Salário Mínimo: a discussão de dois bêbados por uma garrafa de pinga
- fevereiro 24th, 2011
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por Sylvio Micelli
A presidente Dilma Rousseff (PT) chega aos 50 dias de governo, cercada pelas discussões que envolvem o salário mínimo nacional. Salvo melhor juízo, é a questão mais relevante desde sua posse e que está diretamente relacionada ao Executivo e, obviamente, ao Legislativo nacionais.
Depois de um verdadeiro “leilão” de propostas com valores de R$ 540, R$ 545, R$ 560 e até R$ 600, a Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, a proposta original do governo de R$ 545, rejeitando-se todas as emendas que visavam majorar o valor. O Senado Federal não mexeu na proposta. Isso significa que o mínimo terá o gigantesco reajuste de R$ 1,17 por dia.
Diferentemente do aumento de mais de 61%, que os parlamentares votaram para si mesmos no final do ano passado gerando uma “revolta” nacional, as discussões sobre o mínimo nacional se arrastam e, para mim, parecem mais a discussão de dois bêbados por uma garrafa de pinga. Toda vez é sempre a mesma coisa. Os governantes de plantão, quaisquer que sejam eles, usam da mesma retórica neoliberal que, pensávamos, estava morta, cremada e dissolvida.
Mas a coisa não é bem assim. A discurseira é sempre a mesma. Que “o aumento de um real, impacta em não sei quantos milhões” e o aumento do mínimo continua, efetivamente, mínimo, esquálido, patético.

Em que pese respeitar, mesmo não concordando com programas assistencialistas do tipo “Bolsa Família” e outros, entendo que a majoração real do salário mínimo faria com que nossa economia expandisse. A mim, é importante que as classes C ou D possam comprar iogurte ou financiar passagens aéreas. Mas, sinceramente, preferiria que a classe D chegasse à classe C, que chegasse à classe B e assim, sucessivamente. A concentração de renda no Brasil continua ultrajante e nada é feito.
Nosso salário mínimo, cerca de US$ 328, continua sendo um dos menores do mundo. Vale ressaltar que ele teve um considerável aumento durante os oito anos do governo Lula, mas ainda assim, está muitíssimo aquém das reais necessidades do trabalhador. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o respeitável Dieese, aponta que o salário mínimo, hoje, deveria ser de R$ 2.194,00 para custear uma família de quatro pessoas com suas necessidades básicas que são moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Ou seja, R$ 545 não representa nem 25% disso.

O amigo jornalista Altamiro Borges, editor do Portal Vermelho, foi muito feliz no seu “O início preocupante do governo Dilma“. Miro avalia que o “corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta”.
O que devemos lamentar é que, num governo petista, o mesmo grupo que ironizou o aumento do mínimo em 2000, à época em 19,2%, agora acredita que a majoração em percentuais acima de 6,86% é impossível. Tudo isso em nome da tal governabilidade, esse monstro que unifica ideologias e rasga bandeiras de luta.
É, Dilma. Mais neoliberal impossível.
por Sylvio Micelli
Escreveu Serra no Twitter em 12 de janeiro: “Enquanto a Saúde no Brasil vai muito mal, como mostram todas as pesquisas, Ministério da Saúde está paralisado pela briga fisiológica.”
Mas o destemido José Serra, sobre as chuvas, em 16 de janeiro, ataca: “As tragédias não serão atenuadas com o gogó. Não bastam anúncios, como os feitos pelo gov. Lula-Dilma há 1 ano e nada acontecer”.
Serra volta ao Twitter em 19 de janeiro para gritar: “Como eu disse mil vezes o PT destruiu a Funasa e a Anvisa, com fisiologismo, corrupção e incompetência”.
Concordo que os juros no Brasil estão, realmente, abusivos e há, certamente, uma tendência inflacionária. O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou, nesta semana, a taxa de juros para 11,25% (*). Mas mesmo sendo um índice alto, durante o governo FHC do qual Serra participou ativamente (tanto que impôs sua candidatura em 2002), nunca tivemos tal índice. A taxa do Copom mais baixa foi um 15,25% em fevereiro de 2001, sem que nos esqueçamos dos absurdos 45% de março de 1999 (que os tucanos vão botar a culpa na crise das bolsas da Rússia e da Ásia no período de 1997 a 2000). O governo FHC entregou a Lula, em janeiro de 2003, um índice de 25%. Apenas para que o leitor tenha referência, durante a crise econômica vivida pela Europa e Estados Unidos em 2008, o índice máximo que o Copom atingiu foi 13,75%.
por Sylvio Micelli
A unificação tem como base um dossiê, feito pelo jornalista Odir Cunha, que é santista. E a coisa foi crescendo sob o tacanho “eufemismo” de que seria um “absurdo” que Pelé e companhia, jamais tivessem sido campeões brasileiros. O mesmo se aplica a Ademir da Guia e à maravilhosa Academia de futebol montada pelo Palmeiras nos anos 60.
Como diria o eterno jornalista Juarez Soares, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O fato de Pelé ou Ademir não terem ganho um Campeonato Brasileiro nos moldes que é disputado hoje, não lhes trás nenhum demérito. Muito pelo contrário. Só um imbecil para acreditar que eles, e suas respectivas equipes, não foram campeões de tudo, inclusive do Brasil.

