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Site Observatório da Imprensa publica artigo do jornalista Sylvio Micelli

O site Observatório da Imprensa, especializado na visão crítica do trabalho da mídia, publicou o artigo “Desculpem os “entendidos” de futebol! Mas o Dunga é o menos culpado…” do jornalista Sylvio Micelli.

No artigo, Micelli faz uma análise da eliminação do Brasil para a Holanda e o comportamento da mídia em relação ao técnico Dunga, sobretudo no caso Rede Globo.

Para publicação no site do OI, o artigo teve seu título reduzido para “Dunga é o menos culpado”, além de intertítulos colocados pela edição. Está publicado na seção “Jornal de Debates”.


O Observatório da Imprensa é uma iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É um veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

Nascido como site na web, em maio de 1998 o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão (confira a grade horária no site do programa).

Em maio de 2005, o Observatório da Imprensa chegou ao rádio, com um programa diário transmitido pela rádio Cultura FM de São Paulo, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro, e rádios Nacional AM e FM de Brasília. Os áudios dos programas, na forma de um blog, estão disponíveis no site do OI.

Leia o artigo no site Observatório da Imprensa

Leia o artigo no blog do jornalista Sylvio Micelli

Futebol: a diferença entre Argentina e Brasil está no torcedor

por Sylvio Micelli

Sei que o que vou escrever não será do agrado de muitos. Há um bairrismo tolo envolvendo o futebol brasileiro e o argentino. Quem começou com isso e quando vai terminar são incógnitas que minha limitada inteligência não ousa responder.

Mas uma coisa eu descobri definitivamente: a diferença está no torcedor.

O futebol é bem jogado aqui e lá. O Brasil tem mais técnica. A Argentina, mais raça. Há gênios de lado a lado. Maradona virou até igreja. Pelé, na minha opinião, não tem seu valor reconhecido à altura de sua grandeza. E aí, começam as diferenças.

Eu já possuía essa noção porque em 2006 tive a oportunidade de visitar a capital portenha. Buenos Aires não é só bela pelos seus prédios históricos, por sua carne maravilhosa ou pelo tango que eu tanto amo. Lá respira-se um nacionalismo ímpar e a Argentina, para eles, está acima de todas as coisas. Talvez, por isso, muitos julgam o povo argentino como arrogante ou prepotente. Nem uma coisa, nem outra. Eles são apenas argentinos. Até o final dos tempos, até as últimas consequências…

Andar pela Plaza de Mayo, centro de Buenos Aires e cenário de tantas e tantas manifestações contra a ditadura, é respirar o puro oxigênio “de la democracia y de la nación Argentina”.

E nós? Somos brasileiros?

Cada vez mais tenho a ideia de que nós brasileiros, vivemos um nacionalismo de fachada. Numa época como esta, de Copa do Mundo, as ruas estão pintadas de verde e amarelo, bandeiras são desfraldadas, rostos são pintados, buzinas soadas… Somos, enfim, 193 milhões em ação, prá frente Brasil do meu coração, numa livre adaptação da música de Miguel Gustavo que embalou a Copa de 1970 no México.

Tudo isso até o apito final do senhor Yuichi Nishimura, árbitro japonês da partida contra a Holanda que selou nossa derrota na Copa da África do Sul.

Findo o jogo partimos para a caça às bruxas, culpamos a tudo e a todos. Xingamos até a última geração do técnico, médico, jogadores porque talvez ainda não tenhamos a maturidade do povo argentino. E aqui engrosso com o chileno, o uruguaio e, pasmem, até com paraguaios e  bolivianos. Em termos de nacionalismo, todos eles tem muitos ensinamentos para nós.

