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A Revista Veja tem um lado. E, certamente, não é o do bom Jornalismo

Capa da Revista Veja - edição 2161 de 21 de abril de 2010por Sylvio Micelli

Deixei de ler a Revista Veja há mais de uma década. Acredito que, mais ou menos, desde quando obtive o, já em desuso, diploma de Jornalista. São mais de 13 anos. Não faço sua leitura, exceto por educação ou algo muito específico, nem mesmo para saber, como diria meu grande amigo jornalista Gaspar Bissolotti Neto, “o que pensa o lado negro da força”.

Os motivos são vários, mas podem ser facilmente resumidos. O que a Veja fazia no final dos anos 90 não era Jornalismo. Ao menos, não era aquele Jornalismo ético e imparcial que havíamos aprendido na faculdade. Os mais críticos certamente dirão que a Veja nunca fez um Jornalismo isento até porque, dentro do contexto histórico, a publicação foi, digamos, uma concessão do regime militar que em 1968, um dos anos mais violentos da ditadura e da edição do Ato Institucional nº 5, precisava “combater” outras publicações extremamente inteligentes e por isso mesmo, prejudiciais ao regime, em especial a revista Realidade.

À época da faculdade cheguei a assinar a revista. Muito mais por obrigação. Os professores acreditavam que a Veja era importante no processo de redemocratização do País e, afinal, era formadora da opinião da classe média a que todos nós pertencíamos. Uma grande bobagem. A publicação sempre defendeu um lado. Lado que nunca pertenci.

Passo longe dos discursos político-partidários. E muitos hão de achar que não leio a revista porque não comungo da campanha em prol do PSDB que a Veja encampa. Outra grande bobagem. Não sou partidário de José Serra. Nem de Dilma Roussef. E, para ser bem sincero, vejo com desdém esse maniqueísmo eleitoral ou campanha plebiscitária a envolver os dois partidos mais representativos do país – PT e PSDB – tendo o PMDB ora a servir este ou aquele cliente. Consigo ver, pessoalmente, outras opções melhores dentre os pré-candidatos apresentados.

A capa da Revista Veja desta semana é risível. E seria cômico se não fosse trágico. Traz um José Serra clicado como um dândi, embalado a vácuo pronto para consumo. Tive a oportunidade de conhecer o ex-governador pessoalmente. Ele não é dócil. Muito pelo contrário. Tem um estilo firme e, aparentemente, está de eterno mau humor. Questão de estilo, apenas. E nem entro no mérito de sua administração que para mim foi péssima. A capa ainda fica mais ridícula ao ler uma chamada no alto para um artigo da “principal” oponente de Serra, Dilma Roussef. Certamente, a revista tentou camuflar dizendo que abre espaço para todos.

Enfim, a Revista Veja é isso. Pseudo-Jornalismo destinado à classe dominante. E pobre do País que tem uma publicação como esta, entre as mais lidas pela população. Isso explica muita coisa. Em especial nosso eterno atraso para questões muito mais importantes do que decidir, meramente, quem será o próximo presidente do Brasil.

Passou da hora da grande mídia repensar muitas de suas práticas. Com a Internet, blogs e redes sociais toda manipulação será questionada.

Deputado Hamilton Pereira publica artigo do jornalista Sylvio Micelli

O deputado estadual Hamilton Pereira (PT/SP) - DivulgaçãoO deputado estadual Hamilton Pereira (PT/SP) publicou o artigo “Serra não faz lição de casa. Mas tem “cara de conteúdo”" do jornalista Sylvio Micelli e que foi editorial da mais recente edição do jornal Assetj Notícias da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj).

No artigo, Micelli critica a postura do governador paulista que aumenta o salário mínimo estadual para os funcionários da iniciativa privada, mas não cumpre com a data base do funcionalismo.

O parlamentar, nascido e com importante base eleitoral na cidade de Sorocaba, tem origem metalúrgica e exerce seu quarto mandato na Assembleia Legislativa paulista. Em 2002 foi o deputado estadual mais votado de seu partido no Brasil.

Leia o artigo no site do jornalista Sylvio Micelli

Acesse o site do deputado Hamilton Pereira

Leia o artigo do jornalista Sylvio Micelli no site do deputado Hamilton Pereira

Serra não faz lição de casa. Mas tem “cara de conteúdo”

O governador de São Paulo, José Serra - Foto: Sylvio Micelli (Assetj)A mídia o “vende” como sério e realizador. Mas a verdade é que…

Serra não faz lição de casa. Mas tem “cara de conteúdo”

por Sylvio Micelli (*)

Quem convive há 15 anos com o PSDB no governo paulista, sabe muito bem o caos que é. Sentimos na pele o descaso e os maus tratos. Mesmo assim, José Serra sai ileso e nós, servidores, somos os culpados por todos os problemas. Ancorado pela grande mídia e usando redes sociais em profusão, ele consegue vender a ideia de um governo sério e realizador.

Pura ilusão. Serra faz reverência com o chapéu alheio e proselitismo eleitoral, ao aumentar o salário mínimo estadual em índices e valores maiores que o mínimo nacional e se esquece dos seus servidores. Não faz, portanto, a lição de casa. Oras… se ele quer aumentar os salários dos funcionários da iniciativa privada, que não saem do “seu” bolso, por que ele não faz isso com o funcionalismo público do estado de São Paulo?

Pior. Encaminhou um projeto à Assembleia Legislativa paulista para aumentar o piso salarial dos servidores, mas “se esquece” de cumprir a Constituição Federal que, já cansamos de repetir, aponta para a reposição salarial “na mesma data e sem distinção de índices”. O governador também dá de ombros para o cumprimento da data-base dos servidores e mesmo dizendo “ser sensível às demandas do Judiciário”, como fez recentemente na cerimônia do “Ano Judiciário”, o nosso Plano de Cargos e Carreiras completará, em breve, um quinquênio na Alesp.

A atuação de Serra, como a de seus antecessores, foi desastrosa, mas faz-nos lembrar uma antiga propaganda de um jornal tradicional de São Paulo. O governador, provável candidato à presidência da República, tem “cara de conteúdo”. Pouco entende do nada, faz discursos retóricos e nada resolve.

O pior é constatar que, com sua saída, seu substituto que virá das urnas, seja do PSDB ou de outros partidos, pouco resolverá. A verdade é que, há muito, o maior estado do país está pessimamente mal representado e sem novas lideranças que possam trazer o choque de gestão no Serviço Público tão falado e bem longe de ser implementado.

(*) O autor, 39, é jornalista e servidor público do Judiciário

É diretor de Imprensa da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), da Federação das Entidades de Servidores Públicos do Estado de São Paulo (Fespesp) e da Associação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário (ANSJ). É, ainda, presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe)

EDITORIAL ORIGINALMENTE PUBLICADO NO JORNAL ASSETJ NOTÍCIAS Nº 128 (FEVEREIRO/2009)

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