Posts Tagged ‘Mídia’

Dilma X Serra: debate de pouca solução e muita tergiversação


por Sylvio Micelli

O primeiro debate do segundo turno para a presidência da República, entre os candidatos José Serra e Dilma Rousseff, não tratou dos grandes temas nacionais como as reformas que todos afirmam, peremptoriamente, que são necessárias, mas que ninguém ousa fazê-las. Alterações tributárias e econômicas, reformas políticas e sociais e até a questão ambiental, estiveram ausentes da discussão.

Os candidatos preferiram destinar o precioso tempo dos eleitores com temas subjacentes, cuja análise deve ser feita muito mais sob a ótica social e deram prosseguimento à baixaria generalizada que se tem observado nos debates políticos. Parafraseando Plínio Marcos (*), o debate de Dilma e Serra foi a batalha de dois perdidos numa urna suja.

Assuntos como o aborto ou a criminalidade, por exemplo, foram debatidos com dogmas éticos, morais e até religiosos sendo que ambos os temas deveriam ser analisados no conjunto de reformas sociais que, há muito tempo, o estado brasileiro deve à sociedade. Aborto deve ser tratado como problema de saúde pública e não da forma hipócrita com que vem sendo discutido. Criminalidade, também, deveria ser analisada como resultado das enormes discrepâncias sociais do Brasil. Ambos os candidatos preferiram tratá-la como uma questão meramente quantitativa e que pode ser “resolvida” dependendo do número de policiais nas ruas. Qualquer brasileiro sabe que o abismo social em que vive o estado brasileiro só se resolve com políticas de saúde e educação sérias, que preparem a criança de hoje para ser o futuro de amanhã.

Outro tema apresentado à ribalta eleitoral foi a discussão sobre privatização envolvendo telefonia, pré-sal e assuntos correlatos. Mas isso foi usado para ataques mútuos e pouco analisou-se do tema como forma de desenvolvimento do estado brasileiro. Obviamente que sou contra a privatização. Mas que projeto, por exemplo, é oferecido que não seja a venda das instituições nacionais?

Observando cada candidato de per si, José Serra promete coisas que não cumpre. Fala da valorização de professores, educação e saúde, assuntos espinhosos que, sendo prefeito e governador de São Paulo, deixou muito a desejar.

Dilma Rousseff limita-se a dar prosseguimento às obras e feitos do governo a que pertence e a se defender dos ataques promovidos pelo seu adversário.

Tudo muito fraco. Tudo muito comezinho.

Vendo o debate senti-me um cidadão dinamarquês comendo biscoitos amanteigados Jacobsens. Não há problemas no Brasil. É tudo factóide!

E de tergiversação em tergiversação (verbo repetido à exaustão durante o encontro), percebe-se cada vez mais que há apenas projetos de poder e não projetos de Estado. E para que não for partidário de um ou de outro, fica muito difícil decidir em quem votar no segundo turno.

Pobre, Brasil!

Nota do Autor: (*) “Dois Perdidos numa Noite Suja” é uma peça de teatro do autor Plínio Marcos, um dos maiores gênios incompreendidos do teatro brasileiro. Escrita no ano de 1966, a peça foi apresentada pela primeira vez no mesmo ano, no Bar Ponto de Encontro, para uma pequena plateia. Foi adaptada para o cinema duas vezes, sendo a primeira no ano de 1970 sob a direção de Braz Chediak e a mais recente no ano de 2002 sob a direção de José Joffily. É uma das peças mais famosas de Plínio, tendo sido montada inúmeras vezes tanto no Brasil como em outros países. O texto é inspirado no conto “O terror de Roma” do escritor italiano Alberto Moravia. Dois personagens — Paco e Tonho — dividem um quarto numa hospedaria barata e durante o dia trabalham de carregadores no mercado. Todas as cenas se passam no quarto durante as noites. As personagens discutem sobre suas vidas, trabalho e perspectivas, mantendo uma relação conflituosa. O tema da marginalidade permeia todo o texto. Tonho se lamenta constantemente por não possuir um par de sapatos decente, fato ao qual atribui sua condição de pobreza. Ele inveja Paco que possui um bom par de sapatos e este, por sua vez, vive a provocar Tonho chamando-o de homossexual ao mesmo tempo que o considera como um parceiro. Paco, que já havia trabalhado como flautista, certa noite teve sua flauta roubada quando estava muito embriagado, entorpecido. No final, na tentativa de melhorar suas vidas, ambos são compelidos à realização de um ato que modificará radicalmente suas vidas. Fonte: Wikipedia

Dois artigos do jornalista Sylvio Micelli são publicados no Observatório da Imprensa

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou dois artigos do jornalista Sylvio Micelli:  “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” e “O pobre menino rico”.


