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A Páscoa e o marketing da enganação

Ovos de Páscoa X Chocolate (autor desconhecido)

por Sylvio Micelli

Bom dia, amigos! Hoje é Domingo de Páscoa, uma das celebrações mais importantes da Igreja Católica que, diga-se de passagem, não vive um bom momento com os escândalos de pedofilia a rondar as catedrais e a necessidade de o Vaticano prestar informações e pedir desculpas. O assunto, infelizmente, não é novo. De ciclos em ciclos volta com mais força. Seja lá como for, a Páscoa, que nasceu do hebraico Pessach, é a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte pela crucificação na Sexta-Feira Santa. É, ao lado do Natal, a mais importante comemoração do catolicismo.

Nosso queridíssimo Cristo, coitado (e perdoem-me se soa blasfêmico, mas eu O respeito) é, no geral, o menos lembrado na Páscoa, bem como no Natal. São comemorações que, há muito, foram açambarcadas pelo comércio que, nesta época, vende ovos, colombas, bacalhau e outras tantas guloseimas para que esqueçamos, de vez, qualquer tentativa de regime.

Circulou pela Internet esta semana uma tabela curiosa. Confesso que não fiz a primeira lição do bom jornalismo que é checar as informações, mas presumo que ninguém perderia tempo em fazer uma lista tão bem detalhada.

Intitulada “Tem um coelhinho querendo te enganar!!!” a lista faz comparações dos preços dos ovos, que já adquirem outros formatos, e os chocolates comuns de que são feitos. A diferença pode bater próximo dos 80%!

Simplesmente é Páscoa. E o marketing da enganação está aí. Peguemos o mesmo chocolate. Coloquemos em diversos formatos com alguns míseros bombons dentro. Quem sabe um brinquedinho… E você e eu pagamos a conta.

Divirta-se com a lista e esbalde-se com o chocolate. Sem moderação!

Bradesco, Globo e você: tudo a ver…

Banco Brasileiro dos Descontos (Bradesco) em propaganda de 1949por Sylvio Micelli

R$ 120 milhões por ano. Este é o valor que o Bradesco já está pagando, desde o início do mês, para patrocinar o Jornal Nacional da Rede Globo, o mais visto da televisão brasileira. A informação vem da própria instituição e de sites especializados em marketing, mas não é confirmada pela emissora. Na verdade isso pouco interessa. Quem é da área sabe que o Jornal Nacional não tem seu valor tabelado pela Globo e sempre é fruto de negociações.

Mas toda essa lenga-lenga econômico-publicitária é o que menos importa. Simplesmente, o banco de maior “presença” como diz sua campanha publicitária patrocina o jornal de maior “ibope”. E isso serve para que entendamos o mecanismo das grandes corporações e sua dominação, aqui ou alhures.

Pegue a maior instituição financeira do Brasil. Aquela que está presente em todos os municípios brasileiros (sic) levando “mobilidade bancária” com a locução inigualável de Ferreira Martins. Junte-se a isso, o jornal televisivo mais visto do país e pronto! A Rede Globo e o Bradesco vão ampliar, ainda mais, o nível de penetração em terras tupiniquins.

Importa se este banco (e os outros) cobra taxas por tudo e mais um pouco? Não! Importa se este banco (e os outros) cobra juros Logomarcas do Jornal Nacional ao longo de quatro décadasescorchantes de mim e de você e que a Taxa Selic é apenas uma referência abstrata dos juros que se cobra no Brasil? Não!

Importa se o Jornal Nacional traz um casal simpático divulgando notícias tendenciosas e de conteúdo duvidoso? Não! Importa se as classes A-B-C…Z são manipuladas por este jornal que apenas informa, mas não forma opiniões e é colocado entre novelas a fim de valorizar a “família brasileira? Não! É claro que não!

O que realmente importa é aquilo que o ator e âncora James Carville criou para a campanha de Bill Clinton, à presidência dos EUA, em 1992: “É a economia, estúpido“. E o Capitalismo selvagem aplicado em sua mais “deliciosa” essência.

O “Senhor Centenário” do Corinthians

Marcelinho Carioca e sua marca registradapor Sylvio Micelli

Ahhhh! Os nomes, listas e escolhas… Cada um tem a sua. Mas não tenho dúvidas de que a opção da diretoria do Corinthians em nomear Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo” da Fiel, como “embaixador” do clube em seu Centenário, foi a mais acertada.

A escolha de Marcelo Pereira Surcin, um jovem senhor de quase 39 anos, foi baseada em marketing esportivo, empatia e números.

Ainda em forma e não menos perfeito na cobrança de faltas e escanteios, Marcelinho está na ativa. Ou seja, pode participar de jogos amistosos e, a exclusivo critério do sério técnico Mano Menezes pode, eventualmente, entrar em partidas oficiais. O atleta sempre foi excelente em marketing pessoal. A cada gol marcado gesticulava para as câmeras para que a imagem fosse aproximada. Isso virou sua marca registrada.

A empatia entre a Fiel Torcida e o jogador é inegável. Sua camisa oficial de número 100 é a mais cara do clube e estava esgotada na primeira semana de vendas, desbancando as camisas 9 do atacante Ronaldo “Fenômeno” e 6, do recém contratado lateral esquerdo Roberto Carlos. Além disso, há um respeito mútuo. O jogador, atuando por outras equipes, chegou a marcar contra o Corinthians, e jamais comemorou. E o torcedor sempre gostou do jeito Marcelinho de ser. Muito articulado, às vezes controvertido, encrenqueiro, por vezes até petulante, mas extremamente corinthiano.

Por fim, os números. E a matemática não mente. Em 8 anos, foram 427 jogos com 206 gols marcados, muitos decisivos. Títulos, ninguém ganhou mais que ele. Foram dez, ao todo: um Mundial da Fifa (2000), dois títulos brasileiros (1998, 1999), uma Copa do Brasil (1995), quatro edições do Campeonato Paulista (1995, 1997, 1999 e 2001), uma Copa Bandeirantes (1994) e um Troféu Ramón de Carranza (1996).

É possível que seja uma jogada para que Marcelinho inicie sua carreira política? Sim. Ele não contaria com o meu voto. Mas não seria o primeiro atleta a tentar a empreitada. E a vida política é aberta a todos que a queiram.

Claro que a lista é grande. Uma equipe como o Corinthians tem vários candidatos a embaixador. Como esquecer de Sócrates, mentor da Democracia Corinthiana? E Basílio, o outro “pé-de-anjo” da Fiel, e seu gol inesquecível de 1977? E o querido Neto, que carregou um modesto Corinthians nas costas para sagrar-se campeão brasileiro em 1990? Mas se os fins, justificam os meios, o perfil de Marcelinho é inigualável. E a nação corinthiana, certamente, estará bem representada. E basta ele marcar um gol de falta para que o Pacaembu venha abaixo.

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Sylvio Micelli

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