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Em reunião de mais de 4 horas, TJ-SP não oferece nenhuma contraproposta à categoria

por Sylvio Micelli / ASSETJ

A “informação do ano” não veio. Para quem esperava que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo oferecesse um índice de reposição salarial, uma contraproposta ou algo que o valha, a reunião ocorrida no Palácio da Justiça, sede do Judiciário paulista, na tarde desta segunda (07) foi frustrante. Participaram os membros da Comissão de Negociação das Entidades (*); o presidente da Comissão Salarial, desembargador Antônio Carlos Malheiros e os juízes assessores da presidência do TJ, José Maria Câmara Júnior, Richard Francisco Chequini e João Batista Morato Rebouças de Carvalho. A reunião ainda contou com a presença dos deputados estaduais Major Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB). Também participaram o 1º Vice-Presidente da OAB – Seccional São Paulo, Marcos da Costa e o presidente da OAB em Ribeirão Preto, Ricardo Rui Giuntini.

Em cerca de quatro horas de reunião pouco se avançou. A primeira hora da reunião serviu, basicamente, para que o juiz José Maria Câmara Júnior externasse sua indignação com aquilo que chamou de “invasão” do Palácio da Justiça na última quarta (02). “Não vou entrar no mérito das reivindicações, mas foi bastante difícil e constrangedor para o [desembargador] Viana Santos (presidente do TJ-SP). Foi uma situação clara de invasão do Palácio e todos perdem com isso porque se trata de uma afronta”, criticou.

Outra questão discutida no início da reunião foi a presença de representantes da OAB São Paulo. Segundo Marcos da Costa, vice-presidente da entidade, “a OAB apoia as reivindicações dos servidores”.

Neste momento, o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze manifestou-se usando a palavra “constrangimento” para embasar suas declarações. “Temos respeito pela OAB enquanto instituição, mas nós temos sérios problemas com a Ordem porque o atual presidente [Luiz Flávio Borges] D´Urso processou todas as entidades na greve de 2004. E sempre estivemos em greve para o cumprimento da Constituição Federal. Sentimo-nos, até, traídos, porque antes de iniciar a greve de 2004 procuramos a OAB e quando a greve foi inevitável, a OAB entrou com uma ação coletiva contra todos nós e que, ao final, foi derrotada”, opinou. E prosseguiu: “evidentemente que a OAB pode mudar de posição e deve estar ao lado dos servidores nesta luta mas, de fato, é constrangedor lidar com a Ordem em casos assim”, analisou.

Sobre as críticas feitas por Câmara Júnior, Gozze avaliou que “maior que o constrangimento de ocupar o prédio é o constrangimento de não conceder a reposição salarial”. “Precisa encerrar essa história no TJ-SP de os Magistrados receberem tudo e os Servidores tem que lutar pelo direito que é seu”. E arrematou: “não tenho dúvidas de que o constrangimento do TJ é infinitamente menor que o do Servidor”.

O juiz, em réplica, afirmou que o movimento “extrapolou e que o Tribunal não mais permitirá atitudes assim. Tem que se caminhar dentro de uma ordem até para que o Judiciário esteja fortalecido e com capacidade de negociação”, alertou. Afirmou que a ocupação ocorrida na semana passada era “fogo amigo” e que atitudes assim geram “instabilidade” ao comando do Poder Judiciário de São Paulo. Chegou a informar que desembargadores questionaram os problemas ocorridos e pediu o comprometimento de que não houvessem mais invasões. O presidente da Assetj afirmou que não há como assumir esse comprometimento.

Os parlamentares também se manifestaram. O deputado Fernando Capez acredita que a reunião “fortaleceu a possibilidade de negociação junto à cúpula do TJ”. A deputada Maria Lúcia Prandi defendeu o movimento grevista ao afirmar que “toda greve é pedagógica”. Também analisou que as críticas que são feitas ao funcionalismo público são uma “orquestração” que visa enfraquecer o serviço público. O deputado Major Olímpio minimizou a ocupação da semana passada e ressaltou que “o fato gerador da greve [a não reposição salarial] é muito mais importante que a ocupação do prédio até porque são funcionários da Casa”.