No primeiro artigo, Micelli faz uma análise das atuais discussões sobre o comportamento da grande mídia, critica reportagem da Revista Veja e destaca o crescimento da chamada mídia alternativa, alicerçada por blogues e redes sociais, como forma de equilibrar a prática do Jornalismo no Brasil.

No segundo artigo, o jornalista comenta as discussões que envolveram o caso Neymar criticando a postura do atleta e da diretoria do clube que preferiu demitir o técnico a dar o suporte psicológico necessário ao jogador.


Para publicação no site do OI, ambos os textos foram adaptados ao formato do portal.

O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

Nascido como site na web, em maio de 1998 o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão (confira a grade horária no site do programa).

Em maio de 2005, o Observatório da Imprensa chegou ao rádio, com um programa diário transmitido pela rádio Cultura FM de São Paulo, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro, e rádios Nacional AM e FM de Brasília. Os áudios dos programas, na forma de um blog, estão disponíveis no site do OI.

Leia o artigo “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo “O pobre menino rico” no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo “Liberdade de imprensa e a imprensa liberta” no blog do jornalista Sylvio Micelli

Leia o artigo “O pobre menino rico” no blog do jornalista Sylvio Micelli

Neymar: o pobre menino rico

por Sylvio Micelli

Imagine a seguinte situação: você, trabalhador, comete um ato de insubordinação em seu trabalho. O resultado, no geral, pode ser a demissão por justa causa. Caso você seja do serviço público, certamente será instaurado um processo administrativo que poderá, também, resultar numa demissão a bem do serviço público. No mínimo, uma severa punição acontecerá.

No maravilhoso mundo das estrelas do futebol é diferente. Um ato de desrespeito é visto como uma “molecagem” e o superior hierárquico – no caso o técnico – é transformado no algoz da situação. Foi exatamente isso que aconteceu no caso envolvendo o jogador Neymar do Santos Futebol Clube e o técnico Dorival Júnior.

Neymar cometeu uma dupla infração. Desrespeitou o capitão de sua equipe – o atleta Edu Dracena – bateu boca e xingou o treinador ao ter sido preterido numa cobrança de pênalti num jogo que já estava resolvido para a sua equipe.

Inicialmente, o clube multou o atleta. O treinador desrespeitado quis puní-lo com a suspensão por algumas partidas e todas as declarações que li e ouvi de Dorival Júnior foram no sentido de que o jogador refletisse sobre o seu ato. Neymar ficou ausente de um jogo, mas no seguinte, diante do Corinthians, a corda arrebentou do lado mais fraco. A diretoria do Santos, até então tida e havida como moderna, rendeu-se ao amadorismo habitual dos cartolas do futebol e ao invés de demonstrar seriedade, optou por dispensar o técnico. Achei “interessante” a nota do clube ao afirmar que o técnico teria “quebrado a hierarquia”. Afinal, quem quebrou a hierarquia primeiro…

O caso Neymar X Dorival rendeu muitas páginas na mídia esportiva e a maioria passou a mão na cabeça do jogador. Neymar foi analisado como um garoto que ainda precisa amadurecer. Cheguei até a ler um texto que o considera um clássico representante da chamada Geração Y, esta formada pela molecada que já nasce com o mouse nas mãos a navegar pela Internet.

O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, também foi criticado por não convocar o atleta para amistosos, logo depois do ocorrido.

É preciso ter a ideia clara de que Neymar errou. E não foi um ato isolado. Ele já havia se envolvido em outras confusões, tanto em partidas de futebol, como no seu dia-a-dia. Endossar seus atos é apenas piorar a situação.

Outro fato lamentável que devo salientar é que, ao reduzir o ato de Neymar a uma mera “molecagem”, e este sendo ídolo de sua geração, induz-se a criançada a acreditar que desrespeitar é legal e no final, se você for competente naquilo que fizer, tudo estará resolvido.

Falta ao atleta um apoio psicológico que deveria ser obrigação de qualquer clube que se preze. A maioria dos jogadores vem das camadas mais pobres da sociedade e, de repente, por competência, dom e magia, tornam-se milionários da noite para o dia. Nem sempre (quase nunca) contam com o apoio da família e não sabem lidar com dinheiro, fama e os novos “amigos” que aparecem nessas horas.

É sempre bom lembrar que na história do mundo tivemos ditadores, déspotas e seres com desvio de caráter diversos que foram muito competentes naquilo que fizeram. E isso foi péssimo para a humanidade.

Return top








Sylvio Micelli

Criar seu atalho


INFORMATION

Change this sentence and title from admin Theme option page.
17 visitantes online agora
6 visitantes, 11 bots, 0 membros
Máx. de visitantes hoje: 24 às 01:44 pm BRST
Este mês: 30 às 02-01-2012 11:59 am BRST
Este ano: 94 às 01-07-2012 08:36 pm BRST
No total: 111 às 03-18-2011 02:35 am BRT