A permanência de Tite: um mal necessário ao Corinthians?
- 2012/janeiro/6
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Texto originalmente escrito para o Blog Canelada
Devo confessar a você, meu caro leitor, que não nutro lá muitos amores pelo seu Adenor Leonardo Bachi. Acho-o super gente fina, até muito educado para o perfil do futebol, foi um bom volante na condição de jogador, deve até ser bom papo, mas é muito apegado aos dogmas e modelos da escola gaúcha de treinamento, o que em outras palavras significa fechar o time e ganhar de meio a zero.
Ainda que os gaúchos dominem os cargos de treinador dos grandes clubes, acho muitas vezes que se trata de um futebol chato, irritante até, que se baseia na força e, geralmente, sufoca o talento.
Por outro lado, também devo deixar claro que não tenho por hábito, creditar os maus resultados ao treinador. Nenhum deles. Óbvio que eles podem errar, inventarem naqueles dias de “professor Pardal” e não dar certo mas, no geral, ainda acho que os resultados ruins tem nos jogadores, a maior parcela de responsabilidade.
A permanência do Tite para a temporada do Corinthians em 2012, mesmo com muita gente contrária, tanto no clube como na torcida, une um certo pragmatismo, aliado à falta de um nome à altura do time e das competições que o clube vai encarar a partir do próximo dia 21.
Primeiro, porque quem bancou a permanência de Tite foi o presidente do clube, agora afastado, Andrés Sanchez. Nada derrubou o seu Adenor: nem o Tolima, nem o vice-paulista, nem a falta de “jogabilidade” em algumas partidas. Mesmo quando o Timão começou a dar sinais de cansaço e de que poderia até perder o campeonato brasileiro, Sanchez fechou com o treinador. Então trata-se, digamos, de uma cota presidencial.
Segundo porque Tite é campeão brasileiro. Simples assim. Trata-se do mais ou dos mais concorridos campeonatos de futebol no planeta. E, finalmente, Tite melhorou – e muito bem – o seu currículo, sendo campeão nacional.
Terceiro porque o seu Adenor quer se firmar como um técnico de primeira linha no futebol brasileiro e ele sabe que a chave disso está no título sulamericano, mesma taça tão perseguida pelo Corinthians, ainda que eu, pessoalmente, veja a Libertadores como um torneio normal.
Quarto por fim, porque há, no meu modo de entender futebol, poucos técnicos bons e há muito “ex-técnico”, que ainda permanece em atividade vivendo de um passado que não volta mais. Tite ainda pertence a uma safra nova, assim como Mano Menezes, e que tem muito a dar para o futebol.
Então, seu Adenor, esqueça um pouco de suas origens. Bote o time prá frente e quem fizer mais pontos será, indubitavel e matematicamente, campeão.