O presidente da Comissão Salarial, desembargador Antonio Carlos Malheiros diz não ter dúvidas de que “a ocupação pode prejudicar qualquer julgamento de interesse dos servidores por um endurecimento do Órgão Especial”. Malheiros, porém, acredita que o ato dos servidores protagozinado na semana passada é “histórico e democrático”.

Após a manifestação dos demais presentes, Gozze fez um relato histórico da reposição de outros anos e que foi concedida por resolução do Tribunal sem a necessidade de aprovação da Assembleia Legislativa. Informou ainda que esperava outra postura do presidente do TJ. “Ele foi presidente da Apamagis e da AMB. Pensei que sua ação seria diferente” e demonstrou um certo “arrependimento” com a Ação do Dissídio Coletivo por Greve que “não sai do lugar”.

Ao final foram encaminhadas as seguintes propostas:

1 – Suspensão da Resolução 520/2010 que determina o desconto dos dias parados a partir de sua aprovação, ou seja, 12 de maio de 2010;

2 – Suspensão do Comunicado 56/2010 que determina o registro das faltas-greve como injustificadas.

Estes primeiros itens devem ser objeto de defesa do desembargador Antonio Carlos Malheiros na próxima reunião do Órgão Especial que ocorre na quarta (09);

3 – Negociação do Índice de reposição de 20,16% (residual da data-base de 2008 e as datas-base de 2009 e 2010)

Este item deve ser objeto de defesa do desembargador Antonio Carlos Malheiros na reunião do Órgão Especial que ocorre na quarta (16). O período maior visa possibilitar, segundo o magistrado, prazo maior para negociação;

4 – A edição do COMUNICADO SGRH Nº 57/2010 que adia o envio da frequência do mês de maio até o dia 10 de junho, próxima quinta-feira. O comunicado será publicado no Diário de Justiça Eletrônico desta terça, 08 de junho. Leia a íntegra:

“COMUNICADO SGRH Nº 57/2010

A Secretaria de Gerenciamento de Recursos Humanos, devidamente autorizada pela E. Presidência, COMUNICA, aos Dirigentes das Unidades Administrativas e Cartorárias de 1ª e 2ª Instâncias do Estado, que o prazo para envio da frequência do mês de maio/2010 fica prorrogado até o próximo dia 10/06/2010, para os Sistemas Biométrico e “On-Line”.”

5 – Haverá nova reunião com a Comissão Salarial do Tribunal de Justiça na próxima quarta, dia 09 de junho às 12:30 horas no Gabinete dos Desembargadores na Rua Conde de Sarzedas.

(*) A Comissão de Negociação permanente com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo tem a participação de todas as entidades, mas foram eleitos sete interlocutores. São eles: José Gozze (Assetj), Hugo Coviello (Assojubs), Elisabete Borgianni (Aasptj-SP), Carlos Alberto Marcos “Alemão” (Assojuris), Yvone Barreiros Moreira (Aojesp), Antonio Grandi (Apatej) e Wagner José de Souza (Sindicato União). Este último, por ser presidente do Sindicato União e por imposição da lei, está impedido de participar da greve.

Cerca de 200 servidores, já na noite da segunda-feira, aguardavam por informações da reunião nos corredores e escadaria do Palácio da Justiça.

AGENDE-SE

Terça – 08 de junho – 14 horas – Assembleia Regional da Capital na Praça João Mendes

Quarta – 09 de junho – 12:30 horas – Reunião com a Comissão Salarial do TJ no Gabinete dos Desembargadores do prédio da Rua Conde de Sarzedas

Quarta – 09 de junho – 13 horas – Sessão do Órgão Especial no Palácio da Justiça quando deverá ser analisado o pedido de suspensão da Resolução 520

Quarta – 09 de junho – 14 horas – Assembleia Geral Estadual dos Servidores do TJ-SP na Praça João Mendes

41 dias de greve! Mande suas informações, fotos e opiniões sobre a Greve do Judiciário paulista

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Nesta segunda-feira, dia 07 de junho, a Greve dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo atinge 41 dias. Está prevista a realização de uma reunião de retomada de negociação após a pressão histórica exercida pela categoria na última quarta, dia 02, quando centenas de servidores ocuparam as dependências do Palácio da Justiça, sede do Judiciário paulista. A reunião deve ocorrer às 15 horas e contará com a participação da Comissão de Negociação das Entidades (*), membros do TJ-SP e dos três deputados estaduais que, desde a última quarta, tentam ser intermediadores entre a categoria e o TJ. São eles os deputados Major Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB).

