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Urna não é penico. Veja lá o que você vai fazer!

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Como todos sabem, dia 03 de outubro teremos eleições para todos os cargos do Brasil, exceção feita às prefeituras e câmaras municipais. O eleitor votará para presidente da República, governador de Estado, dois senadores e deputados federal e estadual.

A campanha já está nas ruas, nas discussões do bar e na casa da gente. Muitos candidatos adentram em nossos lares prometendo o que podem e o que não podem. Esta eleição, mais uma vez, traz candidatos que viram motivo de piada, mas que devem ser consagrados nas urnas.

Vamos deixar bem claro. A democracia permite que qualquer cidadão brasileiro, nato ou naturalizado, em plena fruição de seus direitos políticos, pode se candidatar a qualquer cargo que desejar. Portanto, o fato de termos candidatos pouco ortodoxos ou fanfarrões é, absolutamente, normal.

O problema reside em nós, eleitores. O que desejamos para o Brasil? O que queremos para o nosso estado? E no caso de nós, servidores públicos, quem poderá nos representar?

Urge a necessidade, não é de hoje, de que o funcionalismo público tenha uma bancada a defender seus interesses, tanto no Congresso Nacional como nas Assembleias Legislativas. Muitos acreditam que isso seja corporativismo, mas é uma bruta hipocrisia. Hoje, seja no Congresso seja na Assembleia, tem bancadas fortes defendendo interesses diversos.

Nossa greve, recém suspensa, foi bastante pedagógica. Não só aprendemos como resistir bravamente a todas as intempéries do caminho durante enormes 127 dias, como pudemos observar parlamentares que, realmente, estão em defesa do Serviço e do Servidor públicos.

O dever que temos com nossa própria consciência, no próximo dia 03 de outubro, é reeleger os parlamentares que já defendem as causas do funcionalismo público e ampliar nossa representação.

Temos um inimigo único – o governante – que dispõe de mídia, recursos e opinião pública, contra o servidor. Nosso poder virá de nossa mobilização e do tamanho da representação que teremos no Congresso e nas assembleias de todo o País.

No caso específico do nosso Judiciário, a primeira lição já sabemos. Temos 30 parlamentares que assinaram o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa. Então vamos combinar? Quem não assinou, pelo motivo que seja ou pela explicação que tenha, não merece o seu voto. Desta forma começaremos a Reforma Política que deve ter início em nós mesmos para que no futuro tenha reflexo sobre toda a sociedade.

Bom voto. E lembre-se de que urna não é penico. Mesmo que a maioria de nossos políticos faça na vida pública, aquilo que só deveria fazer na privada.

EDITORIAL ORIGINALMENTE PUBLICADO NO JORNAL ASSETJ NOTÍCIAS Nº 133 (SETEMBRO/2010)

Dois artigos do jornalista Sylvio Micelli são publicados no Observatório da Imprensa

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou dois artigos do jornalista Sylvio Micelli:  “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” e “O pobre menino rico”.


No primeiro artigo, Micelli faz uma análise das atuais discussões sobre o comportamento da grande mídia, critica reportagem da Revista Veja e destaca o crescimento da chamada mídia alternativa, alicerçada por blogues e redes sociais, como forma de equilibrar a prática do Jornalismo no Brasil.

No segundo artigo, o jornalista comenta as discussões que envolveram o caso Neymar criticando a postura do atleta e da diretoria do clube que preferiu demitir o técnico a dar o suporte psicológico necessário ao jogador.


Para publicação no site do OI, ambos os textos foram adaptados ao formato do portal.

O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

Nascido como site na web, em maio de 1998 o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão (confira a grade horária no site do programa).

Em maio de 2005, o Observatório da Imprensa chegou ao rádio, com um programa diário transmitido pela rádio Cultura FM de São Paulo, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro, e rádios Nacional AM e FM de Brasília. Os áudios dos programas, na forma de um blog, estão disponíveis no site do OI.

Leia o artigo “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo “O pobre menino rico” no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” no blog do jornalista Sylvio Micelli

Leia o artigo “O pobre menino rico” no blog do jornalista Sylvio Micelli

A liberdade de Imprensa e a Imprensa liberta

por Sylvio Micelli

A chamada grande mídia está com medo. Vê, paulatinamente, ruir seus alicerces antiquados, nepotistas e reacionários. Prova disso, é a capa da revista Veja desta semana, a mais conservadora delas. Com o título “A Liberdade sob ataque” chega até a reproduzir artigos da Constituição Federal que só são cumpridos quando há o interesse de fazê-lo.

