Tagged: Jornalismo

Veja e SBT cobram uma postura que não praticam 0

Veja e SBT cobram uma postura que não praticam

por Sylvio Micelli

E os assuntos do momento – o pretenso estupro do BBB e a fama fugaz de Luíza, que estava na Canadá, continua rendendo bons frutos. Tanto que até o caso da falsa grávida de quadrigêmeos de Taubaté praticamente passou batido. Virou um brindezinho pueril numa rede de fast-food qualquer.

Por sinal, BBB e Luíza, faz-me lembrar o enredo do maravilhoso filme “A Montanha dos Sete Abutres” (“Ace in the Hole“) que é uma aula magna de jornalismo, produzida e dirigida por Billy Wilder. O jornalista Charles Tatum, brilhantemente interpretado por Kirk Douglas, é um profissional decadente que vai parar no interior do Estados Unidos e anseia por um história que o traga de volta ao estrelato. Para isso não mede esforços e transforma o soterramento de um homem preso numa mina, num circo midiático de consequências trágicas. É um filme raro mas vale a pena procurar. Ele “ensina” a nós, jornalistas, que com uma “boa história”, ainda que inconsequente, dá para se vender muitos jornais durante alguns dias, até o próximo escândalo. Detalhe: é um filme de 1951, mas atualíssimo.

Pois bem. Não é que a Veja e o SBT resolveram dar liçõeszinhas de moral na sociedade que eles mesmos fizeram questão de tirar o bom senso?

Senão, vejamos.

O colega Carlos Nascimento, pelo qual tenho respeito, iniciou uma edição do “Jornal do SBT” na última semana ironizando todas as discussões sobre o BBB e a tal da Luíza que, em breve, possivelmente será estrela de algum comercial da província do Québec, no Canadá, muito solícita a estudantes de outras nacionalidades.

Nascimento iniciou dizendo: “ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos ou nós nos tornamos perfeitos idiotas” rotulando os dois assuntos de “fúteis” e tascou no final da abertura do seu jornal um “nós já fomos mais inteligentes”.

A reprimenda até seria válida se o canal fosse outro. E aí instala-se um paradoxo. Com o que, exatamente, o SBT colaborou para a inteligência e para a não transformação da sociedade em “perfeitos idiotas” ao longo dessas três décadas, quando o canal surgiu lá em 1981 como TVS? Com “Chaves” e “Chapolin“? Com “O Povo na TV“, primeiro programa popularesco mundo-cão lá nos anos 80? Com novelas mexicanas e nacionais de qualidade duvidosa, no geral com atores de segundo escalão e/ou em fim de carreira? Com seu dono, Senor Abravanel, vulgo Sílvio Santos conversando com as milhares “colegas de trabalho” domingos a fio, ao longo de mais de 30 anos? Transmitindo programas de gosto duvidoso e repassando desenhos do tempo em que eu era criança? Estas foram, enfim, as contribuições do SBT para engradecer a sociedade que agora vem chamar a atenção?

A Veja por sua vez, com sua peculiar arrogância, optou pelo produto nacional em sua capa desta semana: as nádegas e indagou sobre os limites e o bom senso que ela pouco (quase nada) usou. Qual é o limite da Veja? A do gordo cheque de algum grupo político mal intencionado? Que bons escrúpulos tem a revista que opta por matérias tolas de saúde, enquanto os fóruns sociais mundiais acontecem em todo janeiro? O que a revista que se auto-intitula “indispensável” e que manipula informações, semana após semana, faz e fez em real benefício para a sociedade que agora, também vem chamar a atenção?

Chego à conclusão de que a vergonha na cara já se foi há muito tempo. A chamada grande mídia sempre manipulou, logrou, enganou, usurpou e devastou os conceitos mais simples de ética e moral e agora, que as assinaturas e o Ibope caem, jogam nas costas desta mesma sociedade todos os anos de serviço sujo que a ela prestaram.

É tudo lamentável. Ainda bem que a Internet está aí para equilibrar o jogo hegemônico que Veja, SBT e tantos outros praticam há anos.

Luiza, enfim, já voltou do Canadá e nós já fomos mais (e por demais) manipulados.

Opinião de Sylvio Micelli sobre capa da Revista Época a Michel Teló é publicada no Observatório e no AdNews 0

Opinião de Sylvio Micelli sobre capa da Revista Época a Michel Teló é publicada no Observatório e no AdNews

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou o artigo “Teló, BBB e os conceitos sobre cultura” do jornalista Sylvio Micelli.

No artigo, Micelli faz críticas à revista que elevou o cantor ao “Parthenon” da cultura brasileira ao apresentá-lo como a tradução de “valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. O jornalista também critica mais uma edição do Big Brother Brasil e afirma tratar-se de busca da hegemonia da massificação pela grande mídia.

Para publicação no site do OI o artigo teve intertítulos colocados pela edição. Está publicado na seção “Leituras de Época“.

O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

AdNews também publica

O site AdNews, especializado em mídia, informação e publicidade, reproduziu o material do Observatório.

Criado em 1999, o Adnews nasceu na internet para alimentar o mercado de propaganda, tecnologia e mídia sempre sob o conceito de convergência de plataforma. Após 10 anos de especialização no formato digital, o conteúdo se desdobrou para a TV e revista a fim de abranger mais público e transmitir o mesmo DNA de novidades com credibilidade e qualidade.

