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[Mundial Fifa - Japão 2011] Barcelona 4 a 0, fora a aula. E foi pouco…


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

SANTOS 0:4 BARCELONA
Jogo 8 – Final

Em partida disputada hoje em Yokohama no Japão deu a lógica. O Barcelona sagrou-se bicampeão mundial da Fifa ao derrotar o Santos por 4 a 0. No tão aguardado duelo entre Neymar e Messi, o argentino levou a melhor. Autor de dois gols, foi o melhor da partida e ainda levou a Bola de Ouro da competição. Além do título mundial, o Barcelona faturou o Prêmio Fifa Fair Play e Xavi ficou com a Bola de Prata. O santista Neymar ficou com a Bola de Bronze do torneio.

O time catalão não deixou o Santos, e principalmente Neymar, jogarem e mais uma vez deu um banho com a bola nos pés. O Barça ficou com 71% da posse de bola, apenas 1% a menos em relação ao jogo contra o Al Sadd, vencido pelo mesmo placar.

Messi começou o jogo testando a zaga da equipe de Vila Belmiro. Um chute bem defendido por Rafael que voltou a defender o rebote de Thiago. O Santos entrou com muito cautela e o Barcelona começou a impor seu jogo e sua posse de bola, por vezes, irritante.

Aos 17 minutos Messi abriu o placar. Xavi dominou a bola e de chaleira tocou para o argentino que, de cobertura, fez um golaço.

Sete minutos depois, Daniel Alves cruzou para o meio da área, Xavi cortou a marcação e bateu firme para fazer 2 a 0.

Com vantagem no marcador, o Barcelona tirou o pé do acelerador. Borges arriscou o único chute da equipe do Santos no primeiro tempo e Elano entrou no lugar de Danilo.

No finalzinho do primeiro tempo, Rafael tentou dois milagres, num rápido ataque do Barcelona, mas a defesa santista só ficou vendo Fábregas fazer 3 a 0.

Na segunda etapa o Santos preocupou-se mais em não sofrer gols. Neymar, apagado durante todo o jogo, teve uma boa chance bem defendida por Valdes. Borges também teve a oportunidade de diminuir, sem sucesso. Alheio a tudo, o Barcelona permanecia atacando. Fábregas e Daniel Alves mandaram bolas na trave e o goleiro Rafael impediu um desastre ainda maior.

No final da partida, o quarto gol da equipe catalã. Daniel Alves tocou para Messi na área, que driblou o goleiro e marcou. Simples, fácil, tranquilo, com a assinatura de um gênio, como também foi o jogo.

Fim de papo. O Barcelona aplica a maior goleada da história dos mundiais e sagra-se bicampeão mundial da Fifa.

Parabéns ao Santos, digno campeão da Libertadores e que fez um importante trabalho nas últimas duas temporadas, mas conforme já havia escrito, “O Barcelona não é um time de futebol. É outra coisa“. Caso alguém ainda não tivesse entendido o que eu argumentei, agora entendeu.

Sócrates Brasileiro do Parque São Jorge


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Acordei no final da manhã deste domingo (trabalhei até de madrugada) com uma triste notícia. Meu filho informou-me que Sócrates, o velho “Magrão” faleceu pela manhã. Sua morte era pedra cantada, mas sempre torcemos para que o inevitável seja postergado ao máximo. Mas, verdade seja dita, não haveria melhor data para o Magrão sentar-se ao lado direito de Deus, num dia em que o Corinthians pode ganhar mais um título.

Sócrates foi o maior jogador que vi entrar em campo nas últimas quatro décadas pelo Sport Club Corinthians Paulista. E com os olhos marejados sou obrigado a escrever um texto que jamais queria fazê-lo.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira nasceu diferenciado pelo nome retumbante. Trazia uma homenagem ao filósofo ateniense que foi um dos responsáveis pela democracia que o Magrão tanto defendeu e já nasceu brasileiro para representar o seu País.