Afinal de contas, que Imprensa a revista acredita que querem calar? Esta, embolorada e viciada que está aí e da qual Veja faz parte ou a nova Imprensa que nasceu com a liberdade dos blogues e das redes sociais?

Durante a faculdade (apenas para os diplomados, claro…) somos ensinados a crer que a prática do bom Jornalismo passa, necessária e invariavelmente, pela isenção, pela ética e pela moral. Aprendemos que sempre devemos ouvir os dois ou mais lados da questão e que nossa missão é formar opiniões para salvaguardar o direito da sociedade em receber uma informação clara, pura, translúcida. Isso seria, ao menos em tese, bom para o cidadão e ótimo para o País.

Na prática, porém, como todos sabemos, a teoria é outra.

A Revista Veja e os velhos jornalões – agora reduzidos a três (Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo) – insistem numa pseudo-liberdade de Imprensa que eles não exercem. As notícias e opiniões sempre são dirigidas a interesses diversos que não são os mesmos da sociedade. Querem pautar a população com informações enviesadas que, sabidamente, tendem apenas a manter o establishment e nada oferecem de concreto para esta sociedade. Parecem que não aprenderam as lições com a ascenção e queda de Collor, e tantos outros “pés pelas mãos” cometidos ao longo da história.

Passei, recentemente, pela maior greve do funcionalismo público de São Paulo. A minha categoria – Judiciário Estadual – paralisou as atividades por 127 dias. As notícias (poucas) que saíram na tal da grande mídia eram ácidas, críticas e quando ouviam-nos, já vinham com a pauta pronta sequiosos pelas respostas que combinavam com o texto que necessitavam fazer. Registre-se, aqui, que houve uma ou outra exceção (até para justificar a regra).

Nesta semana, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo com seu histórico Auditório Vladimir Herzog, foi palco de um ato promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade da qual sou membro do Conselho Consultivo (ainda que ausente por tantos compromissos). O ato, que reuniu quase mil pessoas, é prova irrefutável de que algo está errado com esta mídia em estado de obsolescência.

É óbvio, que a grande mídia não soube assimilar o golpe. Prefere um reducionismo tolo ao afirmar que o ato é político-partidário com infiltrações de diversas organizações sociais ou aquilo que a Veja acredita ser o “Petismo”. E é, justamente aí, que as revistas e jornais anacrônicos erram. Politizam, partidariamente, o que não é para politizar. Defendem seus candidatos e interesses tratorando as lições do bom Jornalismo. Pois bem. Não sou petista. Nem mesmo sou alinhado a muitos dos dogmas do Partido dos Trabalhadores, em que pese reconhecer sua importância na política nacional. Meus candidatos, há mais de duas décadas, raramente são eleitos, porque voto em pessoas e não em partidos. Ou seja: nem de longe faço parte do “Petismo” e, além de mim, há milhares de colegas que analisam a mídia sob uma nova ótica.

Será Erenice Guerra corrupta? Seus parentes idem? Oras… todos foram dispensados e ponto final. Que a Receita Federal, Polícia Federal e todas as instituições envolvidas investiguem e apontem culpados. Mas este, e outros casos, são usados como moeda de troca no circo eleitoral. Ao tomar partido, a velha mídia erra e abre, cada vez mais espaço, para a mídia alternativa que tenho orgulho em pertencer.

Esta nova Imprensa nasce liberta. E alguns, mais cáusticos, hão de dizer: “não é liberta… também defende seus interesses…” Pois bem. A mídia alternativa, amparada por blogues e redes e organizações sociais diversas, nasce para ser o contraponto, nasce para restabelecer o equilíbrio, nasce para mostrar o outro lado que a velha mídia esqueceu nas lições do Jornalismo isento e imparcial.

Atenção, barões da mídia: a extinção da versão impressa do Jornal do Brasil (o quarto jornalão histórico de nosso País) não foi um caso isolado. Há ainda muita letra a passar pela rotativa. Quem viver, verá.

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Sylvio Micelli

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