Iniciada no último dia 28 de abril, a Greve Geral dos Servidores do Judiciário de São Paulo tem gerado muitas discussões, matérias na mídia, além de reuniões diversas de trabalho. Já foram seis Assembleias Estaduais com a participação média de 7 mil servidores a cada manifestação.

A Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj) disponibiliza três formas práticas de divulgação do movimento e troca de informações.

Você pode e deve colaborar. Mande notícias, índices de paralisação, fotos, recortes de jornal, ou seja, tudo para que todos saibam do movimento e que possa informar outras colegas e tomar decisões. Para quem tem acompanhado o site, temos publicado dezenas de fotos, textos e opiniões enviados por você! Sim, você! Que é o personagem principal desse movimento.

Como divulgar?

A primeira, já amplamente conhecida, é o portal da Assetj na Internet que tem batido recordes de visitação nos últimos dias. O site, você já conhece, é o http://www.assetj.org.br/.

A Assetj tem também o “telefone da greve”. Pelo (11) 3291-4074, qualquer servidor de qualquer ponto do estado, poderá informar sobre a mobilização de sua comarca, bem como prestar outras informações relevantes do movimento.

Uma terceira forma de ficar bem informado é acessar a página da Assetj no microblog Twitter. Lá, você terá informações curtas, rápidas, além de um índice com todas as notícias disponíveis no site. Acesse http://twitter.com/Assetj. Você também pode informar índices de paralisação de sua cidade.

Todo o material também pode ser enviado para o e-mail imprensa@assetj.org.br.

(*) A Comissão de Negociação permanente com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo tem a participação de todas as entidades, mas foram eleitos sete interlocutores. São eles: José Gozze (Assetj), Hugo Coviello (Assojubs), Elisabete Borgianni (Aasptj-SP), Carlos Alberto Marcos “Alemão” (Assojuris), Yvone Barreiros Moreira (Aojesp), Antonio Grandi (Apatej) e Wagner José de Souza (Sindicato União). Este último, por ser presidente do Sindicato União e por imposição da lei, está impedido de participar da greve.

Obs.: devido ao elevado número de e-mails e telefonemas recebidos, as atualizações tendem a ficar mais lentas.

Obs (2).: os índices e manifestações expressos no site são de responsabilidade dos colegas que informam. Os e-mails e a listagem com os nomes estão arquivadas pela ASSETJ.

Servidores do TJ/SP: resistência, ocupação e perseverança, num dia histórico

Servidores do Judiciário ocuparam o Palácio da Justiça - Foto:  Sylvio Micelli (Assetj)por Sylvio Micelli / ASSETJ

Definitivamente, o dia 02 de junho de 2010 vai entrar para a história dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Um dia diferente, complexo, cheio de alternativas, que fugiu do lugar comum e que ficará marcado para a categoria.

Tudo seria mais um dia de greve, com uma Assembleia Geral a unir milhares de servidores há 36 dias parados. Mas o início do dia foi o prenúncio do que viria pela frente.

Resistência

Pouco antes do meio-dia, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) por ordem da Prefeitura do Município de São Paulo tentou impedir a realização da Assembleia. A ordem era baixar faixas, desmontar barracas e retirar o palanque de som. Com a resistência dos colegas e o apoio dos advogados vinculados às entidades tudo foi resolvido e a Assembleia pode acontecer normalmente.

