Na Libertadores, o Peñarol é Brasil. E o Santos é Uruguai
- junho 22nd, 2011
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por Sylvio Micelli
Texto originalmente escrito para o Blog Canelada
Logo mais, acontece a partida final da Copa Santander Libertadores. No Pacaembu jogam Santos e Peñarol. Na partida de ida, em Montevidéu, um empate sem gols. Quem vencer leva; novo empate terá prorrogação e pênaltis, se necessário.
Não sei que inventou a história, mas sempre lembro de uma repetição enfadonha do narrador Galvão Bueno a dizer que tal clube é “o Brasil na Libertadores”.
Não, não é! E falo isso tranquilamente na condição de torcedor, respeitando tantos amigos santistas que eu tenho.
Isso é “conversinha” como diria Muricy Ramalho e beira a uma hipocrisia deslavada, levar a crer que um clube represente um país, desconsiderando-se as rivalidades nacionais, estaduais e pasmem, até as regionais.
Rivalidade, na dose certa, é algo sadio e dá um colorido especial ao espetáculo. Tem gente que não sabe levar na esportiva, torna-se uma pessoa agressiva, mas aí, cada um com os seus problemas.
Na quarta da semana passada, a trabalho, estava na cidade de Santos. Enquanto aguardava o horário para voltar a São Paulo por conta do rodízio de veículos, deliciava-me com os pastéis do tradicionalíssimo Café Carioca, encravado bem no Centro da Cidade. Enquanto os torcedores santistas aglomeravam-se no local, já se preparando para a hora do jogo, um senhor, velho conhecido daquelas pessoas tirava barato. Dizia ele: “sou uruguaio desde criancinha” e ria com os santistas lá presentes. Ele pediu um café ao meu lado e fui puxar conversa. Advinhem. Tratava-se de torcedor do meu Corinthians? São Paulo? Palmeiras?
Nada! Era torcedor, sim, da Portuguesa Santista, a velha e querida “Briosa”. E, brincando, ele lembrou da tosca enganação das narrações esportivas e mandou para os amigos: “o Santos [clube] não é nem Santos [cidade] na Libertadores”.
Pois bem. Nessa semana ouvindo um programa esportivo no rádio, um jornalista uruguaio foi entrevistado. Falou das perspectivas do Peñarol, destacou que todos acham que o Santos é favorito ao título e afirmou que para os torcedores do Nacional, o Santos é o Uruguai na Libertadores.
Enfim, discussões a parte, Santos e Peñarol devem fazer um grande jogo, logo mais. Ao todo serão sete Libertadores e quatro Intercontinentais em campo.
Visitante?
Para quem acha que o Peñarol sentirá o peso de decidir fora de casa, fica a dica. Desde as oitavas de final, a equipe uruguaia decidiu sua classificação longe de casa. Derrubou o Inter em Porto Alegre, a Universidad Católica no Chile e o Velez Sarsfield na Argentina. Todos os adversários, até por jogarem em casa, eram considerados favoritos e, ao menos em tese, dispunham de um elenco melhor que os uruguaios.
Quer mais?
O Peñarol ganhou cinco Libertadores e todas fora de casa.
Na primeira Libertadores (1960) e, consequentemente, primeiro campeonato do clube uruguaio, o Peñarol derrou o Olímpia do Paraguai (1 X 0) em casa e segurou um empate (1 X 1) em Assunção.
No ano seguinte (1961), os uruguaios venceram o Palmeiras (1 X 0) no velho Centenário e seguraram novo empate (1 X 1) no mesmo Pacaembu de logo mais.
Em 1966, o Peñarol venceu o River Plate da Argentina em Santiago do Chile. Foram três partidas. Vitória em Montevidéu (2 X 0), derrota em Buenos Aires (2 X 3) e vitória no jogo desempate no Chile (4 X 2).
Em 1982, os uruguaios venceram novamente no Chile contra uma equipe local, o Cobreloa. Depois de empate no Uruguai (0 X 0), o Peñarol venceu os chilenos (1 a 0).
A última conquista do Peñarol foi em 1987 em nova decisão de três partidas, desta vez contra os colombianos do América de Cali. Em Cali, o Peñarol perdeu (0 X 2); venceu em sua casa (2 X 1) e no jogo desempate, mais uma vez em Santiago do Chile, os uruguaios venceram no último minuto da prorrogação, com um gol do atacante Diego Aguirre, técnico do Peñarol de hoje.
Independente do resultado final, o Peñarol prova que a ressureição do futebol uruguaio não ficará restrita à participação na Copa da África do Sul, no ano passado.
Então, vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai Peñarol! Mostre a velha garra da Celeste Olímpica! Encarne os melhores dias de Spencer, Ghiggia, Chilavert e Schiaffino. Rúben Vaz, Pablo Forlán, Dario Silva e Figueroa. Cubilla, Pedro Rocha, Maidana, Mazurkiewicz e o maior de todos, El Gran Capitán Obdulio Varela.
Que suas cores preta e amarela, a formar um dos mais belos uniformes do planeta-bola, resplandeça no #marbranco.
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A “República Popular do Corinthians“, ação de marketing feita para uma nação formada por um bando com mais de 30 milhões de loucos, foi premiada na última segunda (20).

