O Wikileaks contra o mundo
- dezembro 9th, 2010
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por Sylvio Micelli
O australiano Julian Assange, criador do site Wikileaks, virou uma espécie de Bin Laden tecnológico. Seu defeito: contrapor-se ao poder dos Estados Unidos e abrir-lhes as entranhas fétidas que, como todos sabemos, sempre cercaram o mundo ianque. Tudo que o site fez, já é de domínio público, mas há alguns “inocentes” que acreditam que a tirania, a espionagem e o terrorismo estadunidenses morreram com o fim do mandato de George Walker Bush.
Quando o Wikileaks fez as primeiras revelações – que foram tratadas pela grande mídia como um mero vazamento – da ocupação americana no Afeganistão e depois sobre a Guerra do Iraque, Assange foi considerado um procurado internacional sob a acusação de violência sexual. Note bem. A mídia deu mais valor ao “vazamento” do que às informações que foram reveladas e que, particularmente, não me assustaram.
Assange entregou-se nesta terça (07) à polícia inglesa sob esta fragilíssima “acusação” de estupro a duas mulheres ao mesmo tempo! Está mais do que na cara, que se trata, meramente de uma perseguição ao criador do site que tem tirado e vai tirar ainda o sono de muita gente. Obviamente, que não defendo aqui o crime de estupro que deve ser tratado com o devido rigor, da mesma forma que deveriam ser tratadas todas as ações genocidas informadas por Assange.
Alguns jornalistas, aqui por estas plagas, começaram então a defender conceitos pseudo-éticos sobre o trabalho do Wikileaks. Muitos chegaram a analisar que o tal vazamento (do verbo leak em inglês, vazar) poderia colocar em risco a soberania dos países, em especial a dos Estados Unidos.
Ora… tudo mundo sabe o modelo que os Estados Unidos adotam desde a época das Treze Colônias. Isso já foi até objeto de filmes importantes que revelam o modus operandi estadunidense.
A prisão de Assange não é um atentado violento ao pudor. É, sim, um atentado violento à democracia.
E democracia calada é censura disfarçada.
Só tenho uma dúvida: Assange está a serviço de alguém. Espero que seja para fins benéficos a todos.
por Sylvio Micelli

