Servidores desocupam João Mendes. A greve continua com acampamento na praça
- 2010/junho/12
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por Sylvio Micelli / ASSETJ
Notícia atualizada em 13/06/2010 às 12:04
Quase 45 horas. Esse foi o tempo total que durou a ocupação do Fórum João Mendes, o maior da América Latina. O prédio foi ocupado, de forma ordeira, por um grupo aproximado de 100 servidores do Judiciário paulista, ao final da Assembleia Geral da categoria que ocorreu na quarta, dia 09. Ao final restaram 74 servidores.
Após quase dois dias sem alimentação, sem água, sem as mínimas condições de higiene (foi interrompido o fornecimento de água dos banheiros), sofrendo todos os tipos de pressão psicológica e exauridos em suas forças, por iniciativa própria o grupo resolveu sair das dependências do João Mendes com duas certezas: de que o ato fortalece a greve iniciada em 28 de abril e de que o movimento ainda tem muito a crescer nos próximos dias. Muitos estavam sofrendo com hipotermia e a hipoglicemia.
A desocupação aconteceu pouco após o meio-dia e os manifestantes foram recebidos como verdadeiros heróis da resistência por cerca de 2,5 mil servidores que lotaram a Praça João Mendes e realizaram um ato público em seguida. Boa parte destes permaneceram em vigília ao longo do período que foi marcado pela total intransigência da cúpula do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que, de forma desumana, proibiu alimentação e água potável aos manifestantes, além de desrespeitar parlamentares que foram feitos de joguete e tiveram que se submeter ao “credenciamento” junto à presidência do TJ para que pudessem exercer a cidadania concedida pelo mandato popular. Por ironia do destino, até o juiz auxiliar da presidência, João Batista Morato Rebouças de Carvalho foi impedido pelo comando da Polícia Militar de entrar no João Mendes. Ele chegou a bradar que era assessor da presidência e que ordenava que o deixassem entrar e a polícia respondia ter ordens expressas da presidência de que ninguém entraria. Neste momento ele estava acompanhado de parlamentares e diretores do prédio.
Os ocupantes foram recebidos por um café-da-manhã promovido pela Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), em conjunto com as demais entidades representativas de Servidores do Judiciário. O restaurante da Assetj também recebeu os servidores com uma sopa e o carinho merecidos.
Após a desocupação, a emoção tomou conta da praça João Mendes com o pronunciamento do senador paulista Eduardo Suplicy (PT) que chorou e arrancou lágrimas dos servidores. Ele destacou a importância da resistência dos que ocuparam o João Mendes num “supremo ato de democracia”. O senador ironizou as declarações do Secretário-Chefe da Casa Civil, Luiz Antonio Guimarães Marrey que afirmou no dia anterior que a greve do Judiciário de SP era política por ser ano eleitoral. “Se eu e os deputados aqui presentes viemos ajudar pessoas que estão sendo desrespeitadas no seu direito e que estão há 48 horas sem poder se alimentar e sem higiene, é fazer política, então pode dizer que é politica sim”, afirmou. E continuou: “o secretário esquece que ele e o presidente do TJ também tem cargos politicos, só que a politica deles é a da arbitrariedade”, completou. Após Suplicy, a praça acompanhou discursos inflamados dos deputados Major Olímpio Gomes (PDT), José Cândido e Antonio Mentor (ambos do PT). Em seguida, a maioria dos ocupantes se pronunciou. Relataram a fome, o frio e, principalmente, a pressão psicológica que sofreram durante os dois dias. Além de “dormirem” ao relento tiveram de suportar destratos e até revista pessoal feita pelos seguranças do Fórum quando íam ao banheiro. Também informaram que eles solicitaram a vistoria do prédio, antes da desocupação, que foi feita por juizes assessores e policiais para atestarem a integridade do Fórum e que nada foi destruído ou danificado.
Recuperada da emoção, a Assembleia deliberou por permanecer acampada na Praça João Mendes durante o final de semana e nos próximos dias. Formou-se grupos de revezamento para seguir na praça.
No final do dia, o desembargador Hamilton Elliot Akel, relator da Ação de Dissídio Coletivo por Greve, marcou uma nova audiência de conciliação para o próximo dia 17 de junho, quinta-feira, às 10 horas, no Fórum João Mendes. Antes disso, na quarta (16) haverá nova Assembleia Geral da categoria às 14 horas na Praça João Mendes. No mesmo dia ocorre um ato conjunto da Justiça Estadual e da Justiça Federal às 16 horas no mesmo local.

