temos o melhor futebol do mundo e outras tantas frases “defeito” que se ouve, diz, escreve sobre o tema.

O Brasil, sim, é cinco vezes campeão do mundo, mas, certamente, passa por uma entressafra. Não conseguiu montar uma boa seleção com Dunga na Copa do Mundo, realizada no ano passado na África do Sul e Mano Menezes tem uma campanha apenas sofrível à frente do selecionado brasileiro.

Nem sempre de bons jogadores vive o futebol. No geral, o que vale é o conjunto da obra e por isso que muita gente se assustou com o Uruguai em 2010. A velha “Celeste Olímpica” está renascendo para o futebol e outros países sulamericanos querem e podem rivalizar de igual para igual com os brasileiros ou argentinos.

Deixemos, enfim, a empáfia de lado. O salto alto no futebol é sinal inequívoco de derrota.

P.S.: o mesmo se aplica à visão Rio-São Paulo que boa parte dos jornalistas esportivos tem. Muita gente falou a semana inteira que o Coritiba tinha uma campanha importante de mais de duas dezenas de vitória, mas… o campeonato paranaense, “veja bem… é fraco” e na Copa do Brasil, a camisa do Palmeiras “pesaria”. Realmente pesou e o Coxa arrasou.

É mesmo a Copa Libertadores tudo isso? 1

É mesmo a Copa Libertadores tudo isso?

por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Uma das maiores frustrações dos corinthianos e motivo de chacota de seus adversários, é o fato de o alvinegro do Parque São Jorge nunca ter conquistado o título sulamericano. Esta ausência, para os nossos adversários, ainda coloca em cheque a conquista do 1º Mundial de Clubes organizado pela Fifa e vencido pelo Corinthians em 2000. Isso, obviamente, é uma bobagem. Nas regras do Mundial de 2000 não existia a condição de ser campeão da Libertadores para a disputa. Além disso, o Corinthians foi convidado por ser uma das equipes mais importantes do País e, por “mera coincidência” era bicampeão brasileiro 1998/1999. O Timão ganhou o Mundial no mais importante estádio do mundo – o Maracanã – e no país do futebol. Então, para mim é risível essas piadinhas tolas de que o Corinthians não tem passaporte. Ganhou e pronto e tudo que nossos adversários falarem é blá blá blá e zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Voltemos à Libertadores. O torneio sulamericano, ainda com a aberração da participação de equipes mexicanas (por causa de grana), é uma competição absolutamente normal. O Corinthians não ganhou, simplesmente, porque não se preparou como deveria, como aconteceu com o episódio Tolima em 2011, quando claramente subestimou seu adversário e quando se preparou perdeu por circunstâncias do futebol como aconteceu contra o Palmeiras em 1999 e 2000 e contra o Flamengo no ano passado, apenas para citar alguns exemplos.

Nossos adversários que conquistaram o título sulamericano e não quero entrar aqui no mérito das conquistas (uns mereceram, outros nem tanto, outros venceram numa outra época), tem por mania engrandecer a Copa Santander Libertadores e compará-la ao nível da UEFA Champions League. Não! Não é. A Libertadores é, digamos, uma Copa do Brasil melhorada com clubes argentinos, uruguaios que vivem do passado e uma ou outra zebra.

A Libertadores, numa análise baseada em números é um torneio que envolve clubes brasileiros e argentinos fortes e, com exceção de uma ou outra equipe que passa por uma boa fase naquele determinado ano, reúne uma mulambada de dar dó. Com o devido respeito a todos os torcedores envolvidos, não há grandes diferenças, por exemplo, entre Jorge Wilstermann (BOL) ou Naviraiense (MS). Como também, exceto pela pegação de pé, não há diferenças entre o Palmeiras ser eliminado pelo ASA de Arapiraca na Copa do Brasil e o Corinthians ser derrotado pelo Tolima, ou o São Paulo perder uma final de Libertadores para o limitado Vélez Sársfield em pleno Morumbi.

Senão, vejamos: em 51 anos de Liberadores (o torneio começou em 1960), Argentina (22) e Brasil (14), ganharam a maioria absoluta de títulos. O Uruguai (8), com Peñarol e Nacional, vive do passado e há mais de 20 anos não ganha o torneio. Paraguai, Colômbia, Chile e Equador conquistaram, juntos, 7 títulos. Peru, Bolívia, Venezuela e México jamais venceram.

Então, amigos, nada de comparar o incomparável. É que tem clube brasileiro com mania de grandeza, acha que está na Europa, pensa que está lá e depois de uma crise de identidade percebe que é um time brasileiro, com todo o respeito e força que só o futebol brasileiro tem.

Champions League é outra história. São coisas absolutamente incompatíveis e é preciso parar com essa mania de comparar o futebol brasileiro ou sulamericano ao europeu. Lá, a realidade é diversa da que vivemos por aqui e ponto final. A única semelhança é que ambas as competições – Libertadores e Champions League – classificam para o Mundial da Fifa que, ainda bem, a partir do Corinthians passou a ser um torneio efetivamente mundial, substituindo aquela mísera partida que se realizava entre europeus e sulamericanos para definir o campeão “do mundo” e que na verdade era apenas a Copa Intercontinental. Obviamente, que há ainda o domínio de europeus e sulamericanos na disputa do mundial, mas o episódio Mazembe, clube africano que despachou o Internacional de Porto Alegre, ano passado, e fez a final contra a Internazionale de Milão, promete não ser algo isolado.

Piadas com o Corinthians todos fazem. Durante algum tempo, nos chamávamos de regionais. Em duas décadas, o Timão conquistou sete títulos nacionais, além de uma histórica performance na série B do Brasileiro. Um dia, se tiver que ser, o Corinthians vencerá a Libertadores e aí, todos aprenderão o que é Carnaval no meio do ano.

7 visitantes online agora
0 visitantes, 7 bots, 0 membros
Máx. de visitantes hoje: 10 às 02:03 am BRT
Este mês: 28 às 06-04-2017 07:36 pm BRT
Este ano: 31 às 03-30-2017 10:25 am BRT
No total: 111 às 03-18-2011 02:35 am BRT