Durante a Assembleia o tom das manifestações foi o mesmo, ou seja, a necessidade de continuar a greve diante da total ausência de novidades e contra-propostas por parte do Tribunal de Justiça. O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze, subiu ao palanque parabenizando os grevistas e afirmando que “o medo não está na praça e sim, nos cartórios para os que continuaram trabalhando”. “É com a praça cheia que vamos conquistar o que queremos”, afirmou.

Gozze também criticou a cúpula eleita para o Tribunal de Justiça e os anos do governo do PSDB. Finalizou bradando que “a greve vai continuar porque essa é a nossa luta!”

A praça, com cerca de 6 mil servidores, votou pela manutenção da greve de forma unânime. Além disso, entre outras propostas, foi aprovada moções de repúdio a juízes de Monte Alto e Itapevi que tem perseguido funcionários grevistas. Outras medidas jurídicas e de ação foram aprovadas pela Assembleia, bem como a realização da próxima, no dia 09 de junho, às 14 horas, na Praça João Mendes.

Ocupação

Ao final da Assembleia, a exemplo do que já ocorrera em outras oportunidades, todos decidiram por finalizar o ato em frente ao Palácio da Justiça, sede do Judiciário paulista. Entretanto, os servidores iniciaram a ocupação do prédio de forma ordeira e pacífica. Os 4º e 5º andares do Palácio ficaram repletos de servidores e de grande contingente policial. Enquanto isso, a Comissão de representantes tentava se reunir com o presidente do TJ, desembargador Antonio Carlos Viana Santos.

Enquanto isso, centenas de servidores que não entraram no Palácio ocuparam as escadarias e todas as entradas do prédio, o que impossibilitou a entrada e saída de qualquer pessoa. É importante ressaltar que, em mais de 7 horas de manifestação, tudo ocorreu de forma pacífica e ordeira, usando-se a ocupação, o apitaço e o grito de palavras de ordem como instrumento de pressão para que houvesse uma reunião na tentativa de negociação com a categoria. Houve, porém, ameaças interna e externamente de desocupação com o auxílio do batalhão de choque, o que não ocorreu.

Perseverança

O presidente do TJ não participou da reunião com as entidades e os deputados Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB). Permaneceu numa sala do Palácio e foi representado pelo desembargador Antonio Carlos Malheiros, que preside a Comissão Salarial.

Numa reunião tensa, intensa e que demorou mais de três horas definiu-se a seguinte pauta de trabalho:

1. Será suspenso o efeito do comunicado feito pela Intranet das faltas da greve nos dias 07 e 08 de junho até a revisão pelo desembargador Viana Santos e o encaminhamento do pedido de suspensão da Resolução 520 ao Órgão Especial, em sessão que ocorre na próxima quarta-feira (09). A defesa em favor dos Servidores do Judiciário será feita pelo desembargador Antonio Carlos Malheiros.

2. Haverá uma reunião nesta segunda-feira, dia 07 de junho, às 15 horas, entre a Comissão de Negociação, os parlamentares que participaram dos trabalhos realizados nesta quarta (02) e que serviram como intermediadores durante o ato de ocupação do Palácio e os representantes do Tribunal.

É importante destacar a perseverança dos servidores que permaneceram ao redor do Palácio da Justiça e também dos que estavam dentro do Palácio. Por ordem do TJ que fechou os banheiros e apagou as luzes, os servidores que ocuparam o 4º andar ficaram às escuras durante boa parte das negociações.

Já passava das 10 da noite quando os deputados e representantes desceram do Palácio da Justiça para dar os informes aos mais de 4 mil servidores que não arredaram pé da Praça Clóvis Bevilacqua, mesmo com o intenso frio da noite paulistana.

AGENDE-SE

Segunda – 07 de junho – 15 horas – Reunião da Comissão de Negociação com representantes do TJ e dos deputados Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB)

Terça – 08 de junho – 14 horas – Assembleia Regional da Capital na Praça João Mendes

Quarta – 09 de junho – 13 horas – Sessão do Órgão Especial no Palácio da Justiça quando deverá ser analisado o pedido de suspensão da Resolução 520

Quarta – 09 de junho – 14 horas - Assembleia Geral Estadual dos Servidores do TJ-SP na Praça João Mendes

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Sylvio Micelli

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