Posts Tagged ‘Economia’

Bradesco, Globo e você: tudo a ver…

Banco Brasileiro dos Descontos (Bradesco) em propaganda de 1949por Sylvio Micelli

R$ 120 milhões por ano. Este é o valor que o Bradesco já está pagando, desde o início do mês, para patrocinar o Jornal Nacional da Rede Globo, o mais visto da televisão brasileira. A informação vem da própria instituição e de sites especializados em marketing, mas não é confirmada pela emissora. Na verdade isso pouco interessa. Quem é da área sabe que o Jornal Nacional não tem seu valor tabelado pela Globo e sempre é fruto de negociações.

Mas toda essa lenga-lenga econômico-publicitária é o que menos importa. Simplesmente, o banco de maior “presença” como diz sua campanha publicitária patrocina o jornal de maior “ibope”. E isso serve para que entendamos o mecanismo das grandes corporações e sua dominação, aqui ou alhures.

Pegue a maior instituição financeira do Brasil. Aquela que está presente em todos os municípios brasileiros (sic) levando “mobilidade bancária” com a locução inigualável de Ferreira Martins. Junte-se a isso, o jornal televisivo mais visto do país e pronto! A Rede Globo e o Bradesco vão ampliar, ainda mais, o nível de penetração em terras tupiniquins.

Importa se este banco (e os outros) cobra taxas por tudo e mais um pouco? Não! Importa se este banco (e os outros) cobra juros Logomarcas do Jornal Nacional ao longo de quatro décadasescorchantes de mim e de você e que a Taxa Selic é apenas uma referência abstrata dos juros que se cobra no Brasil? Não!

Importa se o Jornal Nacional traz um casal simpático divulgando notícias tendenciosas e de conteúdo duvidoso? Não! Importa se as classes A-B-C…Z são manipuladas por este jornal que apenas informa, mas não forma opiniões e é colocado entre novelas a fim de valorizar a “família brasileira? Não! É claro que não!

O que realmente importa é aquilo que o ator e âncora James Carville criou para a campanha de Bill Clinton, à presidência dos EUA, em 1992: “É a economia, estúpido“. E o Capitalismo selvagem aplicado em sua mais “deliciosa” essência.

A arte brasileira de fechar a porteira depois que o cavalo fugiu

Igreja centenária destruída em São Luiz do Paraitinga (SP) - Foto: Agência Estado (AE)por Sylvio Micelli

O ano de 2010 não poderia ter começado pior para o Brasil. As tragédias, em decorrência das chuvas, causaram mortes em Angra dos Reis, Ilha Grande, Guararema, Bragança Paulista, São Paulo, Rio Grande do Sul e por aí fora. A turística São Luiz do Paraitinga, cravada no meio do Vale do Paraíba no interior paulista, teve grande parte do seu patrimônio histórico indo, literalmente, por água abaixo. Além dos mortos, prejuízo incalculável para as famílias, são de enorme monta os prejuízos financeiros de tudo o que aconteceu. Só para citar o caso de Paraitinga, a cidade terá de ser praticamente reconstruída. E quem paga isso sou eu e você, por meio dos inúmeros impostos.

Quando acontecem essas catástrofes, normalmente creditada a causas naturais ou a São Pedro, o poder público logo aparece com seu “beneplácito” para reconstruir, reformar, confortar, enfim, colocar, na medida do possível, a casa em ordem. Só nesta semana, o governo federal liberou não sei quantos milhões para Angra dos Reis e região. O governador paulista José Serra reuniou-se com secretários para discutir o atendimento às vítimas das enchentes e liberou outros tantos milhões para as cidades em estado de calamidade pública. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, para não ficar para trás, anunciou “vistosa” medida liberando moradores de um bairro da capital, submerso há mais de um mês, do pagamento da conta de água.

Modéstia a parte, não sou um neófito em política e, mesmo não concordando, até entendo seus mecanismos. Mas questiono o porquê de tais medidas não terem sido tomadas previamente. O poder público vive choramingando que não há verbas. E quando vêm a tragédia, o dinheiro aparece. Eu sei que os técnicos dos governos, quaisquer que sejam eles, vão dizer que o Estado tem verbas de “contenção” justamente para esta finalidade, ou seja, recursos extra-orçamentários para catástrofes do gênero. Mas aí eu volto a perguntar: não é preferível resolver antes do que chorar os mortos depois? Basta querer. Os milhões que são liberados para reconstruir seriam muito mais úteis para construir. E com certeza muito mais em conta para o bolso de todos nós.

Return top






Sylvio Micelli

Criar seu atalho


INFORMATION

Change this sentence and title from admin Theme option page.
8 visitors online now
8 guests, 0 members
Max visitors today: 10 at 12:05 am BRT
This month: 10 at 08-01-2010 12:05 am BRT
This year: 54 at 06-20-2010 07:21 pm BRT
All time: 54 at 06-20-2010 07:21 pm BRT