Posts Tagged ‘José Serra’

GREVE: TJ-SP alega “improbidade administrativa” e não indica reposição neste ano

por Sylvio Micelli / ASSETJ (*)

Aconteceu no início da noite desta quinta (19), mais uma reunião entre a Comissão das Entidades Representativas de Servidores do Judiciário e os desembargadores Willian Campos e Samuel Alves de Melo Júnior, para discutir as questões inerentes à greve da categoria que completou hoje 114 dias.

Após a reunião de ontem (18), infrutífera, o desembargador Willian Campos afirmou que apresentaria ao presidente do TJ-SP, um cálculo de R$ 44 milhões, que seria a antecipação do duodécimo a que o TJ faz jus, para se pagar 4,77% nas folhas de outubro, novembro, dezembro e no 13º salário, numa proporção de R$ 11 milhões por mês. O desembargador havia deixado claro que não se tratava de uma proposta oficial do TJ-SP e que esta ideia por ele apresentada seria discutida com o presidente.

Nada feito. Alegando que o governo proibiu qualquer gasto extra, a mais do que o duodécimo a que o desembargador fez referência, e que isto implicaria em “improbidade administrativa”,  o TJ-SP praticamente fechou as portas para uma reposição salarial ainda neste ano.

Por mais de duas horas de discussões, O TJ-SP tentou “vender” a ideia de um índice para janeiro de 2011, sempre condicionando, claro, à aprovação da proposta orçamentária pela Assembleia Legislativa.

Nova reunião, entre desembargadores e entidades está marcada para a próxima terça, 24 de agosto, às 17:30 horas.

É sempre importante destacar que a principal de reivindicação dos Servidores do Judiciário é a reposição total das perdas salariais num montante de 20,16% advindos do descumprimento das datas-base de 2009 e 2010 por parte do TJ. O índice também contempla um residual da data-base de 2008, que também não foi paga. A reposição salarial anual é um mandamento constitucional (Artigo 37, X da CF).

Nova Assembleia Geral está marcada para o dia 25 de agosto, próxima quarta-feira, às 14 horas, mais uma vez na Praça João Mendes. Será a décima-oitava assembleia desde o início da greve em 28 de abril.

AGENDE-SE

23 A 25 DE AGOSTO – 118º A 120º DA GREVE – SEGUNDA A QUARTA – DIVERSOS ATOS CUJO CRONOGRAMA SERÁ DIVULGADO ATÉ SEXTA-FEIRA

24 DE AGOSTO – 119º DA GREVE – TERÇA-FEIRA – 17:30 HORAS – REUNIÃO DA COMISSÃO DE ENTIDADES E DESEMBARGADORES NO PALÁCIO DA JUSTIÇA

25 DE AGOSTO – 120º DA GREVE – QUARTA-FEIRA – 14 HORAS – DÉCIMA-OITAVA ASSEMBLEIA GERAL ESTADUAL NA PRAÇA JOÃO MENDES

(*) com informações de Ana Carolina Rios Lopes (AASPTJ-SP)

Servidores do Judiciário fazem manifestação contra Serra ao final de debate

por Sylvio Micelli / ASSETJ (*)

Antes da Assembleia Geral desta quarta-feira, um grupo de Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo fez manifestação contra o ex-governador de São Paulo e candidato à presidência da República, José Serra (PSDB). A ideia surgiu pela manhã, durante reunião do Comando Estadual.

O grupo se dirigiu para o célebre Teatro Tuca da Pontifícia

Universidade Católica de São Paulo (PUC), local do debate entre presidenciáveis promovido pelo Portal UOL.

O clima quente começou antes do evento. Na entrada do teatro Tuca, estudantes da PUC-SP chamaram o

ex-governador paulista de “sem-vergonha, hipocondríaco e safado”.

Após ouvir os xingamentos dos estudantes, Serra entrou claramente de mau-humor no teatro do evento.

Na saída, encontrou um clima ainda mais hostil. Servidores do Judiciário paulista, em greve há mais de 114 dias, engrossavam o protesto dos estudantes contra o tucano. Serra saiu por uma porta lateral, mas mesmo assim foi perseguido por estudantes e funcionários públicos, que se postaram diante do carro em que ele estava.

A Revista Veja tem um lado. E, certamente, não é o do bom Jornalismo

Capa da Revista Veja - edição 2161 de 21 de abril de 2010por Sylvio Micelli

Deixei de ler a Revista Veja há mais de uma década. Acredito que, mais ou menos, desde quando obtive o, já em desuso, diploma de Jornalista. São mais de 13 anos. Não faço sua leitura, exceto por educação ou algo muito específico, nem mesmo para saber, como diria meu grande amigo jornalista Gaspar Bissolotti Neto, “o que pensa o lado negro da força”.

Os motivos são vários, mas podem ser facilmente resumidos. O que a Veja fazia no final dos anos 90 não era Jornalismo. Ao menos, não era aquele Jornalismo ético e imparcial que havíamos aprendido na faculdade. Os mais críticos certamente dirão que a Veja nunca fez um Jornalismo isento até porque, dentro do contexto histórico, a publicação foi, digamos, uma concessão do regime militar que em 1968, um dos anos mais violentos da ditadura e da edição do Ato Institucional nº 5, precisava “combater” outras publicações extremamente inteligentes e por isso mesmo, prejudiciais ao regime, em especial a revista Realidade.

À época da faculdade cheguei a assinar a revista. Muito mais por obrigação. Os professores acreditavam que a Veja era importante no processo de redemocratização do País e, afinal, era formadora da opinião da classe média a que todos nós pertencíamos. Uma grande bobagem. A publicação sempre defendeu um lado. Lado que nunca pertenci.

Passo longe dos discursos político-partidários. E muitos hão de achar que não leio a revista porque não comungo da campanha em prol do PSDB que a Veja encampa. Outra grande bobagem. Não sou partidário de José Serra. Nem de Dilma Roussef. E, para ser bem sincero, vejo com desdém esse maniqueísmo eleitoral ou campanha plebiscitária a envolver os dois partidos mais representativos do país – PT e PSDB – tendo o PMDB ora a servir este ou aquele cliente. Consigo ver, pessoalmente, outras opções melhores dentre os pré-candidatos apresentados.

A capa da Revista Veja desta semana é risível. E seria cômico se não fosse trágico. Traz um José Serra clicado como um dândi, embalado a vácuo pronto para consumo. Tive a oportunidade de conhecer o ex-governador pessoalmente. Ele não é dócil. Muito pelo contrário. Tem um estilo firme e, aparentemente, está de eterno mau humor. Questão de estilo, apenas. E nem entro no mérito de sua administração que para mim foi péssima. A capa ainda fica mais ridícula ao ler uma chamada no alto para um artigo da “principal” oponente de Serra, Dilma Roussef. Certamente, a revista tentou camuflar dizendo que abre espaço para todos.

Enfim, a Revista Veja é isso. Pseudo-Jornalismo destinado à classe dominante. E pobre do País que tem uma publicação como esta, entre as mais lidas pela população. Isso explica muita coisa. Em especial nosso eterno atraso para questões muito mais importantes do que decidir, meramente, quem será o próximo presidente do Brasil.

Passou da hora da grande mídia repensar muitas de suas práticas. Com a Internet, blogs e redes sociais toda manipulação será questionada.

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Sylvio Micelli

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