Tudo no Brasil é motivo para descontentamento. Queremos a vitória acima de todas as coisas e será que fazemos por merecê-la? Quem será arrogante e prepotente ao criticar o gol irregular do outro e enaltecer o seu tento irregular como uma questão de “merecimento”? Cheguei até a ouvir narrador de futebol dizendo que em 2014, o Brasil iria comemorar o hepta…

Você perguntaria a mim: “ora, mas eles não têm defeitos?” “Sim”, eu responderia. Sem dúvida. Mas estes povos não tentam disfarçar com o nosso jeitinho tão bem conhecido.

Voltando ao assunto futebol, enquanto o Brasil foi recebido, em grande parte com vaias, jogadores escoltados e confusão, bode expiatório para a eliminação e coisas afins, na Argentina, Maradona e seus jogadores foram recebidos com festa. Enquanto Dunga já foi empurrado com sua comissão técnica ao cadafalso, Maradona recebe apelos para permanecer. E isso tudo porque eles foram estraçalhados pela Alemanha num “magro” 4 a 0.

Então, povo brasileiro, aprendamos com os hermanos. Sejamos nacionalistas de verdade. Carreguemos o verde e o amarelo em nossos corações, efetivamente. Cantemos o hino nacional com a mão no peito e sejamos sinceros e plenamente brasileiros não apenas quando a Pátria estiver de chuteiras, como já nos ensinou o sempre mestre, que não canso de repetir, Nelson Rodrigues.

P.S.: O treinador Dunga foi recebido em Porto Alegre com carinho. E eu pergunto: será por que o Rio Grande tem muito do nacionalismo já aqui relatado? Que cada um tire suas próprias conclusões.

El Uruguay y la otra “mano de Dios”

por Sylvio Micelli

Muitos amigos não entendem o apreço que tenho pelo futebol sulamericano. Sobretudo o argentino e o uruguaio. Sei que são concorrentes diretos do Brasil, mas a raça de ambos torna o esporte ainda mais especial.

Exemplo claro disso foi a segunda partida das quartas de final da Copa da África do Sul entre Uruguai e Gana, que aconteceu nesta sexta (02), logo depois de lambermos as feridas pela desclassificação do Brasil diante da Holanda.

A equipe africana dominou boa parte do jogo, contou com o imenso apoio da torcida, mas ao final, a magia da velha Celeste Olímpica voltou a brilhar.

Tudo seria mais um jogo complicado com empate no tempo normal e na prorrogação e a decisão nos pênaltis, quando no último minuto do segundo tempo da prorrogação, o atacante Luis Suárez, que nada fez no jogo inteiro (exceto perder um gol incrível), agiu do modo que somente um latino poderia fazer.

Numa cobrança de falta e no bate e rebate da bola, Adiyiah tocou para o gol que fatalmente colocaria Gana na semifinal da Copa, algo inédito para uma equipe do continente africano. A única alternativa de Suárez foi defender a bola com as mãos. Foi corretamente expulso e o pênalti marcado para os africanos. Um dos principais jogadores ganenses – Asamoah Gyan – bateu e a bola no travessão foi para fora.

Entrou em campo o imponderável e de um ato antidesportivo, ainda que dentro das regras do futebol – um jogador da linha defender a bola com as mãos – cria-se um herói. Logo após o pênalti perdido, o jogo foi encerrado. Suárez, a caminho dos vestiários, troca o choro compulsivo pela comemoração de um gol que ele não permitiu com “la otra mano de Dios”.

Robustecido pela inimaginável decisão de pênaltis, Uruguai venceu Gana, com direito a mais um gol maravilhosamente nervoso de El Loco Abreu com o seu habitual e irritante sangue frio nas cobranças de penalidade. E como disse Asamoah Gyan para o jornal português “A Bola” sobre o ato de Suárez, “agora é ele o herói do seu país…”.

Coisas que só o futebol tem.

E desde já torço por uma final entre Uruguai e Argentina. Seria fantástico ver a “reprise” da primeira final de uma Copa do Mundo, 80 anos depois.

Abram o olho. 40 anos depois, a Celeste Olímpica está de volta.

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Sylvio Micelli

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