A permanência de Neymar: uma análise mercadológica
- novembro 13th, 2011
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Texto originalmente escrito para o Blog Canelada
Nesta semana, a diretoria do Santos anunciou a manutenção do atacante Neymar até a Copa de 2014, que acontece no Brasil. Independente da questão eleitoral – obviamente que a permanência do atleta praticamente define a reeleição da atual diretoria no final do ano – o fato deve ser enaltecido por todos.
Se o torcedor santista comemora e, claro, deve fazê-lo, há circunstâncias econômicas e mercadológicas envolvidas na transação.
1. Desde que Ronaldo Fenômeno foi repatriado pelo Corinthians em 2009, a ordem de mercado foi sendo modificada. O Brasil, até então exportador, passou a ser importador de craques sulamericanos, tais como Montillo, Valdívia, Conca e tantos outros, bem como passou a contar com os seus grandes jogadores. Além do próprio Ronaldo, vieram Roberto Carlos, Ronaldo Gaúcho, Fred, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano e muitos outros, porque se mostrou a viabilidade econômica por meio de uma grande estrutura de marketing alicerçada por empresas patrocinadoras.
2. A Europa passa por maus bocados. Fruto da irresponsabilidade econômica de alguns países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (PIIGS), o continente mostra-se frágil e, mesmo com o mundo da bola sendo algo a parte, não há como fugir do contexto. Não soaria bem, uma transação de milhões de euros a envolver Neymar neste momento.
3. Neymar está entre os melhores do ano conforme listagem divulgada pela Fifa, sendo o único atleta a atuar fora da Europa. Além de uma vitória pessoal e merecida, a Fifa comprovou que a ordem está invertida. Ou seja, ela “descobriu” que há vida inteligente e bola de qualidade do outro lado do Atlântico.
4. Sua baixa idade o credencia para amadurecer jogando no Brasil e tomar o rumo da Europa com 22, 23 anos e fazer história no Velho Continente.
Não me assustará se grandes jogadores que atuam na Europa vejam o Brasil com outros olhos e com um mercado a todo vapor.
Ganha o Brasil, não apenas por manter um grande atleta, mas por criar um efeito em cascata, que tende a preservar outros bons jogadores dentro do território nacional.

O baiano Itamar Augusto Cautiero Franco, que fez carreira política em Minas Gerais, faleceu hoje em São Paulo quatro dias após completar 81 anos. Internado há pouco mais de um mês, lutou até o fim contra uma leucemia.
A presidente Dilma Rousseff (PT) chega aos 50 dias de governo, cercada pelas discussões que envolvem o salário mínimo nacional. Salvo melhor juízo, é a questão mais relevante desde sua posse e que está diretamente relacionada ao Executivo e, obviamente, ao Legislativo nacionais.

O que devemos lamentar é que, num governo petista, o mesmo grupo que ironizou o aumento do mínimo em 2000, à época em 19,2%, agora acredita que a majoração em percentuais acima de 6,86% é impossível. Tudo isso em nome da tal governabilidade, esse monstro que unifica ideologias e rasga bandeiras de luta.

