Corinthians, Flamengo e Nelson Rodrigues no duelo das multidões
- abril 28th, 2010
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por Sylvio Micelli
Esta noite no estádio Mário Filho (irmão de Nelson Rodrigues), o bom e velho Maracanã, outrora chamado “Maior do Mundo”, Flamengo e Corinthians fazem a primeira partida pelas oitavas-de-final da Copa Santander Libertadores. Fossem outros tempos e, certamente, o Maracanã teria mais de 100 mil pessoas.
O estádio carioca traz ótimas recordações para nós, corinthianos.
Em 05 de dezembro de 1976, um domingo paradoxalmente chuvoso na capital mais ensolarada do mundo – o Rio de Janeiro -, aconteceu a chamada “Invasão Corinthiana” no jogo semifinal contra o Fluminense. Quase 150 mil pessoas, metade corinthiana, dividiu o Maracanã pau-a-pau com a torcida do Fluminense. Carlos Alberto Pintinho marcou para o tricolor do nosso inesquecível Nelson Rodrigues. Mas Ruço, o “beijinho doce” imortalizado pelo não menos imortal Osmar Santos, selou o empate. Nos pênaltis, o goleiro Tobias defendeu duas cobranças e o Corinthians classificou-se para a final do Brasileiro daquele ano. Foi derrotado depois pelo muito superior time do Internacional gaúcho, que conquistaria o bicampeonato em 1976 com a maravilhosa equipe comandada por Paulo Roberto Falcão. Independente disso, a “Invasão” está na história, na alma e no coração de qualquer corinthiano e, quiçá, de qualquer um que adore futebol.
Mais de 24 anos depois, o alvinegro do Parque São Jorge voltou a fazer festa no Rio. Em 14 de janeiro de 2000, o Corinthians venceria o I Mundial Interclubes promovido pela Fifa. O jogo contra o Vasco da Gama foi para os pênaltis depois de um empate em 0 a 0. Nos pênaltis, Dida defendeu a cobrança de Gilberto. Os corinthianos Rincón, Fernando Baiano, Luizão e Edu converteram. Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo” da Fiel, perdeu quando teve a chance de decidir. Os vascaínos Romário, Alex e Viola marcaram. Edmundo perdeu quando poderia empatar a disputa. Corinthians campeão do mundo, mesmo tendo o título contestado por aqueles que não têm. A argumentação é pífia. O Corinthians não pode ser campeão do mundo, segundo nossos contrários, porque não venceu uma Libertadores e “porque não tem passaporte”. Pura inveja. Foi um torneio organizado pela entidade máxima de futebol. A final foi no mais famoso estádio do mundo e o Corinthians representou o Brasil como bicampeão brasileiro (1998-1999). Acho que o Campeonato Brasileiro é mais difícil que a Libertadores. Enfim, cada um com o seu cada qual…
As maiores torcidas do mundo – algo em torno de 70 milhões – jamais viram uma decisão de Campeonato Brasileiro, mas poderão ver hoje e na semana que vem, a decisão de quem permanece na disputa continental em 2010.
É muito injusto! Corinthians e Flamengo deveriam fazer uma final de Libertadores. Não uma partida intermediária. Mas quis o destino assim.
O Corinthians fez sua parte. Mesmo não mostrando um futebol convincente classificou-se, sem maiores problemas, num grupo fraco com o dobro de pontos do segundo colocado. Foi a melhor equipe dentre as 32 que disputam e levará a vantagem de jogar em casa todas as decisões até onde conseguir chegar.
O Flamengo, por sua vez, classificou-se na velha e tosca “bacia das almas” dependendo de uma combinação de três resultados para continuar vivo na Libertadores.
Dois times de respeito. Dois times de história. Dois times com problemas.
Ronaldo e Adriano, duas estrelas mundiais, estão muito aquém de todo o futebol que sabem. Mas os outros jogadores dos dois times têm qualidades. E todo cuidado é pouco.
Que me perdoem as outras torcidas. Mas Corinthians e Flamengo é o maior clássico do planeta. Ouso complementar o que mestre Nelson Rodrigues afirmou com o “Fla-Flu começou 40 minutos antes do Nada”. Se ele estiver correto – e os mestres sempre estão – Palmeiras e Corinthians fizeram a preliminar. Corinthians e Flamengo fizeram o jogo principal.
É que nós, brasileiros, adoramos exaltar o que vem de fora e preferimos outros duelos como Barcelona X Real Madrid, Milan X Internazionale ou, até, Boca Jrs. X River Plate. Fosse esse jogo num país europeu e o mundo pararia.
Seja como for. O Brasil vai parar. Exceto para os torcedores que sobrarem das outras equipes que estiverem jogando no mesmo horário.
Nelson diria que “cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.” Será hoje o ideal dos anti-corinthianos.
Se fosse um jogo de truco seríamos nós e eles. E assim será sempre quando o Corinthians estiver envolvido.
Que vença o melhor. E que o Corinthians seja esse melhor.
por Sylvio Micelli
por Sylvio Micelli