Saído de Belém do Pará, para a gloriosa Ribeirão Preto, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira começou no futebol jogando no Botafogo e de lá saiu para o Corinthians para conquistar o Brasil e o Mundo. Foi um jogador diferenciado e, particularmente, reputo ao lado de Falcão, Zico, Careca e Maradona, como um dos maiores jogadores que vi atuar.

Vê-lo em campo era uma atração a parte. Magro, espadaúdo, era um lorde com a bola nos pés. E como a bola era bem tratada… De cabeça, com a perna direita e com a esquerda e, principalmente, no toque mágico de calcanhar que ninguém conseguiu reproduzir. Um calcanhar abençoado que destruía as desfesas em nome do bom futebol. Seus gols eram comemorados britanicamente, como os lordes: o braço direito erguido, o punho cerrado e o braço esquerdo nas costas.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira foi um homem diferenciado. Um médico formado que optou pela vida no futebol. Uma pessoa humilde que dizia não saber jogar e via no irmão mais novo, o “pivete” Rai, o melhor atleta da família…

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira sempre envolvido políticamente, foi um dos mentores da Democracia Corinthiana. Uma célula revolucionária que saiu do Parque São Jorge, com dois títulos, para ganhar as ruas e o País por meio das “Diretas, Já!”

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira fez história. Não foi campeão mundial injustamente. Mas ganhou o mundo e a eternidade. E o Brasil deve muito a ele.

Obrigado, Doutor. Pelas tardes maravilhosas no Pacaembu e no Morumbi.

Obrigado, Doutor. Pela democracia que você tanto defendeu e pelo aprendizado que você me deu.

Obrigado, Doutor. Pelo exemplo de caráter que você sempre foi.

Obrigado, Doutor. Você não foi um jogador. Você não foi um médico. Você não foi nada. Eternamente, você será um artista.

Obrigado, Doutor!

A permanência de Neymar: uma análise mercadológica


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Nesta semana, a diretoria do Santos anunciou a manutenção do atacante Neymar até a Copa de 2014, que acontece no Brasil. Independente da questão eleitoral – obviamente que a permanência do atleta praticamente define a reeleição da atual diretoria no final do ano – o fato deve ser enaltecido por todos.

Se o torcedor santista comemora e, claro, deve fazê-lo, há circunstâncias econômicas e mercadológicas envolvidas na transação.

1. Desde que Ronaldo Fenômeno foi repatriado pelo Corinthians em 2009, a ordem de mercado foi sendo modificada. O Brasil, até então exportador, passou a ser importador de craques sulamericanos, tais como Montillo, Valdívia, Conca e tantos outros, bem como passou a contar com os seus grandes jogadores. Além do próprio Ronaldo, vieram Roberto Carlos, Ronaldo Gaúcho, Fred, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano e muitos outros, porque se mostrou a viabilidade econômica por meio de uma grande estrutura de marketing alicerçada por empresas patrocinadoras.

2. A Europa passa por maus bocados. Fruto da irresponsabilidade econômica de alguns países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (PIIGS), o continente mostra-se frágil e, mesmo com o mundo da bola sendo algo a parte, não há como fugir do contexto. Não soaria bem, uma transação de milhões de euros a envolver Neymar neste momento.

3. Neymar está entre os melhores do ano conforme listagem divulgada pela Fifa, sendo o único atleta a atuar fora da Europa. Além de uma vitória pessoal e merecida, a Fifa comprovou que a ordem está invertida. Ou seja, ela “descobriu” que há vida inteligente e bola de qualidade do outro lado do Atlântico.

4. Sua baixa idade o credencia para amadurecer jogando no Brasil e tomar o rumo da Europa com 22, 23 anos e fazer história no Velho Continente.

Não me assustará se grandes jogadores que atuam na Europa vejam o Brasil com outros olhos e com um mercado a todo vapor.

Ganha o Brasil, não apenas por manter um grande atleta, mas por criar um efeito em cascata, que tende a preservar outros bons jogadores dentro do território nacional.

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