Independente da plataforma o compromisso primordial é com o leitor, para que ele esteja sempre à frente do seu tempo no que diz respeito à comunicação.

Leia o artigo no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo no site AdNews

Leia o artigo no blog do jornalista Sylvio Micelli

Quem disser que a São Silvestre permaneceu igual está mentindo 0

Quem disser que a São Silvestre permaneceu igual está mentindo

por Sylvio Micelli

Toda vez que alguém se levanta em defesa da tradição, logo é chamado de saudosista. Sentimental, meus amigos, eu sou demais como já diria o finado Altemar Dutra.

O que se viu nesta 87ª Corrida Internacional de São Silvestre foi uma aberração tão grande, que até os deuses choraram, tamanha a chuva que caiu ao longo de todo o dia aqui em São Paulo, mas principalmente na hora da prova.

A mudança na parte final do trajeto, jogando no lixo quase um século de história, foi patética. Não! Nada contra o Ibirapuera, nosso tão querido pulmão numa cidade poluída como a nossa, mas trazer o final da prova da Avenida Paulista para a Avenida Pedro Álvares Cabral foi de terrível mau gosto.

Sei que há, por trás da mudança, diversos interesses econômicos envolvidos. Há TV, direitos de transmissão, comemorações do réveillon na Avenida Paulista com o apoio da Prefeitura, mas nada disso, repito, reitero e ratifico, nada disso justifica jogar a tradição da São Silvestre na lata do lixo.

Em nome da tal modernidade, estamos abrindo mão de nossa história e Paulinho da Viola já nos ensinou em “Dança da Solidão”, que “quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado”. Por enquanto, só resta a desilusão.

Que a Prefeitura e todas as empresas envolvidas revejam seus conceitos e devolvam à Paulista, o glamour da chegada da São Silvestre.

Ou então, fica uma sugestão. Já que mataram a Corrida de São Silvestre, que as próximas edições sejam feitas em Nairobi. Dessa forma, os quenianos comemorão em casa.

Futebol brasileiro: a soberba dos clubes; a arrogância da mídia 0

Futebol brasileiro: a soberba dos clubes; a arrogância da mídia


por Sylvio Micelli

Texto originalmente escrito para o Blog Canelada

Na última quarta-feira (04), o futebol brasileiro protagonizou uma das noites mais patéticas de sua história. De uma só vez, Internacional, Cruzeiro, Grêmio e Fluminense, foram eliminados da Libertadores da América. No dia anterior, o Santos soube segurar um empate no México e é o único classificado para a próxima fase do torneio. E que o alvinegro praiano acenda a luz amarela!

Não cabe aqui analisar os jogos (já temos blogueiros suficientes e competentes para isso) e sobre o meu time – Corinthians -, ainda mais patético, já fiz os devidos comentários sobre o “Tolimacausto” ocorrido em fevereiro.

Guardadas as devidas proporções e um ou outro diferencial, todos os times brasileiros foram eliminados pelo mesmo motivo: soberba, sempre inflada pela mídia ufanista que gosta de vender o Brasil como o país do futebol e “se esquece” e até desrespeita o adversário que está do outro lado.

Cheguei a ouvir e ver, ao longo dessa semana, que Cruzeiro e Santos reviveriam os históricos jogos da Taça Brasil de 1966 ou que Grêmio e Internacional fariam o GreNal do século. Prometeram, ainda, que o Fluminense, depois de sua épica classificação, estaria garantido para as próximas fases.

Esqueceram-se, porém, como diria Mané Garrincha de combinar com o adversário. Peñarol (URU), Once Caldas (COL), Universidad Catolica (CHI) e Libertad (PAR) entraram em campo “apenas” para jogar e venceram seus jogos. Calaram o Beira-Rio e a Arena do Jacaré. Fizeram festa no San Carlos de Apoquindo e no lendário Defensores del Chaco. Simples, assim.

Meus colegas jornalistas precisam entender que o futebol é o único esporte (salvo melhor juízo), onde há perigo real de que o melhor não vença, isso sem falar, nas questões éticas que passam, necessariamente, pelo respeito (que nem sempre se tem) pelo adversário do outro time.

Uma outra coisa que precisa ser bem analisada é sobre aquela velha retórica de que temos o melhor futebol do mundo e outras tantas frases “defeito” que se ouve, diz, escreve sobre o tema.

O Brasil, sim, é cinco vezes campeão do mundo, mas, certamente, passa por uma entressafra. Não conseguiu montar uma boa seleção com Dunga na Copa do Mundo, realizada no ano passado na África do Sul e Mano Menezes tem uma campanha apenas sofrível à frente do selecionado brasileiro.

Nem sempre de bons jogadores vive o futebol. No geral, o que vale é o conjunto da obra e por isso que muita gente se assustou com o Uruguai em 2010. A velha “Celeste Olímpica” está renascendo para o futebol e outros países sulamericanos querem e podem rivalizar de igual para igual com os brasileiros ou argentinos.

Deixemos, enfim, a empáfia de lado. O salto alto no futebol é sinal inequívoco de derrota.

P.S.: o mesmo se aplica à visão Rio-São Paulo que boa parte dos jornalistas esportivos tem. Muita gente falou a semana inteira que o Coritiba tinha uma campanha importante de mais de duas dezenas de vitória, mas… o campeonato paranaense, “veja bem… é fraco” e na Copa do Brasil, a camisa do Palmeiras “pesaria”. Realmente pesou e o Coxa arrasou.

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